
Alckmin projeta entrada em vigor do acordo Mercosul–União Europeia no segundo semestre e reforça protagonismo do Brasil no comércio global
Redação São Paulo TV Broadcasting jornalista Bene Correa e Beatriz Ciglioni
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia deverá entrar em vigor já no segundo semestre, consolidando um dos mais relevantes marcos da política econômica e diplomática brasileira nas últimas décadas. A avaliação foi feita às vésperas da assinatura formal do tratado, que ocorrerá no Paraguai, país que exerce a presidência rotativa do bloco sul-americano.

O acordo entre Mercosul e União Europeia é considerado o maior tratado comercial já firmado entre dois blocos econômicos. Juntos, eles representam um mercado de aproximadamente 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto combinado estimado em cerca de US$ 22 trilhões. Na prática, o pacto estabelece regras modernas para o comércio internacional, amplia o acesso a mercados, reduz barreiras tarifárias e cria um ambiente de maior previsibilidade jurídica para empresas e investidores.
À frente do MDIC, Alckmin tem desempenhado papel central na articulação de uma agenda econômica orientada pela reindustrialização, pela ampliação das exportações e pelo fortalecimento da competitividade brasileira. Segundo o vice-presidente, o acordo não beneficia apenas grandes exportadores, mas toda a sociedade, ao estimular ganhos de eficiência, aumentar a concorrência e ampliar o acesso do consumidor a produtos de melhor qualidade e menor custo. Para ele, comércio exterior é sinônimo direto de geração de empregos e dinamização da economia.
O ministro destacou ainda que o entendimento deve impulsionar diferentes setores produtivos, com impactos positivos sobre o agronegócio, a indústria de transformação e o setor de serviços. A abertura de mercados europeus para produtos brasileiros ocorre de forma gradual e regulada, respeitando regras sanitárias, ambientais e trabalhistas, o que contribui para elevar o padrão da produção nacional e fortalecer cadeias produtivas estratégicas.
Alckmin também ressaltou o protagonismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na condução política das negociações. Segundo ele, foi a liderança presidencial que permitiu destravar impasses históricos e construir consenso entre os países envolvidos, mesmo em um contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, guerras regionais e recrudescimento do protecionismo. A expectativa do governo federal é que o Congresso Nacional aprove o projeto de ratificação ainda no primeiro semestre, permitindo a internalização do acordo e sua aplicação prática na segunda metade do ano.
Além dos efeitos econômicos, o vice-presidente atribui ao acordo um valor simbólico relevante. Para Alckmin, o tratado sinaliza ao mundo que o diálogo, a cooperação e o multilateralismo continuam sendo instrumentos eficazes para promover desenvolvimento e estabilidade. Em um cenário global fragmentado, o entendimento entre Mercosul e União Europeia reforça a credibilidade do Brasil como ator confiável e comprometido com regras internacionais.
No campo da política comercial internacional, Alckmin também tem adotado uma postura técnica e baseada em dados. Ao comentar o anúncio do presidente dos Estados Unidos sobre a possibilidade de aplicação de tarifas de 25% a países que mantêm relações comerciais com o Irã, o vice-presidente minimizou eventuais impactos sobre o Brasil. O comércio bilateral entre Brasil e Irã somou cerca de US$ 3 bilhões em 2025, com superávit aproximado de US$ 2,8 bilhões para o lado brasileiro, o que indica baixa exposição da economia nacional a esse tipo de medida.
Segundo o ministro, a estratégia brasileira está ancorada na diversificação de parceiros comerciais, na ampliação de acordos internacionais e no fortalecimento do mercado interno. Essa diretriz, conduzida pelo MDIC, busca reduzir vulnerabilidades externas e criar bases sólidas para o crescimento sustentável de longo prazo, alinhando política industrial, inovação tecnológica e inserção internacional.
Ao projetar a entrada em vigor do acordo Mercosul–União Europeia ainda neste ano, Geraldo Alckmin consolida sua atuação como uma das principais referências da política econômica do governo federal. Sua agenda combina experiência institucional, capacidade de diálogo e visão estratégica, reposicionando o Brasil no centro das grandes decisões do comércio global e reforçando o compromisso do país com desenvolvimento, emprego e competitividade no século XXI.
