
DIA DAS CRIANÇAS 2026 – A infância que tivemos, a infância que oferecemos: estamos criando crianças mais felizes ou apenas preparando adultos para um mundo mais difícil?
REPORTAGEM ESPECIAL | SÃO PAULO TV BROADCASTING
Uma viagem pelas décadas de 1970, 1980, 1990, 2000 e 2026 revela conquistas extraordinárias na saúde, na educação e nos direitos das crianças, mas também apresenta uma pergunta que toda família deveria fazer: em meio a tanta tecnologia, conforto e informação, estamos conseguindo ensinar nossos filhos a viver, amar, respeitar e ser felizes?
O maior presente que podemos oferecer a uma criança é uma infância
Há algo profundamente emocionante no sorriso de uma criança. É nele que encontramos a esperança de que a humanidade ainda pode fazer melhor. Uma criança não nasce conhecendo as divisões políticas, as disputas econômicas ou os preconceitos que os adultos carregam. Ela chega ao mundo precisando de alimento, proteção, carinho, atenção e, sobretudo, de alguém que lhe ensine a confiar na vida.
Neste 12 de outubro de 2026, quando o Brasil celebra o Dia das Crianças e o Dia de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, a São Paulo TV Broadcasting propõe uma reflexão que ultrapassa a troca de presentes e as comemorações familiares.
Que infância estamos oferecendo aos nossos filhos? Que adultos estamos ajudando a formar? E que Brasil receberá essas crianças daqui a vinte ou trinta anos?
Ser pai ou mãe nunca foi uma tarefa simples. Cada geração enfrentou seus próprios medos, limitações e desafios. Entretanto, existe uma responsabilidade que atravessa o tempo: preparar os filhos para o mundo sem retirar deles a alegria de descobrir a vida.
Criar uma criança não é apenas garantir que ela sobreviva, estude e encontre uma profissão. É ajudá-la a desenvolver caráter, sensibilidade, coragem, autonomia e a capacidade de reconhecer a humanidade nas outras pessoas.
Talvez essa seja a missão mais importante de uma família: ensinar que o sucesso não se mede somente pelo dinheiro conquistado, mas também pela pessoa que nos tornamos.

Uma viagem no tempo: como era ser criança em cada geração?
Anos 1970 — A infância das ruas, dos quintais e da imaginação
Muitas crianças brincavam de bola, pião, amarelinha, carrinho de rolimã e esconde-esconde. A televisão reunia a família, os brinquedos eram simples e a convivência com vizinhos fazia parte da rotina.
Mas a lembrança afetuosa não deve esconder a realidade: havia muito mais mortalidade infantil, pobreza, trabalho precoce, desigualdade educacional e pouca proteção legal contra determinadas formas de violência doméstica.
Anos 1980 — A geração da liberdade e das descobertas
Bicicletas, brincadeiras de rua, desenhos animados, videogames iniciais, álbuns de figurinhas e tardes com os amigos marcaram muitas infâncias.
Em 1988, a nova Constituição brasileira reconheceu a proteção integral da criança como prioridade absoluta. Foi um marco de transformação na maneira como o país deveria enxergar a infância.
Entretanto, a liberdade para brincar convivia com castigos físicos socialmente aceitos, riscos nas ruas e profundas diferenças entre as famílias.
Anos 1990 — A infância entre dois mundos
Era o tempo da televisão aberta, dos programas infantis, das locadoras, das fitas VHS, dos primeiros computadores domésticos e das brincadeiras que ainda ocupavam ruas e praças.
Em 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente mudou a legislação brasileira. Crianças e adolescentes passaram a ser reconhecidos expressamente como sujeitos de direitos.
A tecnologia começava a entrar nas casas, mas ainda não acompanhava a criança durante praticamente todo o dia.
Anos 2000 — A geração da transição digital
Computadores, internet, celulares, videogames e novas formas de entretenimento passaram a disputar espaço com as brincadeiras tradicionais.
As crianças ganharam novas oportunidades de aprendizado e comunicação. Ao mesmo tempo, aumentaram as preocupações com o tempo diante das telas, o consumo e a exposição a conteúdos inadequados.
A escola precisou começar a educar também para o ambiente digital.
2026 — A infância conectada, informada e desafiada
A criança de hoje pode conversar com familiares distantes por vídeo, aprender idiomas, acessar bibliotecas digitais, criar vídeos e utilizar ferramentas de inteligência artificial.
Mas também enfrenta riscos que gerações anteriores não conheciam nessa intensidade: cyberbullying, exploração digital, exposição excessiva, publicidade personalizada, comparações sociais e conteúdos produzidos para capturar sua atenção.
