
Realidade aflitiva
*José Renato Nalini
O noticiário recente deu conta de que o número de veículos em circulação na capital é muito maior do que se pensava. Sempre citei a cifra de oito milhões, já entendendo que ela era exagerada. Mas constatou-se que o número real de veículos supera os dez milhões!
Faz-se uma comparação com Nova Iorque, urbe com dimensões próximas à de São Paulo, mas que tem pouco mais de dois milhões de carros.
O projeto de descarbonização da gestão Ricardo Nunes caminha de acordo com as possibilidades e já dispõe de 1700 ônibus/troleibus elétricos, além de 500 caminhões de coleta de resíduo sólido abastecidos com biometano, gás produzido pela biomassa e não fóssil.
Mas é preciso acelerar o processo. Ganhar escala. Fazer com que os particulares optem por carros elétricos ou que abasteçam com etanol em lugar de preferir a gasolina, por preconceito evidentemente cultural.
Outras medidas são aconselhadas pela mídia: instituir pedágio urbano; aumentar a restrição ao rodízio; restabelecer a inspeção veicular; investir na renovação da frota particular de caminhões; estabelecer um ponto de circulação que antecipe a meta Net-Zero prevista no PlanClima para 2050. São providências que precisam ser pensadas em conjunto, Poder Público e sociedade civil.
É uma questão de saúde pública. Vale recordar que o Professor Paulo Saldiva já advertiu, há alguns anos, de que o paulistano vive quatro anos menos do que os demais, porque respira algo quase sólido, de tanto gás carbônico, material particulado e microplástico.
O Prefeito Ricardo Nunes, tão sensível à situação municipal da maior cidade da América Latina, incentiva todas as alternativas à continuidade do crescimento incrível de uma frota que, além de fazer mal à saúde, dificulta a vida do paulistano, que perde horas no trânsito e também perde, simultaneamente, a sua infinita paciência.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

