
Queremos outra coisa
*José Renato Nalini
A cidade de São Paulo produz, a cada dia, mais de dezoito mil toneladas de resíduo sólido. Este o eufemismo pelo qual nós chamamos o lixo e que países mais adiantados já descobriram que vale dinheiro.
Sim, tudo pode ser reciclado, para que funcione a economia circular e se cumpra a logística reversa. Cada produto que tem vida útil e depois é sucateado precisa ser objeto de atenção da empresa que o gerou. Nada pode ser simplesmente despejado na natureza. Quando reaproveitado, vira dinheiro.

Isso já é cumprido de maneira satisfatória em outros países. Aqui, o destino dos resíduos ainda é o aterro sanitário. Não é uma solução definitiva e plena. São imensas montanhas com camadas sobre camadas de lixo, a produzir chorume e a contaminar os lençóis freáticos.
Dessas dezoito mil toneladas de lixo doméstico, um percentual mínimo chega à reciclagem. Porque a população não separa o que é material orgânico, que pode se transformar em gás biometano, natural e não fóssil, daquele resíduo seco, objeto do reaproveitamento.
Todo cidadão consciente precisa divulgar a necessidade urgente de uma destinação correta do que se descarta. Ainda somos uma sociedade que consome demais, desperdiça demais e não sabe descartar aquilo que desperdiça.
Não queremos ser a cidade campeã na produção de lixo. Precisamos ocupar outro ranking: o de município que consegue reciclar enorme quantidade de resíduos sólidos, integrado por habitantes sensíveis e conhecedores do perigo de se converter o planeta numa esfera coberta de imundície. Um pouco mais de consciência fará uma grande diferença para esta nossa capital, a maior cidade do Brasil e uma das maiores do mundo. Mas que tem a vocação também de ser a melhor em qualidade de vida e saúde física e mental.
Ajude São Paulo a cuidar melhor de seu lixo!
*José Renato Nalini é Secretário Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.