O grande desafio deixou de ser apenas oferecer informação. É ensinar a criança a compreender o que recebe e preservar sua saúde emocional.
O que os números mostram: o Brasil realmente melhorou?
Sim. Em aspectos fundamentais, a infância brasileira tornou-se significativamente mais protegida. A evolução da sobrevivência infantil é uma das maiores conquistas sociais do país.
Mortalidade infantil no Brasil, por mil nascidos vivos
0 por mil30 por mil60 por mil90 por mil120 por mil197019801991200020102024
- 1970: Mortes antes de completar 1 ano 97,6 por mil
- 1980: Mortes antes de completar 1 ano 69,1 por mil
- 1991: Mortes antes de completar 1 ano 45,1 por mil
- 2000: Mortes antes de completar 1 ano 29 por mil
- 2010: Mortes antes de completar 1 ano 17,2 por mil
- 2024: Mortes antes de completar 1 ano 12,3 por mil
Fontes: IBGE, séries históricas e Tábuas Completas de Mortalidade 2024. Os anos são referências selecionadas; não representam medição de felicidade.
Em 1970, aproximadamente 98 de cada mil nascidos vivos morriam antes de completar um ano. Em 2024, eram cerca de 12. Fontes: IBGE.
Agência de Notícias
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Esse avanço não aconteceu por acaso. Vacinação, pré-natal, aleitamento materno, ampliação dos serviços de saúde, melhor escolaridade e acesso ao saneamento ajudaram a salvar inúmeras vidas.
A sociedade brasileira conseguiu algo que merece ser celebrado: dar a muito mais crianças a possibilidade de crescer.
Mas sobreviver não significa necessariamente viver bem. E é aí que os desafios permanecem.
Segundo estudo do UNICEF publicado em janeiro de 2025, com dados de 2023, 28,8 milhões de crianças e adolescentes brasileiros, equivalentes a 55,9% da população de até 17 anos, enfrentavam alguma forma de pobreza multidimensional — conceito que considera privações de renda, educação, moradia, saneamento e outros direitos.
O número caiu em relação aos 34,3 milhões registrados em 2017, mas continua extremamente elevado.
UNICEF Global
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Pobreza multidimensional infantil
55,9%
Brasil, 2023
Insegurança alimentar infantil
36,9%
Brasil, 2023, segundo o estudo do UNICEF
São indicadores de anos anteriores, utilizados como referência disponível para a análise de 2026, e não estimativas novas para este ano.
O Brasil avançou, mas ainda não conseguiu oferecer condições dignas e equivalentes a todas as crianças. A infância de quem vive em uma residência confortável, com acesso à educação e alimentação adequada, continua muito diferente da infância de quem enfrenta fome, insegurança, violência ou ausência de serviços públicos.
O Estatuto da Criança e do Adolescente: quando a infância passou a ter voz na lei
A Constituição Federal de 1988, especialmente em seu artigo 227, estabeleceu a responsabilidade compartilhada da família, da sociedade e do Estado na proteção das crianças e dos adolescentes.
Dois anos depois, a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, instituiu o Estatuto da Criança e do Adolescente, conhecido como ECA.
Foi uma mudança profunda: a criança deixou de ser tratada juridicamente apenas como alguém submetido à autoridade dos adultos e passou a ser reconhecida como pessoa em desenvolvimento, titular de direitos próprios.
O Estatuto estabelece proteção à vida, saúde, educação, alimentação, dignidade, liberdade, convivência familiar e comunitária, além de mecanismos contra negligência, exploração e violência.
A legislação brasileira continuou evoluindo. Em 2024, a Lei nº 14.826 reconheceu a parentalidade positiva e o direito ao brincar como estratégias de prevenção à violência contra crianças.
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É importante compreender que educar com respeito não significa abandonar a autoridade dos pais.
Uma criança precisa de limites, responsabilidade, orientação e consequências proporcionais aos seus atos. Mas também precisa saber que não será humilhada, agredida ou privada de amor quando cometer um erro.
Autoridade não precisa ser medo. Disciplina não precisa ser violência. E carinho não significa ausência de limites.
O grande desafio do ECA, mais de três décadas depois de sua criação, não está somente em sua existência, mas na capacidade do poder público e da sociedade de transformar seus princípios em realidade cotidiana.
O mundo também mudou: a infância além das fronteiras brasileiras
A situação internacional apresenta contrastes igualmente profundos.
