
ELEIÇÕES 2026: o Brasil entra na fase decisiva da disputa pelo poder
Análise de Dr. Luciano Caparroz Santos, jurídico da São Paulo TV Broadcasting, traça panorama da corrida presidencial e das principais disputas estaduais do país
Por Dr. Luciano Caparroz Santos
Análise Política — São Paulo TV Broadcasting foto publicada no jornal o Estado de São Paulo Combo – Presidenciáveis – Candidatos a Presidente – Lula, Flávio Bolsonaro, Caiado, Zema e Renan Santos. Fotos: Wilton Junior, Tiago Queiroz, Wilton Junior, MBL e Taba Benedicto Foto: Wilton Junior
A eleição de 2026 entrou definitivamente em sua fase decisiva. Com as candidaturas registradas e a campanha nas ruas, o Brasil começa a desenhar não apenas quem poderá ocupar o Palácio do Planalto pelos próximos quatro anos, mas também qual será a nova correlação de forças nos estados, no Congresso Nacional e, consequentemente, na relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário.
Mais de 155 milhões de brasileiros estão aptos a participar de uma eleição que escolherá presidente da República, governadores, dois senadores por unidade da Federação, deputados federais, estaduais e distritais. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro, e eventual segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.
Para compreender 2026, porém, não basta observar apenas a corrida presidencial. As eleições estaduais terão influência direta sobre o resultado nacional.

A PRESIDÊNCIA: LULA E FLÁVIO BOLSONARO NO CENTRO DA DISPUTA
A sucessão presidencial apresenta uma disputa polarizada, embora exista um conjunto maior de candidaturas tentando romper essa concentração de votos.
Entre os nomes oficialmente colocados na corrida estão Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição; Flávio Bolsonaro (PL); Augusto Cury (Avante); Ronaldo Caiado; Romeu Zema; Renan Santos, além de outros candidatos registrados. Ao todo, a disputa presidencial reúne 13 candidaturas.
A fotografia eleitoral deste final de agosto mostra Lula e Flávio Bolsonaro ocupando as duas principais posições, mas também apresenta um dado novo: o crescimento de Augusto Cury.
Pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada nesta segunda-feira, 31 de agosto, registrou Lula com 39%, Flávio Bolsonaro com 33% e Augusto Cury com 11% no cenário estimulado de primeiro turno. O levantamento ouviu 2.005 eleitores entre 28 e 30 de agosto e está registrado no TSE sob o número BR-08900/2026.
Isso demonstra que, embora a polarização continue sendo a principal característica da eleição presidencial, existe espaço eleitoral sendo disputado fora dos dois grandes polos.
Outro elemento importante está nos três maiores colégios eleitorais brasileiros — São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Pesquisas recentes mostram Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados nesses estados, aumentando ainda mais a importância das campanhas regionais e dos candidatos aos governos estaduais.
SÃO PAULO: TARCÍSIO BUSCA A REELEIÇÃO
No maior colégio eleitoral do Brasil, a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes volta a colocar frente a frente dois personagens conhecidos do eleitor paulista.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disputa a reeleição tendo Fernando Haddad (PT) como principal adversário. Também participam da disputa Carlos Machado (PCB), Izadora Dias (PCO), Policial Edjane (Agir) e Vera Lúcia (PSTU).
São Paulo será um dos principais campos de batalha de 2026.
A força eleitoral de Tarcísio interessa diretamente ao campo político de oposição ao governo federal, enquanto o desempenho de Haddad poderá ser decisivo para ampliar o palanque de Lula no maior eleitorado brasileiro.
A eleição paulista, portanto, ultrapassa as fronteiras estaduais. Seu resultado terá impacto sobre a reorganização nacional das forças políticas a partir de 2027.
RIO DE JANEIRO: EDUARDO PAES PARTE NA FRENTE
No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) aparece como principal força na corrida estadual.
Pesquisa Quaest divulgada recentemente mostrou Paes com 37%, seguido por Douglas Ruas, com 14%, e Anthony Garotinho, com 7%. Outro levantamento já havia mostrado Paes chegando a 48% em determinado cenário.
O Rio possui peso estratégico adicional porque é também uma das bases eleitorais mais importantes da família Bolsonaro.
Por isso, a eleição fluminense poderá produzir um fenômeno interessante: o eleitor pode fazer escolhas diferentes para governador e presidente, reduzindo a transferência automática de votos entre candidaturas estaduais e nacionais.
MINAS GERAIS: O ESTADO QUE TODOS QUEREM CONQUISTAR
Minas Gerais permanece fundamental para qualquer projeto presidencial.
O estado apresenta uma das disputas estaduais mais fragmentadas do país. Após as convenções partidárias, foram oficializadas 11 candidaturas ao governo mineiro.
Entre os nomes de maior projeção estão Cleitinho, Alexandre Kalil, Mateus Simões e outros candidatos que buscam ocupar o espaço político deixado pela sucessão estadual.
Pesquisas realizadas ao longo do processo eleitoral colocaram Cleitinho na liderança, embora a campanha ainda tenha espaço para mudanças importantes.
Historicamente, Minas funciona como uma espécie de termômetro nacional. Quem pretende vencer uma eleição presidencial dificilmente pode ignorar o eleitor mineiro.
PARANÁ: SERGIO MORO ENTRA NA DISPUTA
No Paraná, uma das candidaturas de maior repercussão nacional é a do senador Sergio Moro.
