
SECRETÁRIOS DA NOSSA CIDADE DE SÃO PAULO | JULIANA LOPES BUSSACOS: DA DEFESA DAS MULHERES AO DESAFIO DE PROTEGER UMA CIDADE DE MILHÕES DE PESSOAS
Em entrevista especial à São Paulo TV Broadcasting, a secretária municipal de Secretaria Municipal de Segurança Urbana de São Paulo do Governo Ricardo Nunes, em um momento de expansão da tecnologia e modernização da Guarda Civil Metropolitana.apresenta sua trajetória, relembra sua atuação na defesa das mulheres e aborda os investimentos da gestão do prefeito Ricardo Nunes na Guarda Civil Metropolitana, no Smart Sampa e na proteção da população.

São Paulo TV Broadcasting — Série Especial: Secretários da Nossa Cidade de São Paulo
Abertura da reportagem
Delegada de polícia, com formação em Direito e experiência no enfrentamento à violência, Juliana Lopes Bussacos leva sua trajetória profissional para a Secretaria Municipal de Segurança Urbana do Governo Ricardo Nunes, em um momento de expansão da tecnologia e modernização da Guarda Civil Metropolitana.
Proteger São Paulo exige planejamento, inteligência, sensibilidade humana e compreensão das realidades dos moradores. Para Juliana, a segurança pública faz parte de uma trajetória construída em investigações complexas e situações que exigem responsabilidade e equilíbrio. Formada em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, com estudos em Direito Constitucional e Direitos Humanos, atuou também na proteção de mulheres vítimas de violência.
Hoje, à frente da Secretaria, enfrenta o desafio de coordenar políticas de prevenção, fortalecer a Guarda Civil Metropolitana e ampliar o uso responsável de tecnologias. O Smart Sampa, os drones, a modernização dos equipamentos e a proteção às mulheres são algumas frentes que despertam interesse sobre o presente e o futuro da segurança paulistana.
Mas quem é Juliana além da carreira policial? Quais valores orientam suas decisões e que legado deseja construir? É essa história que queremos contar.

Entrevista exclusiva — Juliana Lopes Bussacos
Perguntas e respostas reproduzidas conforme o documento oficial encaminhado pela Secretaria Municipal de Segurança Urbana em 16/10/2026.
1. Como foi sua infância e formação? Quais experiências familiares e pessoais influenciaram sua escolha pelo Direito e pela carreira policial?
Resposta:
Nasci e cresci na cidade de Limeira, no interior de São Paulo. Tive uma infância bem tranquila, de brincar na rua mesmo. Meus pais sempre me criaram para ser independente, orientando, educando e me apoiando na busca pelos meus sonhos. Quando completei 18 anos de idade, me mudei para a cidade de São Paulo, fiz o curso de Direito na Universidade Presbiteriana Mackenzie e, desde o início do curso, já tinha certeza de que gostaria de fazer a diferença na vida das pessoas.
Fiz pós-graduação em Direito Constitucional com ênfase em Direitos Humanos pela Faculdade Autônoma de Direito de São Paulo e especialização em atendimento a crianças e adolescentes em situação de violência pela Universidade Federal de Goiás. Ingressei na carreira de delegada de polícia da Polícia Civil do Estado de São Paulo. Desde o início da minha trajetória, a área da segurança sempre foi meu foco e minha paixão.

