
Endometriose: Dra. Rosa Maria Neme destaca a importância do diagnóstico precoce e do tratamento especializado de uma doença que afeta milhões de mulheres
Beatriz Ciglioni São Paulo TV Broadcasting Reportagem Especial — Saúde da Mulher
Com 30 anos de experiência em ginecologia, médica é referência no atendimento à endometriose, atua com cirurgia robótica e desenvolve iniciativas voltadas à saúde, ao bem-estar e à valorização das mulheres.
Por Beatriz Ciglioni | São Paulo TV Broadcasting
A endometriose é uma das doenças ginecológicas que mais afetam a qualidade de vida das mulheres em idade reprodutiva. Caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, a condição pode provocar dores intensas, inflamações crônicas, dificuldades para engravidar e alterações que comprometem a rotina pessoal, familiar e profissional de milhões de pacientes.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 190 milhões de mulheres e meninas em idade reprodutiva convivem com a endometriose em todo o mundo, o equivalente a cerca de 10% dessa população. Apesar dos avanços científicos, a doença ainda representa um importante desafio para a medicina, principalmente em razão das dificuldades relacionadas ao diagnóstico precoce e ao acesso ao tratamento especializado.
É nesse cenário que se destaca a trajetória da Dra. Rosa Maria Neme, médica ginecologista com 30 anos de experiência e especialista em endometriose, que dedicou parte significativa de sua carreira ao atendimento de mulheres que enfrentam os impactos dessa condição.
Fundadora do Centro de Endometriose São Paulo, apresentado como a primeira clínica multidisciplinar do Brasil especializada no tratamento da doença, Rosa Maria Neme construiu sua atuação profissional a partir de uma abordagem que integra conhecimento científico, recursos tecnológicos e atenção individualizada às necessidades das pacientes.
Sua experiência na área evidencia a importância de reconhecer que dores menstruais incapacitantes não devem ser consideradas uma condição normal da vida feminina. A investigação adequada dos sintomas pode representar o primeiro passo para recuperar a qualidade de vida de mulheres que, muitas vezes, convivem durante anos com sofrimento físico e emocional.

Uma doença que ainda enfrenta o silêncio e o desconhecimento
Durante gerações, muitas mulheres cresceram ouvindo que sentir cólicas intensas fazia parte da menstruação e que o desconforto deveria ser suportado naturalmente. Essa percepção contribuiu para que sintomas importantes fossem ignorados ou tratados de maneira insuficiente.
A endometriose, entretanto, vai muito além das cólicas menstruais.
A doença pode atingir ovários, trompas, peritônio e outras estruturas da região pélvica. Em situações mais complexas, pode comprometer órgãos como intestino e bexiga, exigindo acompanhamento especializado e, eventualmente, intervenções cirúrgicas.
Entre os principais sintomas estão dores menstruais intensas, dores durante as relações sexuais, desconforto ao evacuar ou urinar, dores pélvicas persistentes e dificuldades para engravidar. Algumas pacientes também apresentam fadiga, distensão abdominal e alterações intestinais relacionadas ao ciclo menstrual.
Um aspecto importante é que a intensidade dos sintomas nem sempre corresponde à extensão da doença. Mulheres com lesões pequenas podem apresentar dores incapacitantes, enquanto outras, com alterações mais extensas, podem ter manifestações discretas.
Essa diversidade torna fundamental a avaliação individualizada, especialmente quando os sintomas interferem nas atividades cotidianas.
Além das consequências físicas, a endometriose pode afetar a autoestima, a saúde emocional, a produtividade no trabalho, os relacionamentos e o planejamento familiar.
Para muitas pacientes, receber o diagnóstico significa finalmente compreender a origem de um sofrimento que, durante anos, permaneceu sem explicação.
Rosa Maria Neme: experiência médica e atenção à individualidade das pacientes
Com três décadas dedicadas à ginecologia, Rosa Maria Neme acompanha a evolução dos conhecimentos científicos e das possibilidades terapêuticas relacionadas à endometriose.
Sua trajetória profissional está associada à valorização de uma assistência especializada, capaz de considerar as particularidades de cada paciente e os diferentes impactos provocados pela doença.
