
A Mongólia e a OIDA
*José Renato Nalini
Às vezes é preciso estar longe para melhor avaliar aquilo que fazemos de forma automática e nem sempre merece atenta observação ou se torna objeto de mais consistente reflexão. Foi o que aconteceu na Mongólia, onde, juntamente com Washington Luiz Gonçalves Pestana, o Coordenador da OIDA, participei da 17ª COP do Combate à Desertificação, promovida pela ONU.
Foi a primeira vez que São Paulo participou desse encontro e valeu a pena constatar que todos os países estão preocupados com a irreversível tendência à desertificação. Somos eficientes fabricantes de deserto. Isso ocorre em todo o planeta e também aqui em São Paulo.
O maior interesse dos partícipes dessa Convenção foi a estratégia restabelecida pelo Prefeito Ricardo Nunes, de intensificar a atuação da OIDA – Operação Integrada em Defesa das Águas. É a mais sensível e a mais concreta das atribuições da SECLIMA – Secretaria Executiva das Mudanças Climáticas, também criada e incentivada pelo alcaide da resiliência, o ecológico Prefeito Ricardo Nunes.
Todos se interessaram pelo programa de desfazimento das construções irregulares, clandestinas e criminosas das áreas dos mananciais, das quais mais da metade da população paulistana depende para ter água para beber. A atuação municipal foi muito elogiada e muitas cidades pediram informações detalhadas sobre seu funcionamento. A OIDA precisa de mais comunicação e de maior participação, como bem assinalou a dinâmica e legendária Secretária Bete França, durante a última reunião do Secretariado realizada no Borboletário Paulistano, em Engenheiro Marsilac. Se a sociedade paulistana se conscientizar do risco assumido por condutas que merecem profunda transformação, a OIDA seria uma estratégia comunitária, com a participação de mais parceiros, além dos heroicos protagonistas já empenhados nessa missão salvífica.
São Paulo ofereceu ao conjunto consciente dos “salvadores do planeta” um exemplo concreto de atuação, que mereceu atenção maior e mais acolhedora na longínqua Mongólia, do que em nosso próprio chão.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