2. Quais foram os maiores desafios de sua carreira na Polícia Civil? Que experiências marcaram sua visão sobre justiça, segurança e proteção das pessoas?
Resposta:
Ser delegada de polícia é um desafio diário. Ali, nós, delegados, somos os primeiros garantidores da justiça. A minha experiência de nove anos atuando nas duas maiores Delegacias de Polícia de Defesa da Mulher de São Paulo, a 6ª DDM – Santo Amaro e a 4ª DDM – Norte, moldou a profissional que sou hoje.
Cada mulher atendida, orientada e consciente de seus direitos foi uma vitória. Cada criança atendida e retirada de um ciclo de violência física, sexual, psicológica ou moral foi uma infância salva.
Atendi casos de repercussão, como o de um famoso jogador de futebol acusado de estupro. Fui imparcial, investiguei, colhi provas e demonstrei que fazer justiça é estar ao lado da lei. Também investiguei um caso de estupro envolvendo um cantor de pagode que, após a investigação, foi condenado.
Atendi casos de crianças estupradas por familiares (pai, avô, tio), por pessoas que tinham o dever de protegê-las. Comandei também uma megaoperação na cidade de São Paulo no combate à pedofilia, com 50 mandados de busca e apreensão e diversas prisões realizadas. A minha atuação na 5ª Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Criança e o Adolescente (DHPP), responsável pela investigação de homicídios contra crianças e adolescentes, trouxe outra perspectiva de vida e, principalmente, profissional.
Antes de assumir como secretária municipal de Segurança Urbana na cidade de São Paulo, também atuei por mais de três anos na coordenação de políticas públicas voltadas a pessoas em situação de vulnerabilidade na Polícia Civil do Estado de São Paulo, por meio da Delegacia Geral de Polícia Adjunta. Lá, pude auxiliar na implantação da parceria com a Secretaria de Estado da Pessoa com Deficiência (SEDPcD), no atendimento a pessoas surdas nas delegacias, por meio do programa São Paulo São Libras.
Também participei ativamente do desenvolvimento de políticas para pessoas desaparecidas, crianças e adolescentes, como a escuta humanizada por meio do depoimento especial em sede policial, entre outras iniciativas.

3. O que aprendeu em sua atuação na Delegacia de Defesa da Mulher e como isso influencia as políticas municipais de proteção às mulheres?
Resposta:
Quando assumi a Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU), pude conhecer mais de perto o programa municipal Guardiã Maria da Penha, que completou 12 anos de existência e que não só fiscaliza as medidas protetivas dessas mulheres vítimas de violência doméstica, mas também as orienta, acolhe e encaminha para redes de proteção e apoio social, para que busquem uma qualificação profissional, encontrem apoio emocional e se sintam fortalecidas para realmente romper esse ciclo.
No nosso caso, nenhuma mulher atendida pelo programa Guardiã Maria da Penha foi vítima de feminicídio. Isso comprova que essa é uma política pública municipal, aqui da cidade de São Paulo, que vem dando muito certo.

4. Como surgiu o convite para assumir a Secretaria? Quais prioridades estabeleceu e que mudanças considera mais importantes até agora?
Resposta:
O convite partiu pessoalmente do nosso prefeito Ricardo Nunes. Conheci o prefeito quando atuava como delegada de polícia na 6ª Delegacia de Defesa da Mulher de Santo Amaro. Foi por volta de 2013 ou 2014, não me recordo ao certo.
Ele era vereador à época, e eu era a única delegada de polícia titular da 6ª DDM. Eu tinha somente três escrivães de polícia, um acervo cartorário muito extenso, e a delegacia era a maior de defesa da mulher da cidade de São Paulo, responsável pelo atendimento de 4 milhões de pessoas.
Então, em busca de parcerias e de melhorar o atendimento dessas mulheres, conheci o nosso prefeito e pedi ajuda para verificar a possibilidade de melhorar a estrutura da delegacia, disponibilizando assistente social e psicólogo para auxiliar no atendimento dessas mulheres. A partir da articulação dele, conseguimos uma parceria com uma faculdade para firmar um contrato de estágio.

E aí eu lembro que falei para ele, que era vereador na época: “Pelo senhor ser político, não pode aparecer. Terá que ser algo direto da Delegacia de Polícia com a faculdade, para que a gente possa oferecer atendimento de serviço social dentro da delegacia”. E aí uma frase me marcou muito, que ele falou assim: “Tudo bem, Juliana. Eu tô fazendo isso para ajudar as mulheres vítimas de violência doméstica”.
Aquilo me trouxe uma admiração ainda maior, porque a violência contra a mulher é um tema realmente muito sensível e, do ponto de vista político, ele poderia ter usado essa pauta para ganhar visibilidade, mas, em nenhum momento, fez isso. Ele realmente queria ajudar e ajudou muito.
O atendimento na delegacia melhorou muito. Em abril de 2026, buscando dar ainda mais ênfase à proteção das mulheres, ele me convidou para ser a secretária municipal de Segurança Urbana de São Paulo. Eu fiquei muito feliz com esse desafio e por saber que posso fazer a diferença, tendo um gestor que sabe ouvir, que investe em segurança e que vem revolucionando a cidade de São Paulo no quesito segurança e em muitos outros.
A prioridade agora é o enfrentamento da violência contra a mulher, mas também a segurança da cidade de São Paulo, os investimentos na GCM, a capacitação dos nossos policiais municipais e a tecnologia.
A gente vê o quanto a tecnologia, com o Smart Sampa, o maior sistema de videomonitoramento da América Latina, faz a diferença e potencializa a atuação da nossa polícia, trazendo ainda mais segurança para a cidade de São Paulo.