O relatório The State of the World’s Children 2025, do UNICEF, estima que 412 milhões de crianças vivam em extrema pobreza monetária no mundo, sobrevivendo com menos de três dólares por dia, conforme o critério utilizado no estudo.
O organismo internacional também alerta que conflitos armados, deslocamentos populacionais, mudanças climáticas e dificuldades de financiamento das políticas sociais ameaçam os avanços alcançados nas últimas décadas.
UNICEF Global
Enquanto algumas crianças crescem aprendendo programação e utilizando inteligência artificial, outras ainda lutam pelo direito de frequentar uma escola, receber atendimento médico ou beber água potável.
Em muitos países, as famílias enfrentam questões semelhantes às brasileiras: como equilibrar trabalho e convivência, proteger os filhos da violência, garantir uma boa educação e preservar o direito de brincar.
Em outros lugares, a prioridade continua sendo a própria sobrevivência.
Essa comparação revela uma verdade essencial: o progresso tecnológico da humanidade não se traduz automaticamente em justiça social.
O mundo possui mais conhecimento do que nunca para proteger suas crianças. Falta transformar esse conhecimento em oportunidades reais e acessíveis.
O que melhorou e o que ainda precisamos recuperar?
A comparação entre gerações não deve servir para escolher vencedores e perdedores. Ela precisa ajudar a compreender o que cada época ofereceu e aquilo que ainda podemos melhorar.
| Aspecto | Décadas de 1970 a 1990 | Infância em 2026 |
|---|---|---|
| Saúde | Mais mortes evitáveis e menor acesso a tratamentos | Mais prevenção, vacinação e recursos médicos |
| Educação | Menor acesso e oportunidades mais limitadas | Maior acesso à escola e ao conhecimento digital |
| Brincadeiras | Mais atividades presenciais e ao ar livre em muitos contextos | Mais opções digitais, mas risco de sedentarismo e isolamento |
| Família | Convivência comunitária marcante, com modelos frequentemente mais autoritários | Maior reconhecimento de diferentes configurações familiares e da importância do diálogo |
| Proteção | Menor reconhecimento de direitos e violência frequentemente naturalizada | Legislação mais abrangente, mas dificuldades de aplicação |
| Tecnologia | Informação limitada e comunicação mais lenta | Conhecimento acessível, com riscos de exposição e excesso de estímulos |
| Saúde emocional | Sofrimento psicológico frequentemente silenciado | Maior reconhecimento do tema, mas novos desafios de bem-estar |
Essas são tendências gerais, não características universais de todas as famílias ou épocas.
Talvez o maior erro seja acreditar que o passado foi inteiramente melhor ou que o presente representa automaticamente uma evolução em todas as dimensões.
Uma criança dos anos 1980 ou 1990 era mais feliz do que uma criança de 2026?
Essa é provavelmente a pergunta mais delicada desta reportagem.
Quem cresceu nos anos 1980 talvez se recorde da liberdade de andar de bicicleta, dos amigos reunidos na calçada, do cheiro do almoço da mãe, das férias na casa dos avós ou de uma partida de futebol que só terminava quando escurecia.
Quem viveu a infância nos anos 1990 pode lembrar das tardes diante da televisão, das primeiras experiências com videogames, das festas de aniversário simples e da expectativa de encontrar os amigos na escola.
Essas lembranças têm enorme valor emocional. Mas existe um fenômeno humano importante: a memória costuma selecionar acontecimentos marcantes, especialmente aqueles associados ao afeto.
Isso significa que a nostalgia não é uma medida científica de felicidade.
Uma criança dos anos 1980 poderia ter desfrutado de mais liberdade para brincar e, simultaneamente, ter convivido com castigos físicos, discriminação, dificuldades econômicas ou problemas que ninguém reconhecia como sofrimento psicológico.
Da mesma maneira, uma criança de 2026 pode ter acesso a excelentes escolas, medicamentos, informação e oportunidades extraordinárias, mas sentir solidão dentro de uma casa cheia de equipamentos eletrônicos.
Não existem dados comparáveis suficientes para afirmar que uma geração inteira foi mais feliz do que outra.
A felicidade infantil depende menos do ano em que uma criança nasceu e mais da qualidade das relações, da segurança, das oportunidades e do afeto que encontra durante seu desenvolvimento.
E há uma diferença que merece atenção: ter uma infância com menos recursos não significa necessariamente ter menos alegria; assim como possuir muitos bens não garante uma vida emocionalmente saudável.
A missão de ser pai: criar um filho é também aprender a ser humano
Ser pai é descobrir que existe alguém cuja felicidade pode se tornar mais importante do que a nossa própria.
