
Não nos iludamos
*José Renato Nalini
O aquecimento global é uma realidade incontornável. A ciência avança e comprova que o fenômeno El Niño já foi muito forte entre 2014-2016, também no biênio 2023-2024, mas será ainda mais intenso entre 2026 e 2027.
Entre setembro e novembro, ele provocará incêndios e ondas de calor em nossa região. Nossa cidade, que foi impermeabilizada no decorrer dos séculos, para servir mais ao automóvel do que às pessoas, é, toda ela, um território crítico. As vítimas preferenciais são crianças, idosos e carentes. Aqueles que não têm moradia digna. E pensar que há muitos seres humanos sem teto.
A Prefeitura de São Paulo cuida de amenizar os efeitos cruéis desses eventos que não podem ser chamados “naturais”. Eles derivam de nossa insensibilidade, de nossa negligência e de nossa ignorância. Incrível que ainda haja negacionismo, quando a natureza está com a palavra e, com todo o fundamento, se ressente do tratamento cruel que o bicho-homem a ela vem, sistematicamente, dispensando.
A capital dispõe, desde 2021, de um Plano de Ação Climática, de uma Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas e de um inegável ganho: o Orçamento Climático. Assim, tudo o que pode ser feito está sendo realizado. No âmbito da defesa civil e governança local, na questão sensível dos recursos hídricos, na hipótese de incêndios florestais, no setor saúde, segurança alimentar, proteção social e, também, nas obras e infraestrutura. Ou seja: todas as Secretarias, articuladas pela SECLIMA, estão atuando no sentido de se evitar mortes e amenizar a situação dos vulneráveis. O importante é não se iludir: o El Niño está aí e vai piorar muito as coisas. Talvez para demonstrar, ao negacionismo, que com o clima não se brinca.
Enquanto o Poder Público faz sua parte, a população não pode ficar alheia. Quem tiver condições, deve alertar os incautos de que as coisas vão acontecer e não há alternativa a não ser tomar providências, ter cautela e capacidade de reagir aos fenômenos extremos.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo

