
Lições suecas
*José Renato Nalini
Já passara por Estocolmo em 1987, numa viagem à Escandinávia. Fiz aquela visita panorâmica e tomei o grande navio da Viking Line para chegar em Helsinki e prosseguir o trajeto pela Finlândia, até o Círculo Polar e voltar pela Noruega.
Mas agora participei da 10ª WOCA -World Company Around e tive a oportunidade de conhecer melhor a capital desse país nórdico, de população total inferior à de nossa megametrópole paulistana.
Muito a aprender com os suecos, em todas as áreas, mas – principalmente, – naquela a que hoje me entrego: a resiliência ao cataclismo climático.
É um impressionante respeito pelas águas e pelo verde. A Suécia tem mais de vinte e quatro mil ilhas e é rodeada pelo mar Báltico e pelo lago Malaren. Estocolmo tem cerca de 1,8 milhão de habitantes e é comum vê-los a pescar em qualquer margem do gigantesco lago, o terceiro maior da Suécia, com área de 1.074 km2, águas límpidas e expressiva fauna. Cisnes, gansos, marrecos, patos e inúmeras outras aves convivem com infinidade de peixes, presentes em todas as refeições suecas.
A educação sueca sabe destinar seus resíduos sólidos e em todas as ruas há nove recipientes, cada qual para acolher o desperdício que também é contido, diante de uma educação aprimorada.
Nesta época, os dias são muito longos. Às três já está claro e a luz do sol continua até quase meia noite. Para compensar o longo inverno, em estações ainda bem definidas.
Isso estimula um turismo profissional e de qualidade. Há milhares de barcos, movidos a eletricidade, a percorrer a imensidão aquática e a permitir que milhões de turistas conheçam o esplendor de um país viking, cuja história é uma saudável lição para todos nós, brasileiros. Voltarei ao assunto, pois há muito a refletir sobre a Suécia e sobre o que poderíamos aplicar aqui, com o propósito de aprimorar a qualidade de vida dos paulistanos.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

