
Sonhos alimentam a alma
*José Renato Nalini
Encontro um roteiro antigo, de quando estava a integrar a Câmara Reservada ao Meio Ambiente do Tribunal de Justiça, quando propunha dez projetos para a nossa capital. O primeiro, a despoluição do Tietê, que se tornaria navegável. As embarcações fariam o transporte hidroviário. Ao longo do rio, decks com restaurantes, bares, venda de artesanato, livrarias, etc. O Tietê é turístico e precisa se tornar limpo.
Urgente a descontaminação de todos os cursos d’água, conclamando-se também a iniciativa privada. Nenhum esgoto seria lançado no Tietê e no Pinheiros. A Guarapiranga seria administrada pelas megaconstrutoras, que se encarregariam de recuperar o espaço e implementar projeto paisagístico e turístico. Aí sim, teríamos um autêntico Parque Náutico, à altura da importância paulistana.
O plantio de árvores deveria privilegiar a madeira nobre, favorecendo a fabulosa biodiversidade de São Paulo. Lançar concursos para premiar os empreendimentos que reservassem área verde e ajudassem a drenar esta metrópole impermeabilizada.
A eletrificação do transporte deve ser incentivada mediante isenção de IPVA, com o retorno do licenciamento veicular, pois há muito carro e ônibus velho a circular. E também se deveria multar quem descarta resíduo sólido nas ruas, pois é excessiva a produção de lixo nesta megacidade com doze milhões de pessoas e que hoje está a gerar quinze mil toneladas de resíduo sólido a cada dia.
O bom é que isso tudo, que era sonho, consta do PlanClima, o Plano de Ação Climática de São Paulo, ora em plena execução e com um Orçamento Climático, estratégia pioneira de governança, com o monitoramento do Tribunal de Contas do Município.
A multiplicação de corredores verdes, talvez a conversão do Elevado Costa e Silva num parque destinado a verde, ciclismo e pedestrianismo, não fosse algo a se descartar. E que venha logo o Plano Hidroviário da capital, o resgate da conexão entre o paulistano e suas águas.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