A criação do Centro de Endometriose São Paulo representa um marco importante dessa atuação.
A proposta de atendimento multidisciplinar parte do reconhecimento de que a endometriose não deve ser compreendida apenas como uma alteração ginecológica isolada.
Em determinadas situações, a doença pode exigir a participação de especialistas de diferentes áreas, incluindo ginecologia, cirurgia do aparelho digestivo, urologia, fisioterapia e acompanhamento psicológico.
Essa integração permite construir estratégias terapêuticas mais abrangentes, especialmente nos casos de endometriose profunda ou quando existem sintomas que comprometem diferentes órgãos.
A atuação de Rosa Maria Neme também está inserida em uma transformação importante da medicina feminina: a valorização da escuta e da participação ativa das mulheres nas decisões relacionadas à própria saúde.
A experiência clínica acumulada ao longo dos anos demonstra a importância de compreender não apenas os resultados dos exames, mas também a história de cada paciente, suas expectativas, seus sintomas e seus objetivos pessoais.
Entrevista: Profa. Dra. Rosa Maria Neme – Santa Memória em 2019 cedida
Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de SP
Profa. Dra. Rosa Maria Neme
Proprietária e Diretora do Centro de Endometriose São Paulo.
Proprietária e Diretora do Centro de Endometriose São Paulo.
Graduação em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo – 1996 – 29 ª turma.
Residência médica e doutorado em Medicina (Obstetrícia e Ginecologia) pela Universidade de São Paulo (2004).

Diagnóstico precoce: reconhecer os sintomas pode mudar uma história
Um dos maiores desafios relacionados à endometriose continua sendo o intervalo entre o aparecimento dos primeiros sintomas e a identificação da doença.
Muitas mulheres procuram diferentes profissionais antes de receber uma avaliação conclusiva. Em alguns casos, os sintomas são confundidos com alterações intestinais, problemas urinários ou cólicas menstruais consideradas habituais.
A investigação envolve avaliação clínica detalhada, análise do histórico menstrual e, quando indicado, exames de imagem especializados, como ultrassonografia transvaginal direcionada e ressonância magnética.
É importante destacar que exames de imagem sem alterações não excluem necessariamente a presença de endometriose, especialmente em determinadas formas superficiais da doença.
O diagnóstico e o acompanhamento adequados permitem discutir diferentes possibilidades terapêuticas, considerando a intensidade dos sintomas, a localização das lesões e os objetivos reprodutivos da paciente.
Embora a endometriose não tenha uma cura definitiva universalmente estabelecida, existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e proporcionar melhora significativa da qualidade de vida.
As opções incluem medicamentos hormonais, estratégias de controle da dor, fisioterapia pélvica, acompanhamento multidisciplinar e procedimentos cirúrgicos em situações selecionadas.
A cirurgia não é necessária para todas as mulheres com endometriose. A decisão deve considerar as características individuais, os benefícios esperados e os riscos envolvidos.
Centro de Endometriose São Paulo e a importância do tratamento multidisciplinar
A fundação do Centro de Endometriose São Paulo está entre as principais realizações profissionais de Rosa Maria Neme.
Concebido como uma clínica especializada no atendimento multidisciplinar de mulheres com endometriose, o centro representa uma proposta de cuidado que busca integrar diferentes conhecimentos médicos e terapêuticos.
Esse modelo é particularmente relevante diante da complexidade da doença.
Quando a endometriose compromete estruturas próximas ao útero, como intestino, bexiga ou outras regiões da pelve, o planejamento terapêutico pode exigir avaliação conjunta de profissionais especializados.
A assistência multidisciplinar também permite considerar aspectos que ultrapassam o tratamento das lesões, incluindo dor crônica, saúde emocional, sexualidade e qualidade de vida.
A experiência de profissionais como Rosa Maria Neme contribui para ampliar o debate sobre a necessidade de serviços especializados, capazes de oferecer acompanhamento contínuo e orientações individualizadas.
Mais do que tratar uma doença, a proposta de cuidado integral reconhece que cada paciente possui uma história, necessidades específicas e expectativas que devem ser respeitadas.