É acompanhar os primeiros passos, as primeiras palavras, o primeiro dia de aula, as amizades, os sonhos e as decepções.
Mas também é compreender que os filhos crescem.
Um dia, aquela criança que segurava nossa mão para atravessar a rua começa a escolher seus próprios caminhos. E talvez esse seja um dos maiores desafios da paternidade: aprender a proteger sem aprisionar, orientar sem dominar e amar sem exigir que os filhos sejam uma extensão dos nossos desejos.
Os pais das décadas de 1970 e 1980, muitas vezes, aprenderam que educar era principalmente exigir obediência. As gerações seguintes passaram a discutir com mais intensidade a importância do diálogo, da escuta e do desenvolvimento emocional.
Nenhuma dessas experiências deve ser reduzida a uma caricatura.
A autoridade continua necessária. O respeito continua indispensável. Mas a compreensão de que crianças também possuem sentimentos, opiniões e necessidades próprias representa um avanço.
E a presença paterna merece especial atenção.
O pai não deve ser visto apenas como provedor financeiro. Sua participação no cuidado diário, na educação, nas tarefas domésticas e nas decisões familiares pode fortalecer os vínculos afetivos e contribuir para o desenvolvimento dos filhos.
A mesma responsabilidade se aplica às mães e a todos aqueles que assumem, com dedicação, o cuidado de uma criança — avós, responsáveis legais, famílias adotivas e outras configurações familiares.
Nem toda criança terá a oportunidade de crescer com pai e mãe presentes. Isso não determina seu destino. O que importa é que encontre adultos confiáveis, capazes de oferecer segurança, respeito e amor.
A verdadeira herança de um pai ou de uma mãe não está apenas no patrimônio que deixa, mas nos valores que consegue transmitir.
Que tipo de seres humanos estamos entregando ao futuro?
Essa pergunta deveria estar presente nas escolas, nos governos, nas empresas, nos meios de comunicação e, principalmente, dentro de nossas casas.
Estamos formando crianças capazes de pensar por si mesmas ou apenas de repetir aquilo que encontram nas redes sociais?
Estamos ensinando a importância de vencer ou também a dignidade de perder?
Estamos estimulando a solidariedade ou a competição permanente?
Estamos oferecendo ferramentas para que sejam profissionais bem-sucedidos, mas esquecendo de ensiná-las a cuidar das pessoas que amam?
O avanço da inteligência artificial acrescenta uma dimensão inédita a esse debate.
As crianças que hoje estão nos primeiros anos escolares provavelmente trabalharão em profissões transformadas pela automação e por tecnologias que ainda estão em desenvolvimento.
Elas precisarão de conhecimentos técnicos, criatividade, capacidade de adaptação e pensamento crítico.
Entretanto, talvez suas habilidades mais importantes continuem sendo profundamente humanas: empatia, honestidade, responsabilidade, cooperação e capacidade de conviver com as diferenças.
Uma sociedade pode formar excelentes especialistas e, ainda assim, fracassar se não conseguir formar cidadãos comprometidos com o bem comum.
A educação do futuro não deve escolher entre tecnologia e humanidade. Precisa reunir as duas.
O que deu certo para nós e merece ser transmitido?
Há experiências das gerações anteriores que não deveriam desaparecer.
O almoço de domingo em família. A conversa com os avós. O respeito aos professores. A amizade construída sem interesses. A alegria de conquistar alguma coisa depois de esperar. O aprendizado de dividir o que se tem.
São valores e experiências que não pertencem exclusivamente ao passado, mas que merecem espaço no presente.
Ao mesmo tempo, há comportamentos que precisamos deixar para trás: a violência utilizada como instrumento educativo, a humilhação, o preconceito, o silêncio diante dos abusos e a ideia de que demonstrar sentimentos representa fraqueza.
Não precisamos reconstruir a infância de 1980 para oferecer uma boa infância em 2026.
Precisamos recuperar o que havia de melhor na convivência humana e somar a isso as conquistas da ciência, da educação, da proteção legal e da tecnologia.
Uma criança pode aprender programação e também plantar uma árvore. Pode conversar com inteligência artificial e também ouvir uma história contada pelo avô. Pode jogar videogame e também conhecer a alegria de correr em uma praça.
Não são experiências incompatíveis.
O Brasil que desejamos entregar às crianças de hoje
O futuro da infância brasileira exige mais do que boas intenções.
É necessário assegurar educação de qualidade, atendimento médico, vacinação, alimentação adequada, saneamento básico, proteção contra a violência e oportunidades de desenvolvimento cultural e esportivo.
