
Grandes Advogados do Brasil – Carlos Miguel Castex Aidar: o advogado que ajudou a moldar o Direito Desportivo brasileiro e viveu os bastidores do poder no futebol, na advocacia e nas grandes instituições nacionais
Por Beatriz Ciglioni — São Paulo TV Broadcasting
Poucos personagens brasileiros conseguiram transitar com tanta intensidade entre o universo jurídico, esportivo, institucional e político quanto Carlos Miguel Castex Aidar.

Advogado, professor, jurista, dirigente esportivo, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo, ex-presidente do São Paulo Futebol Clube e um dos nomes mais influentes da estruturação do Direito Desportivo brasileiro moderno, Carlos Miguel Castex Aidar construiu uma trajetória marcada por protagonismo, articulação institucional e forte presença nos grandes debates nacionais ligados ao esporte, à advocacia e à organização das entidades brasileiras.

Sua história se mistura diretamente à transformação do futebol brasileiro em potência econômica, midiática e jurídica.
Mas também se conecta profundamente à evolução institucional da advocacia paulista nas últimas décadas.
Nascido em São Paulo em 25 de agosto de 1946, Carlos Miguel Castex Aidar cresceu em ambiente profundamente ligado ao futebol e às instituições paulistas.

Filho de Henri Aidar, tradicional dirigente de origem libanesa e figura histórica do São Paulo Futebol Clube, Aidar desde cedo conviveu com bastidores administrativos, políticos e esportivos do futebol brasileiro.
Mas sua formação caminharia também pela sólida tradição jurídica paulista.
Graduou-se pela tradicional Universidade Presbiteriana Mackenzie e posteriormente especializou-se em Direito Processual Civil pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

A combinação entre Direito e esporte acabaria definindo toda sua trajetória profissional.
Ao longo da carreira, tornou-se um dos principais nomes do Direito Desportivo brasileiro, em um período em que o esporte passava por profundas transformações econômicas, contratuais e institucionais.
Sua atuação ajudou a estruturar juridicamente um setor que começava a abandonar o amadorismo administrativo para ingressar definitivamente na lógica empresarial e profissional.
No ambiente acadêmico, Aidar também construiu trajetória relevante.
Foi professor de Direito Desportivo na Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie e professor de Direito Processual Civil na PUC-SP, contribuindo diretamente para a formação de novas gerações de advogados e especialistas.
Sua produção intelectual teve papel importante na consolidação do Direito Desportivo como área jurídica autônoma no Brasil.
Autor do livro Curso de Direito Desportivo, publicado pela Editora Ícone, Carlos Miguel Aidar ajudou a organizar conceitos, fundamentos e estruturas jurídicas de um segmento que ganhava importância crescente no país.
Além da obra, coordenou livros especializados, escreveu artigos e publicou capítulos em obras nacionais e internacionais voltadas ao Direito Desportivo, arbitragem e relações esportivas.
Seu nome tornou-se fortemente associado à modernização jurídica do futebol brasileiro.
Aidar integrou a Comissão de Estudos Jurídicos Desportivos do Ministério do Esporte e participou diretamente da elaboração do anteprojeto da chamada Lei Pelé — uma das legislações mais importantes da história do esporte brasileiro.

A Lei Pelé representou uma ruptura estrutural no futebol nacional ao modificar profundamente relações trabalhistas, direitos econômicos, contratos esportivos e modelos de gestão dos clubes.
Sua participação nesse processo consolidou sua posição como um dos juristas mais influentes do Direito Desportivo brasileiro contemporâneo.
Também foi cofundador da Associação Brasileira de Arbitragem, ampliando sua atuação no fortalecimento de métodos alternativos de resolução de conflitos.

Mas sua trajetória ultrapassaria o universo jurídico.
Muito jovem, aos 37 anos, Carlos Miguel Castex Aidar assumiu a presidência do São Paulo Futebol Clube, tornando-se o mais jovem presidente da história do clube até então.
Sua primeira gestão ocorreu entre 1984 e 1988, período de profundas transformações no futebol brasileiro.
Foi justamente nessa época que ajudou a idealizar, fundar e presidir o histórico Clube dos 13, entidade criada para reunir os principais clubes do futebol nacional em busca de maior autonomia econômica e administrativa.
O Clube dos 13 tornou-se um dos movimentos mais relevantes da história política do futebol brasileiro.
A entidade teve papel central na organização da Copa União de 1987 — campeonato que permanece até hoje como um dos episódios mais debatidos do futebol nacional.
Carlos Miguel Aidar tornou-se um dos principais defensores do reconhecimento do Clube de Regatas do Flamengo como campeão brasileiro daquela competição, posicionamento que lhe deu enorme projeção nacional.
Ao final de seu segundo mandato no São Paulo Futebol Clube, assumiu a presidência do Conselho Deliberativo do clube entre 1988 e 1990 e teve papel importante na consolidação política de nomes históricos da administração são-paulina, incluindo Juvenal Juvêncio.
Décadas depois retornaria ao comando do São Paulo Futebol Clube.
Em 2014 voltou à presidência da instituição para novo mandato no triênio 2014-2017.
Sua gestão, porém, acabaria marcada por intensas turbulências políticas e administrativas.
Em 2015 renunciou ao cargo após crise interna envolvendo denúncias e forte desgaste institucional.
O episódio ganhou enorme repercussão nacional e se transformou em um dos momentos mais delicados da história administrativa recente do clube.
Mesmo em meio às controvérsias, Aidar permaneceu como figura histórica e influente do futebol brasileiro e do Direito Desportivo nacional.
Sua carreira jurídica também seguiu ativa.
Em 2016 fundou o escritório Aidar Advogados, após trajetória em importantes bancas jurídicas como Aidar SBZ Advogados, Felsberg, Pedretti, Mannrich e Aidar – Advogados e Consultores Legais e Advocacia Aidar-Mariz.
Atualmente mantém atuação institucional ligada à advocacia brasileira e internacional.
É membro da OAB nas seccionais de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, além de integrar entidades como:
- Associação dos Advogados de São Paulo;
- Instituto dos Advogados de São Paulo;
- Union Internationale des Avocats;
- International Sports Law.
Entre 2001 e 2003 presidiu a OAB-SP, uma das instituições mais influentes da advocacia brasileira.
Sua passagem pela entidade ocorreu em período importante da redemocratização institucional brasileira, marcado por debates ligados às garantias constitucionais, fortalecimento das prerrogativas da advocacia e papel das instituições jurídicas no país.
Ao longo de décadas, Carlos Miguel Castex Aidar tornou-se personagem singular da vida pública brasileira.
Poucos nomes conseguiram reunir simultaneamente protagonismo jurídico, influência esportiva, atuação acadêmica e forte presença institucional.
Sua trajetória também revela as complexas relações entre futebol, poder, Direito e sociedade no Brasil contemporâneo.
Mais do que advogado ou dirigente esportivo, Aidar tornou-se um dos personagens centrais da profissionalização jurídica do esporte brasileiro.
Sua história ajuda a compreender como o futebol deixou de ser apenas paixão popular para transformar-se em uma das estruturas econômicas, jurídicas e políticas mais poderosas do país.
A série “Grandes Advogados do Brasil”, da São Paulo TV Broadcasting, segue homenageando profissionais cuja trajetória ajudou a construir os fundamentos jurídicos, institucionais e humanos do Brasil contemporâneo.