Cirurgia robótica: tecnologia e precisão no tratamento ginecológico
Outro destaque da trajetória profissional de Rosa Maria Neme é sua especialização em cirurgia robótica, uma das tecnologias mais avançadas disponíveis para a realização de determinados procedimentos minimamente invasivos.
A cirurgia robótica utiliza equipamentos que permitem ao médico controlar instrumentos articulados com elevada precisão, associados a recursos de visualização tridimensional ampliada.
Em casos selecionados de endometriose profunda, especialmente quando existem lesões próximas a estruturas delicadas, a tecnologia pode oferecer vantagens técnicas para a equipe cirúrgica.
O sistema robótico não realiza os procedimentos de maneira autônoma. Todos os movimentos são comandados pelo cirurgião, que permanece responsável pelas decisões e pela condução da operação.
Apesar dos avanços, a cirurgia robótica não é indicada para todas as pacientes e não apresenta superioridade comprovada em todos os resultados quando comparada à laparoscopia convencional.
A escolha da técnica deve considerar a complexidade do caso, a experiência dos profissionais, a disponibilidade dos recursos e as necessidades individuais da mulher.
A atuação de Rosa Maria Neme nessa área demonstra sua ligação com o desenvolvimento tecnológico da medicina e com a ampliação das possibilidades terapêuticas oferecidas às pacientes.
Endometriose, fertilidade e o sonho da maternidade
Entre as preocupações frequentemente associadas à endometriose está a possibilidade de dificuldades para engravidar.
A doença pode interferir na fertilidade por diferentes mecanismos, incluindo processos inflamatórios, aderências pélvicas e alterações que comprometem o funcionamento de estruturas do sistema reprodutivo.
Entretanto, é importante esclarecer que receber o diagnóstico de endometriose não significa necessariamente que a mulher será infértil.
Muitas pacientes conseguem engravidar espontaneamente, enquanto outras podem precisar de acompanhamento especializado ou técnicas de reprodução assistida.
A avaliação deve considerar fatores como idade, reserva ovariana, histórico reprodutivo, características da doença e condições de saúde do casal.
O planejamento do tratamento também exige atenção especial quando existe desejo de maternidade, pois determinadas intervenções cirúrgicas ovarianas podem afetar a reserva de óvulos.
A orientação individualizada permite que a paciente participe das decisões de maneira informada, considerando suas prioridades e expectativas.
Bloom Club: Rosa Maria Neme amplia sua atuação para as mulheres acima dos 40 anos
A trajetória de Rosa Maria Neme não se limita ao tratamento da endometriose.
A médica também é fundadora do Bloom Club, portal destinado às mulheres acima dos 40 anos, criado com a proposta de conectar pessoas nessa faixa etária, estimular a troca de experiências e valorizar as diferentes dimensões da maturidade feminina.
A iniciativa dialoga com uma transformação importante da sociedade contemporânea.
Mulheres que chegam aos 40, 50 ou 60 anos vivem uma etapa marcada por novas escolhas, mudanças hormonais, experiências profissionais, responsabilidades familiares e oportunidades de realização pessoal.
Questões relacionadas à perimenopausa, menopausa, longevidade, sexualidade, saúde emocional e qualidade de vida passam a ocupar espaço cada vez maior nas discussões sobre saúde feminina.
Ao mesmo tempo, cresce a necessidade de combater preconceitos relacionados ao envelhecimento e reconhecer a maturidade como uma fase de autonomia, conhecimento e novas possibilidades.
O Bloom Club propõe a construção de conexões entre mulheres que compartilham experiências, interesses e desafios semelhantes.
A criação do portal demonstra uma ampliação do olhar profissional de Rosa Maria Neme, que passa a contemplar não apenas o tratamento de condições ginecológicas, mas também a valorização da mulher em diferentes momentos da vida.
O impacto da endometriose na vida profissional e emocional
Os efeitos da endometriose ultrapassam os consultórios médicos.
