
Operação Contenção passa ser a mais letal da história do Rio após a morte de 4 policiais e de outras 60 pessoas
Da redação da São Paulo TV com informações do UOL
A megaoperação realizada pelas forças de segurança do Rio de Janeiro nos complexos do Alemão e da Penha, nesta terça-feira (28), resultou na morte de 60 pessoas e de 4 policiais, sendo dois militares e dois civis, além da prisão de mais de 80 suspeitos de integrar o Comando Vermelho.

Entre os mortos, estão lideranças da facção em outros estados que estavam refugiados na região. Outras nove pessoas foram baleadas, sendo três moradores e seis agentes, quatro civis e dois militares.
Já entre os presos está, segundo a polícia, Thiago do Nascimento Mendes, o “Belão do Quitungo”, homem de confiança de Doca, um dos líderes do CV nas ruas.
Estes números tornaram a operação policial desta terça-feira (28) a mais letal da história do Rio de Janeiro, superando a ação realizada em 6 de maio de 2021 na favela do Jacarezinho, quando 28 pessoas foram mortas.
Policiais mortos
Dois dos quatro policiais mortos eram sargentos do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE).
O primeiro foi identificado pela corporação como o Cleiton Serafim Gonçalves, 42, ferido no abdômen, e o segundo era Heber Carvalho da Fonseca, 39.
Os dois foram atingidos durante operação no Complexo do Alemão. Eles chegaram a ser levados para o Hospital Getúlio Vargas, mas não resistiram e morreram.

Gonçalves deixa uma esposa e filha, enquanto Fonseca deixa a companheira e filhos.
Operação Contenção
A ação policial desta terça-feira, batizada de Operação Contenção, mobilizou 2,5 mil policiais militares e civis para cumprir mandados de busca e apreensão nos Complexos do Alemão e da Penha, na capital fluminense.
A incursão, que envolveu o Ministério Público do Rio, é resultado de um ano de investigação e busca desarticular lideranças do Comando Vermelho.
Durante a ação, foram apreendidos mais de 90 fuzis, além de rádios comunicadores. Também foram apreendidos, segundo divulgado pelo governo fluminense, mais de 200 kg de drogas.
De acordo com a Polícia Civil do Rio e a Secretaria de Segurança Pública, os criminosos reagiram à operação com troca de tiros e homens armados utilizaram drones para atacar os agentes.
As forças policiais contaram com o apoio de dois helicópteros, 32 veículos blindados e 12 carros de destruição, além de drones e ambulâncias.
A operação foi planejada há 60 dias e conta com policiais das forças especiais. Além de policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes e do Departamento de Combate à Lavagem de Dinheiro, agentes do Comando de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro também atuam.

Castro fala integração com forças federais
O governador do rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), disse que essa foi a maior operação da história do Rio de Janeiro, envolvendo milhares de policiais, aparato de guerra e mais de dois meses de treinamento.
“Já era para ter integração com as forças federais. O Brasil viu no Rio um trabalho de integração no passado e agora o Rio está sozinho. O Rio está sozinho nessa guerra. É fácil criticar o governador quando o estado está excedendo sua competência, mas se tiver que exceder, excederemos mais ainda para proteger a população”, reclamou Castro.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública rebateu Castro e diz que pedidos do RJ foram atendidos.
Em nota, a pasta afirmou que, desde 2023, acatou todas as 11 solicitações de renovação da Força Nacional de

Segurança Pública no território fluminense.
Também citou a realização de operações conjuntas da Polícia Federal com as polícias estaduais e o envio de recursos do governo federal para investir no sistema penitenciário e na segurança pública.
Reflexos na rotina do carioca
Moradores registraram fumaça em comunidades durante a operação. Vídeos nas redes sociais mostravam intensos tiroteios e dezenas de viaturas pelas ruas.
Dezenas de escolas tiveram que ser fechadas durante a operação. Na região do Complexo do Alemão, 29 escolas foram impactadas e no Complexo da Penha, 17, segundo informações da Secretaria Municipal de

Educação do Rio de Janeiro.
Seis unidades de atenção primária de saúde tiveram as atividades suspensas. Outras quatro unidades mantêm funcionamento, mas sem atividades externas e visitar domiciliares.
Vias expressas foram interditadas, incluindo a Av. Brasil. O Centro de Operações e Resiliência (COR) da Prefeitura do Rio divulgou que vias no entorno dos complexos do Alemão, Penha, Chapadão, São Francisco Xavier, na Zona Norte, Freguesia (Jacarepaguá) e Taquara, na Zona Sudoeste, tiveram interdições temporárias.
Mais de 100 linhas de ônibus tiveram os itinerários alterados na capital. De acordo com a MOBI-Rio, os corredores Transbrasil e Transcarioca do BRT, além dos serviços de conexão do BRT, foram impactados pelas ocorrências.
