
Os catadores, esses heróis
*José Renato Nalini
O sucesso do reaproveitamento das latinhas de alumínio é resultado do trabalho de milhares de brasileiros, os catadores. Todavia, em relação a outros resíduos, como vidro, papelão, isopor, já não se verifica tanto êxito.
Isso explica a fragilidade da reciclagem na maior cidade do Brasil, a nossa amada e insólita São Paulo. Em 2024, a coleta seletiva formal atingiu pouco mais de cem mil toneladas, ou duzentas e setenta e quatro toneladas por dia, uma insignificância. Pois a capital produz mais de quinze mil toneladas diárias de resíduos sólidos. A reciclagem só representa uma taxa de cerca de 2,85% do total de lixo recolhido na cidade.
Uma quantidade como essa não pode ter como destino os aterros sanitários. É um acúmulo excessivo, atestado de falta de educação ecológica de que resulta nefasta situação para milhões de pessoas. Já não existem áreas para suportar essas imensas camadas de lixo. Os aterros atuais já ocupam território que deveria servir para receber equipamentos ambientalmente corretos, como parques, jardins, florestas urbanas, lagos ou reservas ecológicas.
Não se pode descartar, de forma tão equivocada como se descarta o lixo, a solução asiática e europeia das UREs – Unidades de Regeneração Energética. É uma tecnologia que tornou a China o país mais limpo do planeta, hoje totalmente florido, colorido e agradável. Ao contrário de nossa capital, onde há coletas diárias várias vezes por dia, todas elas resultando em recolhimento da imundície produzida por uma população consumista, desperdiçadora e que não sabe se desfazer de seu lixo.
É preciso acordar para a realidade de novas tecnologias e não invocar exemplos superados, como os dos velhos incineradores que foram desativados. Quem visita a China se encanta com o desaparecimento de qualquer sinal de sujeira, ao contrário de nossa cidade.
Se São Paulo quiser mudar o seu destino de ser gigantesco depósito de resíduo, precisa imediatamente adotar providências para implementação das Unidades de Regeneração Energética. Quem não acredita nelas, precisa conhecê-las por dentro. Tenho a certeza de que mudará de ideia.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