5. O Smart Sampa alcançou 50 mil câmeras conectadas em 2026. Quais resultados considera mais significativos e como o programa poderá evoluir?
Resposta:
O Programa Smart Sampa demonstra, na prática, o conceito de cidades inteligentes em diferentes áreas de atuação, contribuindo para uma São Paulo mais resiliente e já apresentando resultados expressivos desde sua criação.
São 50 mil câmeras, das quais 20 mil são próprias e 30 mil são integradas de terceiros, distribuídas pelas cinco regiões da cidade, incluindo câmeras com reconhecimento facial e leitura de placas veiculares, além da integração com ônibus e outros recursos tecnológicos.
Até setembro de 2026, o programa havia contribuído para a localização de 273 pessoas desaparecidas e a prisão de 3.573 foragidos da Justiça por meio do reconhecimento facial. Também foram registradas 3.643 ocorrências envolvendo veículos roubados, furtados, adulterados ou apreendidos por outras irregularidades.
O próximo passo é avançar na integração de bases de dados e no aprimoramento da capacidade de resposta das equipes em campo, fortalecendo a atuação conjunta com as forças de segurança e ampliando o uso da tecnologia na prevenção e no enfrentamento da criminalidade.
Sempre gosto de incentivar as pessoas a baixarem também o Smart Sampa Cidadão, um aplicativo gratuito para Android e iOS que incorpora os cidadãos à rede de inteligência que já auxilia diariamente as forças de segurança na capital, por meio do Smart Sampa.
De forma simplificada, o usuário realiza um cadastro e faz login. A partir daí, pode apontar a câmera do celular para a placa de um veículo, e o sistema consulta automaticamente as bases de dados integradas. Caso seja identificada alguma restrição, a ocorrência é encaminhada para análise da Central Smart Sampa. Após a validação pelas equipes técnicas, alertas são emitidos para as forças de segurança responsáveis pelo atendimento da ocorrência.
Mesmo que exija cadastro para utilização, a participação ocorre de forma protegida, e o cidadão não recebe informações sobre a natureza da restrição identificada nem tem sua identidade exposta às equipes operacionais ou às pessoas envolvidas na ocorrência. É uma maneira segura de os cidadãos de São Paulo contribuírem de forma efetiva para a rede integrada do Smart Sampa.

6. Como a Secretaria utiliza inteligência artificial, reconhecimento facial e análise de imagens? Quais salvaguardas protegem dados pessoais, transparência e prevenção de identificações equivocadas?
Resposta:
O Smart Sampa utiliza tecnologia de análise de imagens, reconhecimento facial e leitura de placas veiculares para auxiliar na localização de foragidos da Justiça, na identificação de veículos com restrições e na localização de pessoas desaparecidas.
O programa tem como objetivo transformar informações em respostas mais rápidas e direcionadas.
Os equipamentos foram instalados no entorno de equipamentos municipais, como escolas, unidades básicas de saúde e parques, bem como em áreas de grande circulação e com maior incidência de criminalidade, nas entradas e saídas do município e em alguns ônibus elétricos. Essa é a visão do prefeito Ricardo Nunes, um entusiasta dessa tecnologia, que nos incentiva a expandi-la ainda mais.
Em relação às salvaguardas para a proteção de dados pessoais, à transparência, à revisão de possíveis correspondências equivocadas e à responsabilização pelo uso das ferramentas, é importante esclarecer que o Programa Smart Sampa não estrutura banco de dados próprio nem armazena dados pessoais, conforme o protocolo desenvolvido para garantir a segurança operacional, a preservação da privacidade dos dados pessoais e o respeito às diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados.
Sobre possíveis ocorrências equivocadas, somente após a identificação de compatibilidade facial superior a 92% o sistema realiza consulta às informações constantes no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP), acessando apenas os dados estritamente necessários à validação da ocorrência.
Já com relação à transparência, são divulgados relatórios públicos de transparência do Programa Smart Sampa. Atualmente, estamos na terceira edição e buscamos sempre aprimorar os resultados, adotar novas iniciativas e promover, de forma constante, a proteção dos direitos fundamentais e a melhoria dos serviços prestados à população.