Também é fundamental oferecer condições para que pais e responsáveis possam trabalhar sem perder completamente o tempo de convivência familiar.
Uma política pública voltada à infância não deve ser medida apenas pelo número de escolas construídas ou de vagas abertas, embora esses indicadores sejam importantes.
Ela precisa considerar se as crianças estão aprendendo, se estão protegidas, se encontram apoio emocional, se conseguem brincar e se possuem perspectivas reais de construir uma vida digna.
Os avanços brasileiros demonstram que mudanças são possíveis. A redução histórica da mortalidade infantil e a ampliação dos direitos representam conquistas que não podem ser ignoradas.
O desafio agora é fazer com que essas conquistas alcancem todas as crianças, independentemente da renda familiar, da região onde vivem ou de suas condições de nascimento.
Uma mensagem aos pais, às mães e às crianças neste 12 de outubro
Talvez um pai ou uma mãe que esteja lendo esta reportagem se pergunte se conseguiu fazer tudo o que deveria pelos filhos.
A resposta provavelmente será não.
Nenhum pai consegue acertar sempre. Nenhuma mãe possui todas as respostas. Nenhuma família atravessa a vida sem dificuldades, preocupações, conflitos ou momentos de ausência.
Mas a infância não precisa de adultos perfeitos. Precisa de adultos comprometidos em amar, aprender, corrigir os próprios erros e estar presentes da melhor maneira possível.
Muitas vezes, aquilo que permanece na memória de uma criança não é o presente mais caro, a viagem mais distante ou a festa mais elaborada.
É a pessoa que a acolheu quando sentiu medo.
É quem acreditou nela quando fracassou.
É quem se sentou ao seu lado para conversar.
É quem pediu desculpas quando errou.
É quem ensinou que a vida pode ser difícil, mas que ninguém precisa enfrentá-la completamente sozinho.
Aos filhos, também cabe uma reflexão: seus pais e responsáveis são seres humanos, com histórias, limitações e dificuldades que nem sempre conseguiram explicar. Reconhecer seus esforços não significa ignorar erros, mas compreender que o amor familiar também pode amadurecer por meio do diálogo e do perdão, quando há respeito e segurança.
E à sociedade brasileira cabe uma obrigação que não pode ser transferida somente às famílias: nenhuma criança deveria perder sua infância por causa da fome, da violência, da exploração ou do abandono.
O futuro ainda pode ser melhor do que o passado
É possível que as crianças nascidas em 2026 vivam mais, tenham acesso a tratamentos médicos mais avançados, estudem com ferramentas extraordinárias e encontrem oportunidades que seus avós jamais imaginaram.
Mas o verdadeiro sucesso dessa geração não será medido apenas pela quantidade de tecnologia disponível.
Será medido pela capacidade de construir um mundo em que as pessoas sejam respeitadas, em que as famílias possam viver com dignidade e em que o desenvolvimento econômico caminhe ao lado da solidariedade.
Se conseguirmos oferecer às crianças de hoje a liberdade de brincar que marcou tantas lembranças do passado, a proteção conquistada pelas novas leis e o conhecimento proporcionado pela ciência, teremos condições de construir uma infância melhor do que aquela que conhecemos.
Não porque nossas gerações tenham fracassado.
Mas porque o sentido mais bonito da paternidade, da maternidade e da educação é justamente desejar que os filhos possam ir mais longe do que nós.
Que tenham menos medo, mais oportunidades, mais saúde, mais liberdade e mais amor.
E que, quando forem adultos e olharem para trás, possam dizer que a infância não foi apenas uma preparação para a vida.
Foi também uma das partes mais felizes dela.
Neste Dia das Crianças, que Nossa Senhora Aparecida inspire, para aqueles que compartilham dessa fé, a proteção, a esperança e o cuidado com as famílias brasileiras.
E que todos nós, independentemente de nossas crenças, possamos assumir um compromisso comum: fazer do Brasil um país onde cada criança tenha o direito de sonhar e a oportunidade de realizar seus sonhos.
Porque uma criança feliz não representa apenas uma bela lembrança de família.
Representa uma possibilidade concreta de construirmos uma humanidade melhor.
Feliz Dia das Crianças — 12 de outubro de 2026.
São Paulo TV Broadcasting — Especial Dia das Crianças 2026. Reportagem de reflexão e análise histórica. Fontes principais: IBGE, UNICEF, Constituição Federal de 1988, Estatuto da Criança e do Adolescente e legislação brasileira sobre parentalidade positiva. As comparações de experiências familiares entre gerações são análises qualitativas, não medições estatísticas de felicidade.
