
El Niño e São Paulo
*José Renato Nalini
O mundo percebeu que o aquecimento global provocou um El Niño mais forte e, portanto, mais violento. Não é diferente no Brasil. Desde julho, os efeitos do fenômeno derrubaram quase trezentas torres de energia. É a informação fornecida pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS.
A má notícia é que as tempestades vão piorar nos próximos meses. As chuvas fortes de ontem chegavam a ter ventos de 90 a 100 km por hora. Com o El Niño elas alcançam até 250 km/hora.
Enquanto se procura uma tecnologia de reforço das torres, a cidade de São Paulo sabe que é um território de risco e, portanto, intensifica as ações de seu PlanClima, o Plano de Ação Climática em vigência desde 2021. Um dos pontos altos é o Plano de Prevenção de Chuvas, que envolve quase todas as Secretarias Municipais, o Centro de Gerenciamento de Emergências, a Defesa Civil e as Polícias.
O importante é que a comunidade saiba que o fenômeno El Niño não depende de governo e que São Paulo é uma área vulnerável porque foi ocupada de maneira inadequada. Houve um adensamento exagerado. Uma conurbação que se transformou na maior cidade do Brasil. E toda ela impermeabilizada, sem solo suficiente para a infiltração da água da chuva, principalmente com as precipitações repentinas e excessivas dos temporais provocados pelo El Niño.
Ficar atento aos alertas, não se arriscar a sair quando se anunciou a vinda de tempestades, abrigar-se em lugar seguro, socorrer primeiramente as crianças e os idosos, tudo isso pode ser feito por qualquer pessoa, com vistas a poupar vidas.
Lembrar que não somos só nós os ameaçados. No dia 22 de agosto último, foi registrado o dia mais quente da história dos oceanos. Superou o recorde anterior, de março de 2024. É o maior registro desde 1979 e mostra que os oceanos estão sob um estresse cada vez maior. Águas mais quentes transferem calor e umidade para a atmosfera e isso multiplica os vendavais.
Importante é ter presente que tudo isso foi provocado pelo uso de combustíveis fósseis e pelo cruel desmatamento que ainda perdura.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

