
Coisa séria
*José Renato Nalini
Nós fomos abençoados com um território servido por grandes rios e por milhares de cursos d’água menores. Imprudentes, insensatos, quisemos “retificar” o trajeto original dos rios e os convertemos em canais mortos. Já não são rios vivos.
Além disso, enterramos os riachos e córregos, para oferecer o solo paulistano aos automóveis. Hoje, estes produzem 61% dos gases venenosos causadores do efeito estufa.
Consertar é muito mais caro e mais difícil do que preservar o ambiente. É preciso coragem e determinação e uma conscientização de toda a sociedade, para que não ocorra um colapso hídrico em São Paulo.
Não se pense que a maior cidade brasileira tem abundância de água. Seus reservatórios estão contaminados porque os afluentes lançam esgoto in natura de forma incessante. Nem os aquíferos estão liberados dessa carência. As chuvas agora são sempre inferiores à média histórica e o calor aumenta a cada ano. Por isso, é urgente que toda a população economize água, plante árvores e colabore com a verdadeira “ressurreição” dos riachos que foram sepultados para servir ao trânsito e que precisam ser redescobertos para fazer face à gravíssima crise hídrica que se avizinha a passos largos.
Plantar árvores é a tecnologia mais simples, eficaz e menos dispendiosa de que o Brasil dispõe. Árvores reduzem a força das precipitações e suas raízes abrem canais de escoamento no solo. O desmatamento gera efeito perverso: a água ganha força, forma correntezas e causa enchentes e inundações. Poupar água e favorecer a drenagem é dever de todos, não apenas do Poder Público.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas em São Paulo.

