
Alckmin avalia que eventual sanção dos EUA ao Irã tem impacto limitado sobre o Brasil e reforça estratégia de diversificação comercial
Redação São Paulo TV Broadcasting jornalista Bene Correa e Beatriz Ciglioni fonte e fotos MCOM Foto: AP Photo/Fernando Llano
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, avaliou que uma eventual imposição de sanções comerciais por parte dos Estados Unidos a países que mantêm relações com o Irã não deve produzir efeitos relevantes sobre a economia brasileira. A análise, sustentada em dados da balança comercial, reforça a postura técnica e cautelosa adotada pelo governo federal diante de um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas.

A manifestação de Alckmin ocorre após declarações do presidente norte-americano sobre a possibilidade de aplicar sobretaxas a países que realizam comércio com o Irã, medida que ainda não foi formalizada por meio de ordem executiva. Segundo o vice-presidente, a relação comercial entre Brasil e Irã é restrita quando observada no conjunto do comércio exterior brasileiro, o que reduz significativamente qualquer risco sistêmico para a economia nacional.
Dados oficiais indicam que o comércio bilateral entre Brasil e Irã somou cerca de US$ 3 bilhões em 2025, com saldo amplamente favorável ao Brasil, da ordem de US$ 2,8 bilhões. Embora o Irã figure como destino relevante para produtos específicos do agronegócio, sua participação no total das exportações brasileiras permanece limitada, especialmente quando comparada aos principais parceiros comerciais do país.
Para Alckmin, a eventual adoção de tarifas generalizadas encontra obstáculos práticos. O vice-presidente destacou que mais de 70 países mantêm algum tipo de relação comercial com o Irã, incluindo nações europeias de grande peso econômico, o que tornaria a aplicação ampla de sanções um movimento de difícil execução e alto custo diplomático. Nesse contexto, o Brasil mantém uma posição de equilíbrio, sem litígios comerciais e com foco no diálogo multilateral.
O ministro também observou que, até o momento, não há definição clara sobre o alcance de uma possível sobretaxa — se ela abrangeria todos os produtos ou apenas setores específicos — nem sobre os critérios de aplicação. A ausência de uma decisão formal, segundo ele, recomenda prudência na análise e afasta previsões alarmistas sobre impactos imediatos.
No plano institucional, Alckmin ressaltou que o tema está sendo acompanhado de forma coordenada pelo governo brasileiro, com protagonismo do Ministério das Relações Exteriores, sob a condução do chanceler Mauro Vieira. Pelo MDIC, a diretriz é clara: ampliar mercados, reduzir barreiras comerciais e fortalecer a inserção internacional do Brasil, diminuindo dependências e aumentando a resiliência da economia.
Essa estratégia se conecta diretamente à agenda liderada por Alckmin no ministério, que tem como um de seus pilares a diversificação de parceiros comerciais. A assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, prevista para os próximos dias, é citada pelo vice-presidente como exemplo concreto de como o Brasil vem ampliando horizontes e reduzindo riscos externos por meio de acordos estruturantes.
No caso específico do agronegócio, dados do sistema Agrostat mostram que o Irã respondeu por cerca de 1,7% das exportações do setor em 2025, com vendas próximas de US$ 2,9 bilhões. Já nas importações, o país ocupa posição secundária, figurando entre os principais fornecedores apenas em itens pontuais, como fertilizantes à base de ureia. Ainda assim, o Brasil mantém ampla rede de fornecedores internacionais, o que mitiga eventuais pressões de oferta.
Ao adotar uma leitura serena e baseada em evidências, Geraldo Alckmin reafirma o perfil técnico de sua atuação à frente do MDIC. Em um ambiente global volátil, sua condução privilegia previsibilidade, diplomacia econômica e fortalecimento do comércio exterior como instrumento de crescimento, emprego e estabilidade. Para o governo brasileiro, a resposta às incertezas internacionais não está no isolamento, mas na integração inteligente e na ampliação de oportunidades para a economia nacional.