7. Quais investimentos estão sendo realizados na formação, valorização, contratação e modernização da GCM? Como essas medidas melhoram o atendimento nos bairros?
Resposta:
A Prefeitura de São Paulo vem investindo na ampliação e na valorização da Guarda Civil Metropolitana, na modernização de sua estrutura e no aprimoramento da formação profissional.
Neste ano, foi publicado um novo concurso público para a GCM, que registrou mais de 19 mil inscritos. Todas as 32 Inspetorias Regionais receberam melhorias, e sete unidades estão em reforma.
Na formação, destaco a estruturação da Academia de Ensino e Pesquisa em Segurança Urbana (AEPSU).
A gestão do prefeito Ricardo Nunes é muito preocupada com a área da segurança pública e entregou 613 novas viaturas, além de ampliar a frota de motocicletas para 270 unidades.
Essas iniciativas contribuem para fortalecer a capacidade operacional da GCM, aprimorar as condições de trabalho dos agentes e ampliar os recursos disponíveis para o policiamento preventivo. Todos esses investimentos fazem com que tenhamos uma GCM mais capacitada e em constante aprimoramento, trabalhando nas ruas pela segurança dos paulistanos.
8. Como o uso de drones auxilia o patrulhamento, emergências e prevenção de riscos? Que outras inovações estão previstas?
Resposta:
A Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU) lançou, em maio de 2017, o programa DRONEPOL, pioneiro na gestão pública brasileira, com a finalidade de reforçar as operações da Guarda Civil Metropolitana e da Defesa Civil, monitorando áreas de risco, invasões ambientais e locais com grande aglomeração de pessoas, além de auxiliar no combate à criminalidade.
São 862 guardas civis metropolitanos formados em operações com drones. Além disso, a Guarda Civil Metropolitana já formou mais de seiscentos agentes externos, de diversas forças policiais, incluindo integrantes da Polícia Federal e até da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência).
Entre essas operações, destacam-se diversas ações voltadas ao combate a bailes funk, fornecendo informações às equipes da GCM em terra. O DRONEPOL também teve atuação importante na região da antiga Cracolândia, identificando áreas e locais para intervenções mais precisas da Guarda Civil Metropolitana (GCM). Além disso, as aeronaves auxiliaram o Corpo de Bombeiros em ocorrências de incêndio e a GCM Ambiental no mapeamento de áreas de proteção.
Nosso principal objetivo é seguir qualificando a GCM e ampliando a atuação do programa DRONEPOL, buscando sempre alinhar o uso da tecnologia à capacidade humana para ampliar a segurança na cidade de São Paulo.
9. Como mulher, delegada e gestora pública, que mensagem de confiança, coragem, respeito e participação cidadã gostaria de transmitir às famílias, aos jovens e às mulheres de São Paulo?
Resposta:
A mensagem que gostaria de deixar é que ninguém deve ter medo de ocupar seu espaço. Como mulher e gestora pública, acredito que a coragem não significa não ter medo, mas seguir em frente, com responsabilidade e confiança. O respeito, o diálogo e o cuidado são fundamentais para construirmos uma sociedade mais segura e justa.
A segurança também se constrói com participação, solidariedade e respeito. Quando cada cidadão entende que faz parte dessa construção, todos ganham. Uma São Paulo melhor começa quando acreditamos que cada pessoa tem valor, voz e a capacidade de transformar a própria realidade.
São Paulo TV Broadcasting — Diretoria de Jornalismo
Série Especial: Secretários da Nossa Cidade de São Paulo

