
Tarcísio encerra homenagem histórica aos 90 anos de Ives Gandra com discurso de empatia e humanidade na Sala São Paulo
Da Redação — São Paulo TV Broadcasting Beatriz Ciglioni
A Sala São Paulo estava diferente. Não era somente um evento protocolar, nem uma cerimônia qualquer de homenagens. O espaço que costuma abrigar concertos sinfônicos se transformou em um palco de reverência, respeito e emoção. No centro de tudo, um homem que há décadas ocupa um lugar único no Direito brasileiro: Ives Gandra da Silva Martins, o jurista que fez do conhecimento uma missão, da ética um compromisso e da fé uma bússola.
A celebração pelos seus 90 anos foi estruturada como um espetáculo, dividido em nove atos. Cada orador representava uma parte de sua biografia: o professor, o advogado, o pensador tributário, o filósofo, o cristão, o marido, o pai, o brasileiro que sempre defendeu o Estado Democrático de Direito. Ao longo da noite, o público ouviu falas de juristas, autoridades, acadêmicos e familiares.

Entre os presentes, estavam grandes nomes da vida pública nacional: o ex-presidente Michel Temer, a filha do homenageado, Angela Vidal Gandra Martins – Secretária Municipal de Relações Internacionais, que emocionou ao lembrar da sensibilidade do pai, o Secretário de Justiça do Estado de São Paulo, Fábio Prieto de Souza , além de advogados, magistrados e dirigentes de instituições. Quando Luiz Flávio Borges D’Urso, ex-presidente da OAB/SP e atual Vice-Presidente da Associação Comercial de São Paulo, tomou a palavra, trouxe um depoimento elegante e profundo sobre o advogado que transformou conhecimento em serenidade. D’Urso descreveu Ives como “farol ético, intelectual e espiritual para o Direito brasileiro”.
Mas a noite ainda guardava o momento mais esperado.
Caberia ao Governador Tarcísio de Freitas encerrar a solenidade antes da fala de Ives. E ele o fez com a sensibilidade e grandeza que o momento exigia.

Tarcísio iniciou saudando autoridades, com respeito genuíno: o Prefeito de São Paulo Ricardo Nunes, o ex-Presidente da Republica Michel Temer, juristas presentes, e fez questão de mencionar e saudar duas figuras espirituais que acompanharam o evento: O Arcebispo da Arquidiocese de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, e o Bispo Maronita D. Edgard Madi— referência à importância da fé na trajetória de Ives. Foi um gesto simples, mas carregado de sentido. Ele reconhecia ali não apenas autoridades, mas as colunas espirituais que atravessam a vida do jurista. Encontrou um brasileiro que atravessou governos, crises e mudanças sem perder a fidelidade a três princípios: liberdade, justiça e ética.
Ele afirmou que Ives Gandra sempre foi defensor do Estado Democrático de Direito, mesmo quando isso custava desconforto, críticas ou isolamento. “Ives nunca pertenceu ao poder”, disse Tarcísio. “Ele pertenceu ao Brasil.”
Em seguida, falou da dimensão humana que poucos conheciam. Contou que, em uma conversa pessoal, Ives lhe disse algo que carregava não apenas filosofia, mas vida. Ives falou sobre casamento, amor e cuidado. Disse que, para um casamento dar certo, basta que um dos dois ame o suficiente para cuidar do outro. Mas quando os dois se amam da mesma forma, quando os dois desejam cuidar e ver o outro feliz, então o amor é eterno.
Foi então que Tarcísio disse uma frase que atravessou o auditório:
“O amor de um filho é evidência da santidade de um pai.”
Ele se referia a Angela Gandra, mas também a todos que aprenderam com Ives. Não era um elogio — era um diagnóstico. Era uma síntese da vida que estava sendo celebrada.
E naquele momento, não havia governador, ex-presidente, juristas, autoridades ou hierarquias. Havia pessoas. Havia humanidade.

Esse trecho não estava em script. Não estava em texto algum. Foi espontâneo. E tocou o público.
Houve um silêncio profundo na Sala São Paulo. Não era silêncio frio. Era aquele tipo de silêncio que só existe quando a verdade humana é dita. Não se via ali o governador e o jurista. Via-se um homem falando de outro. Via-se respeito.
Tarcísio concluiu dizendo que Ives é um daqueles brasileiros raros que fazem o país ser maior do que suas crises. “O destino de Ives não foi o palco do poder”, afirmou, “mas o altar do conhecimento.”
Quando Ives pegou o microfone, não falou primeiro . Chamou o governador. Abraçou-o com força, com emoção verdadeira, com gratidão. Não era o abraço de uma autoridade a outra. Era o abraço de um mestre a alguém que o reconhece como tal.
A plateia se levantou. O aplauso não era para o currículo, para os mais de 100 livros publicados, para os milhares de artigos e pareceres citados no Supremo Tribunal Federal. O aplauso era para a integridade. Para a inteligência aliada à bondade. Para o homem que ensinou o país a pensar o Direito não como instrumento de governo, mas como instrumento de humanidade.
Foi possível perceber ali que existem juristas que influenciam leis. Existem juristas que escrevem livros. Mas existem raríssimos juristas que mudam a forma como um país pensa.
Ives Gandra pertence a essa última categoria.
Ele não apenas registrou a história jurídica do Brasil.
Ele ajudou a construir essa história.
E naquele palco, diante da maior sala de concertos do país, diante de um governador emocionado, diante de uma família orgulhosa e de uma plateia em pé, o Brasil inteiro reconheceu: Ives Gandra é patrimônio intelectual da nação.
São Paulo Tv Broadcasting
