
São Paulo e a desertificação
*José Renato Nalini
Graças à visão do Prefeito RICARDO NUNES, pela primeira vez o Brasil participou da COP do Combate à Desertificação, desta feita realizada na Mongólia. Foi muito importante constatar que a imensa maioria dos países já enfrenta a situação de escassez hídrica, em alguns casos agravada para verdadeiro colapso hídrico.
O Brasil ficou nos anos recentes conhecido como um dos “fabricantes de deserto”, quando continuou a desmatar e exibiu ao mundo o fenômeno incrível de um Pantanal seco e em chamas. Por isso, foi importante São Paulo mostrar que dispõe de uma Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas e do trabalho que faz em defesa das águas, um insumo insuficiente para as necessidades da maior cidade do Brasil.
Todos os participantes da COP17 se interessaram pela OIDA, Operação Integrada em Defesa das Águas, uma inteligente fórmula conveniada entre Estado e Prefeitura para tentar controlar a clandestina e até criminosa ocupação da área destinada a preservar os mananciais.
Muitos representantes de outros países se dispuseram mesmo a visitar nossa capital e ver de perto como esse instrumento funciona na prática. É uma excelente oportunidade para intensificar o trabalho da OIDA, para fortalecê-la, para envolver outros parceiros, além dos heróis que dela participam semanalmente.
Enquanto a sociedade civil não se sensibilizar, a invasão continuará e em ritmo incompatível com a possibilidade municipal de coibi-la. O risco é a população paulistana ficar sem água para beber, o que não é hipótese cerebrina ou remota, mas real possibilidade.
Assim, o problema paulistano deixa de ser a desertificação em sentido estrito, embora já se registre queda histórica no volume das chuvas, mas o “deserto de protagonismo” de todos os que deveriam se convencer de que sem água não se vive e de que a Prefeitura faz sua parte, mas isto não é suficiente para o enfrentamento de questão seríssima, que afeta a todos.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

