
Ansiedade: o inimigo invisível que influencia decisões e redesenha comportamentos
Márcia Maria dos Reis
CRP: 05/29707 Psicóloga-Palestrante e Mentora de Gestão de Ansiedade site www.marciamr.com.br
A ansiedade não costuma ser percebida quando começa a agir. Ela não interrompe, não anuncia
e, na maior parte do tempo, não é identificada como protagonista. Ainda assim, está presente em
decisões impulsivas, na dificuldade de estabelecer limites e na antecipação constante de cenários
negativos.

Por isso, especialistas têm chamado a atenção para um fenômeno cada vez mais comum: a
atuação silenciosa da ansiedade na condução da vida cotidiana.
Um problema crescente e multifatorial
Dados recentes da Organização Mundial da Saúde apontam que os transtornos de ansiedade
estão entre as condições de saúde mental mais prevalentes no mundo. O Brasil, em especial,
figura entre os países com maiores índices.
Embora múltiplos fatores estejam envolvidos, há consenso de que o estilo de vida contemporâneo
exerce papel central. Excesso de estímulos, hiperconectividade, pressão por desempenho e
instabilidade emocional criam um ambiente propício para a ativação constante de mecanismos de
alerta.
Entre a proteção e o excesso
A ansiedade, em sua base, é uma resposta adaptativa. Ela prepara o organismo para lidar com
desafios e aumenta o estado de vigilância.
O problema surge quando esse sistema opera de forma contínua.
Nesse cenário, o que deveria proteger passa a interferir. O corpo permanece em alerta, a mente
acelera e a capacidade de avaliação mais racional tende a diminuir.
A leitura da psicanálise
Para Sigmund Freud, a ansiedade é um sinal psíquico relevante. Ela indica a presença de conflitos
internos, muitas vezes relacionados a exigências elevadas e tensões não elaboradas.
Uma visão ampliada
Na abordagem de Carl Gustav Jung, a ansiedade pode ser compreendida como um indicativo de
desalinhamento psicológico. Quando o indivíduo se distancia de aspectos essenciais de si mesmo,
a psique tende a produzir sinais de desconforto.

Impactos silenciosos no comportamento
Em muitos casos, a ansiedade aparece diluída em comportamentos cotidianos, como a
necessidade de responder imediatamente, a dificuldade de tolerar incertezas ou a tendência de
antecipar problemas.
A lógica do excesso de futuro
A ansiedade está diretamente relacionada à antecipação. Ao projetar cenários e reagir a eles como
se fossem concretos, o organismo entra em um ciclo de ativação constante.
Um olhar profissional
Márcia Maria dos Reis, psicóloga clínica (CRP 05-29707) e mentora na área de gestão da
ansiedade e regulação emocional, atua com foco na compreensão dos mecanismos que
sustentam o sofrimento psíquico no cotidiano profissional e pessoal.
Segundo a psicóloga, “a ansiedade não precisa ser eliminada para que a vida funcione melhor. O
ponto central é aprender a reconhecer quando ela está influenciando pensamentos e
comportamentos.”
