
Cidade-esponja! Por que não?
*José Renato Nalini
Aproxima-se um ano da morte precoce e tão lamentada do urbanista chinês Kongjian Yu, arquiteto paisagista e criador do conceito de “Cidade-esponja”. Ele faleceu em trágico acidente aéreo em 23 de setembro de 2025, quando filmava um documentário no Pantanal.
Dias antes estivera em São Paulo e elogiara a topografia adequada para adoção das soluções baseadas na natureza, cujo exemplo emblemático é exatamente a “Cidade Esponja”. Como seria bonito que, em lugar daquele concreto árido e inóspito do Vale do Anhangabaú, tivéssemos o aproveitamento dos recursos naturais e muito mais verde e água?
Quem deveria se apropriar do conceito de “Cidade Esponja” seria a poderosa indústria da construção civil, que inunda a capital de edifícios e não deixa um metro quadrado de superfície de solo real, que é a terra na qual é urgente plantar mais árvores.
Mas um bom exemplo vem da Municipalidade. A Prefeitura vai tirar do projeto o Parque do Bixiga, com a reserva de cobertura vegetal e, o principal, a “ressurreição” de um curso d’água. Excelente! Merece elogios!
Todavia, é preciso intensificar a implementação do fabuloso Plano Hidroviário de São Paulo, que vai resgatar o desprezo dos paulistanos em relação às suas águas. A água é preciosa, é imprescindível e está acabando. Por isso, obrigação de todos nós, pensar o que pode ser feito para garanti-la pura, pois sem petróleo se vive. Sem água não se consegue viver.
Vamos disseminar a ideia de adoção das soluções baseadas na natureza. E conscientizar os poderosos a serem mais responsáveis em seus empreendimentos, pois sem verde e sem água, não adianta multiplicar as edificações baseadas no concreto, no ferro, no aço e no vidro. É de mais verde, mais natureza e mais água que a humanidade necessita.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