Mulheres que convivem com dores crônicas podem enfrentar dificuldades para manter suas atividades profissionais, cumprir compromissos, participar de eventos sociais e preservar a qualidade dos relacionamentos.
Em situações mais graves, as crises de dor podem provocar ausências frequentes no trabalho e comprometer o rendimento escolar ou acadêmico.
A doença também pode gerar sentimentos de frustração, ansiedade e isolamento, especialmente quando os sintomas não são compreendidos por familiares, colegas ou profissionais de saúde.
Por essa razão, o acolhimento e a informação desempenham papel essencial.
A sociedade precisa compreender que a endometriose não representa simplesmente uma cólica menstrual mais intensa, mas uma condição crônica que pode exigir acompanhamento contínuo e diferentes estratégias de tratamento.
O reconhecimento desses impactos contribui para combater preconceitos e ampliar o respeito às mulheres que convivem com a doença.
O papel das políticas públicas na saúde feminina
A endometriose também precisa ocupar espaço nas discussões sobre políticas públicas de saúde.
A ampliação do acesso a consultas ginecológicas, exames especializados e tratamentos adequados é fundamental para reduzir desigualdades e permitir que mais mulheres recebam assistência.
O Sistema Único de Saúde (SUS) desempenha papel essencial nesse cenário, especialmente para pacientes que dependem da rede pública para investigação diagnóstica e acompanhamento.
Entretanto, a disponibilidade de profissionais especializados e serviços de referência pode variar entre diferentes regiões do país.
Investimentos na formação médica, na organização das redes assistenciais e na conscientização da população podem contribuir para melhorar a identificação e o tratamento da doença.
Campanhas educativas em escolas, unidades de saúde e ambientes profissionais também são importantes para informar adolescentes e mulheres sobre sintomas que merecem investigação.
A conscientização deve envolver toda a sociedade, incluindo familiares, educadores, empregadores e profissionais de saúde.
Reconhecer a dor feminina e facilitar o acesso ao atendimento adequado são passos fundamentais para uma assistência mais humanizada.
Trinta anos dedicados à medicina e à valorização da mulher
A história profissional de Rosa Maria Neme reúne três dimensões importantes da medicina contemporânea: experiência clínica, inovação tecnológica e atenção às necessidades das mulheres.
Sua dedicação à endometriose, a fundação do Centro de Endometriose São Paulo, a especialização em cirurgia robótica e a criação do Bloom Club representam diferentes frentes de uma trajetória voltada à saúde feminina.
Em uma sociedade que ainda enfrenta desafios no reconhecimento de doenças ginecológicas, o trabalho de profissionais especializados contribui para ampliar o acesso à informação e fortalecer o debate sobre diagnóstico e tratamento.
A medicina evoluiu significativamente nas últimas décadas, mas a tecnologia, isoladamente, não substitui a importância da escuta, do acolhimento e do respeito à individualidade das pacientes.
Para mulheres que passaram anos convivendo com dores sem explicação, encontrar atendimento especializado pode representar uma mudança profunda na qualidade de vida.
A conscientização sobre a endometriose precisa alcançar cada vez mais pessoas, demonstrando que sintomas incapacitantes não devem ser ignorados e que buscar orientação médica é fundamental.
A trajetória da Dra. Rosa Maria Neme também evidencia a importância de reconhecer o protagonismo feminino na ciência, na medicina e no empreendedorismo.
Ao dedicar sua carreira à saúde das mulheres e desenvolver iniciativas que valorizam diferentes etapas da vida feminina, a médica integra uma geração de profissionais que contribuem para transformar a maneira como a sociedade compreende o cuidado, o envelhecimento e a qualidade de vida.
A endometriose não pode permanecer invisível. Toda mulher merece ser ouvida, ter seus sintomas investigados e receber informações adequadas para participar das decisões sobre sua própria saúde.
Ao abordar essa realidade e apresentar a trajetória de Rosa Maria Neme, a São Paulo TV Broadcasting reafirma o compromisso do jornalismo com a divulgação de informações de interesse público, a valorização da ciência e a promoção da saúde.
Beatriz Ciglioni São Paulo TV Broadcasting Reportagem Especial — Saúde da Mulher
