
Incerteza não é desculpa
*José Renato Nalini
O cenário geopolítico mundial é o da incerteza. Nada se pode prever, diante de tantas incógnitas. Sabe-se que todo o arranjo institucional para estabelecer normas de conduta entre as nações, com o propósito de se evitar um terceiro conflito mundial foi desarticulado. Prevalece a lei do mais forte em ambiente bastante hostil.
Conflitos armados proliferam, o aquecimento global persiste diante da insensibilidade de quem poderia refrear a venenosa emissão de gases causadores do efeito estufa. Toneladas de páginas sobre Direito Internacional, sobre Tratados, Convênios, Acordos e Resoluções conjuntas foram queimadas pelo avanço de uma História imprevisível.
Isso aumenta a responsabilidade individual da lucidez remanescente. O protagonismo das cidades é cada vez mais importante. São Paulo, a maior cidade do Brasil, está numa situação confortável, diante da sensibilidade do Prefeito Ricardo Nunes, que não só criou a Secretaria Executiva das Mudanças Climáticas, a qual prestigia e apoia, como influencia a conduta de todos os equipamentos da capital, a fim de que as emergências causadas por séculos de insensatez não causem mais mortes, nem prejuízos irreparáveis.
Por isso a revisão do Plano de Ação Climática, a elaboração do Orçamento Climático, a implementação da Academia do Clima e a observância de todas as metas e estratégias elaboradas com proficiência e zelo por inúmeros especialistas.
Isso não substitui a imprescindível ação da sociedade civil. Na verdade, da cidadania responsável. Que pode e deve contribuir para atenuar o ritmo e intensidade de condutas que sobrecarregam a natureza e a impedem de restauração espontânea.
É hora de economizar água e energia, andar mais a pé, de bicicleta, usar transporte coletivo, plantar árvores e consumir menos, desperdiçar menos e descartar corretamente aquilo que chamávamos “lixo”, mas que tem valor econômico e ganhou outro nome: “resíduo sólido”.
Achar que tudo é incerto e o futuro é incógnito não é desculpa que se possa oferecer para uma inação que é tão perigosa quanto a dos que maltratam a natureza por cupidez e ignorância. Ou pela cruel conjunção de ambas.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