Também disputam o governo nomes como Requião Filho, Sandro Alex, Adriano Funileiro, Alexandre Salomão, Luiz França, Samuel de Mattos e Tayná Miessa.
O Paraná possui forte peso eleitoral no Sul e seu resultado será acompanhado de perto pelas campanhas presidenciais, principalmente pela capacidade do estado de fortalecer candidaturas identificadas com o campo de centro-direita e direita.
PERNAMBUCO: UMA DAS DISPUTAS MAIS IMPORTANTES DO NORDESTE
Pernambuco apresenta outro confronto com potencial de repercussão nacional.
A governadora Raquel Lyra (PSD) enfrenta uma disputa de grande intensidade política com João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife.
Além da dimensão administrativa, Pernambuco será observado pela capacidade dos grupos políticos de construir palanques para a eleição presidencial.
A campanha pernambucana também já chegou à Justiça Eleitoral, mostrando que 2026 será marcado não apenas pela disputa nas ruas e redes sociais, mas igualmente por uma intensa judicialização eleitoral.
BAHIA E CEARÁ: O NORDESTE CONTINUA ESTRATÉGICO
Bahia e Ceará permanecem entre os territórios mais importantes para o desempenho nacional do campo governista.
A Bahia possui enorme peso eleitoral e uma tradição recente de forte votação presidencial para o PT. O desafio da oposição será reduzir essa diferença, enquanto os aliados do governo federal procurarão preservar a vantagem construída nas eleições anteriores.
No Ceará ocorre dinâmica semelhante.
Para a eleição presidencial, portanto, não importa apenas vencer estados. Em muitos casos, reduzir a diferença eleitoral em territórios adversários pode ser tão importante quanto conquistar uma vitória local.
DISTRITO FEDERAL E CENTRO-OESTE
Brasília também apresenta uma eleição bastante fragmentada. Somente para o Governo do Distrito Federal foram registradas 11 candidaturas.
Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul completam um Centro-Oeste politicamente relevante, principalmente para candidaturas ligadas ao agronegócio, à segurança pública, ao liberalismo econômico e às forças de centro-direita.
É uma região que poderá fornecer vantagem importante para o candidato presidencial que conseguir consolidar esse eleitorado.
NORTE: ELEIÇÕES LOCAIS PODEM DEFINIR PALANQUES NACIONAIS
Pará e Amazonas são fundamentais para compreender a disputa na Região Norte.
No Amazonas, por exemplo, sete candidatos disputam o governo estadual.
Nos estados do Norte, alianças municipais, lideranças regionais, senadores e candidatos a governador possuem grande capacidade de mobilização. Em eleições equilibradas nacionalmente, essas estruturas estaduais passam a ter enorme importância.
OS GOVERNADORES PODEM DECIDIR A ELEIÇÃO PRESIDENCIAL
Talvez este seja um dos pontos mais importantes da eleição de 2026.
Uma análise recente das pesquisas estaduais indicou possibilidade de 19 estados definirem seus governadores já no primeiro turno.
Isso pode modificar completamente a dinâmica do segundo turno presidencial.
Quando uma eleição estadual termina no primeiro turno, parte da estrutura política daquele estado fica liberada para concentrar esforços exclusivamente na disputa presidencial.
Governadores eleitos, prefeitos aliados, deputados, candidatos derrotados e lideranças regionais tornam-se peças fundamentais na reorganização das alianças para as três semanas finais da campanha.
UMA ELEIÇÃO TAMBÉM JURÍDICA
Existe ainda uma característica que não pode ser ignorada: 2026 será uma eleição profundamente marcada pelo Direito Eleitoral.
Propaganda digital, inteligência artificial, deepfakes, impulsionamento de conteúdo, financiamento eleitoral, abuso de poder político e econômico, utilização da máquina pública, desinformação e direito de resposta colocarão a Justiça Eleitoral no centro de diversos conflitos.
A disputa não ocorrerá somente nos palanques.
Ela acontecerá simultaneamente nas ruas, na televisão, nas redes sociais e nos tribunais.
O candidato moderno precisa administrar não apenas sua comunicação política, mas também os riscos jurídicos produzidos por sua campanha, seus apoiadores e até por conteúdos publicados por terceiros.
O BRASIL DEPOIS DAS URNAS
A eleição de 2026 deverá produzir uma nova configuração de poder no país.
Não estaremos escolhendo apenas um presidente.
Estarão em disputa 27 governos estaduais, duas das três cadeiras do Senado em cada unidade da Federação e toda a Câmara dos Deputados, além das Assembleias Legislativas.
Segundo dados divulgados após o período de registros, 195 candidatos foram apresentados para disputar os governos dos 26 estados e do Distrito Federal.
Portanto, quando o brasileiro entrar na cabine de votação em 4 de outubro, estará ajudando a determinar muito mais do que o nome do próximo presidente.
Estará sendo definida a correlação de forças que governará o Brasil a partir de 2027.
A Presidência será o centro das atenções, naturalmente. Mas São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Bahia, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Sul, Goiás, Santa Catarina, Pará, Amazonas e o Distrito Federal ajudarão a construir o caminho que levará ao Palácio do Planalto.
E é justamente essa combinação entre a força nacional dos candidatos à Presidência e o poder regional dos candidatos aos governos estaduais que faz de 2026 uma das eleições mais estratégicas dos últimos anos.
Dr. Luciano Caparroz Santos
Análise Política e Jurídica
Jurídico da São Paulo TV Broadcasting
