
Por que Mongólia?
*José Renato Nalini
Acabo de participar da COP17, realizada na Mongólia entre 17 e 28 de agosto. É a décima sétima reunião da ONU realizada pela UNCCD, sigla que significa a Convenção para o Combate à Desertificação das Nações Unidas. Comigo esteve o Coordenador da OIDA, Washington Luiz Gonçalves Pestana, que realiza o trabalho hercúleo de inibir novas invasões na área dos mananciais paulistanos, seriamente ameaçada de colapso hídrico.
A capital é Ulaanbaatar, que se pronuncia Ulan Bator e que significa “Herói Vermelho”. Toda a população da Mongólia equivale a um quarto da população paulistana. Eles são 3,1 mongóis, dos quais cerca de metade ocupa a capital. O restante se espalha pelo vasto território, que tem a menor densidade populacional do planeta: cerca de 1,3 habitantes por quilômetro quadrado.
Interessante que eles continuam nômades. A própria capital mudou de local cerca de trinta vezes, até ficar em definitivo onde se encontra. Mas o nomadismo persiste. Quase metade dos mongóis preservam a tradição de viver no estilo itinerante. Habitam as iurtas, as tendas circulares feitas com lã ou feltro, dotadas de estruturas de madeira facilmente desmontáveis e transportáveis. Esses confins da Ásia são paisagens fascinantes: desertos, estepes, lagos, florestas e montanhas.
Mas por que se escolheu a Mongólia para essa 17ª Convenção? Porque eles têm pouca água e a desertificação avança, assim como em quase todos os países da Terra. Enquanto lá estávamos, ocorreu a tragédia do Nepal, evidência que só o negacionismo cego e ignorante se recusa a reconhecer como consequência de nossa insanidade, ao nos servirmos da natureza como supermercado gratuito, do qual nos servimos à gastança e nada repomos. A natureza responde. E ela está bem ressentida com o bicho homem. O último animal a habitar este planeta e aquele que parece ter escolhido o ecocídio como lamentável destino para a criação. Voltarei ao assunto.
José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

