
Grandes Homens da Justiça Brasileira – José Renato Nalini: o magistrado que levou a ética, a educação e a consciência ambiental para o centro do debate sobre o futuro do Brasil
Por Beatriz Ciglioni — São Paulo TV Broadcasting entrevistas Questão de Justiça entrevista José Renato Nalini Minha Escola é o Canal José Renato Nalini José Renato Nalini, Secretário Executivo de Mudanças Climáticas da Prefeitura SP José Renato Nalini, Secretário Executivo de Mudanças Climáticas da Prefeitura SP As Regras do Jogo | Sustentabilidade, Mudanças Climáticas e Direito em SP com José Renato Nalini José Renato Nalini | Secretário de Mudanças Climáticas de SP NALINI – Planeta, Cidade e Cidadão com José Renato Nalini na São Paulo TV Broadcasting São Paulo TV – Agenda climática global com Dr. José Renato Nalini NALINI – Planeta, Cidade e Cidadão com José Renato Nalini na São Paulo TV Broadcasting
Há homens públicos cuja trajetória não se limita ao exercício de cargos institucionais. Existem figuras que conseguem atravessar diferentes áreas da vida nacional — Justiça, educação, pensamento intelectual, sustentabilidade, filosofia e cidadania — mantendo coerência ética, produção intelectual consistente e permanente compromisso com o país.
José Renato Nalini pertence a esse grupo raro de brasileiros cuja vida pública transcende os tribunais e alcança o próprio debate civilizatório contemporâneo.

Magistrado, professor, escritor, acadêmico, ex-presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, ex-secretário estadual da Educação e atual Secretário Executivo de Mudanças Climáticas da cidade de São Paulo na gestão do prefeito Ricardo Nunes, Nalini consolidou-se ao longo de décadas como uma das vozes mais influentes do pensamento jurídico, ético e ambiental brasileiro.
Sua trajetória impressiona não apenas pelos cargos ocupados, mas pela capacidade de conectar Direito, cidadania, educação e consciência ambiental em uma visão humanista do futuro.

Natural de Jundiaí, nascido em 24 de dezembro de 1945, José Renato Nalini construiu uma carreira intelectual e institucional profundamente ligada ao serviço público e à formação humanística.
Filho de Baptista Nalini e Benedicta Barboza Nalini, cresceu em um Brasil ainda marcado pela transformação social do pós-guerra, em um ambiente onde estudo, disciplina e ética pública eram vistos como instrumentos de ascensão e responsabilidade social.
Graduou-se em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas em 1971. Posteriormente tornou-se mestre e doutor em Direito Constitucional pela Universidade de São Paulo, consolidando formação acadêmica que o transformaria em uma das principais referências intelectuais da magistratura brasileira.

Sua carreira começou no Ministério Público do Estado de São Paulo.
Entre 1973 e 1976 atuou como promotor de Justiça, experiência que ampliou sua percepção sobre desigualdade social, cidadania e funcionamento do Estado brasileiro.
Em 1976 ingressou na magistratura paulista como juiz de Direito.
Nas décadas seguintes percorreu praticamente todos os degraus da carreira judicial até alcançar o cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo em 2004.
Mas foi muito além da atuação jurisdicional tradicional.

Nalini tornou-se um dos magistrados brasileiros mais ligados ao pensamento humanista e à reflexão ética sobre o papel do Judiciário na sociedade contemporânea.
Sua produção intelectual passou a influenciar não apenas operadores do Direito, mas também educadores, ambientalistas, gestores públicos e acadêmicos.
Em 2012 assumiu a Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo, função considerada uma das mais importantes da estrutura do Judiciário paulista.

No biênio 2014/2015 alcançou a presidência do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, tornando-se responsável pelo maior tribunal do planeta em volume processual e estrutura administrativa.
Sua gestão ficou marcada pela defesa da modernização institucional, pela valorização da conciliação, pela busca de maior eficiência administrativa e pela preocupação permanente com o acesso da população à Justiça.

Mas talvez o aspecto mais singular de sua trajetória tenha sido a maneira como introduziu temas éticos e humanísticos dentro do debate institucional do Judiciário.
Nalini sempre defendeu que magistrados não poderiam viver isolados da realidade social brasileira.
Ao longo de sua carreira tornou-se voz ativa na defesa da ética pública, da responsabilidade ambiental, da educação cidadã e da necessidade de transformação moral da sociedade brasileira.

Essa dimensão intelectual aparece fortemente em sua extensa produção bibliográfica.
Autor de dezenas de livros, José Renato Nalini tornou-se uma das principais referências brasileiras em ética aplicada ao Direito e à vida pública.
Entre suas obras mais conhecidas estão:
- Ética da Magistratura;
- A Rebelião da Toga;
- Ética Ambiental;
- Justiça e Ética;
- O Juiz e o Acesso à Justiça;
- Direitos Humanos e Formação Jurídica.
Seus textos frequentemente ultrapassam o universo jurídico tradicional e mergulham em reflexões sobre civilização, sustentabilidade, espiritualidade, consumo, crise ambiental e responsabilidade humana diante do futuro do planeta.

Nalini tornou-se um dos primeiros magistrados brasileiros de grande projeção a defender publicamente que a crise ambiental seria o maior desafio civilizatório do século XXI.
Essa visão acabaria conduzindo naturalmente uma nova etapa de sua vida pública.
Após aposentar-se da magistratura, foi convidado pelo então governador Geraldo Alckmin para assumir a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo em 2016.
O momento era extremamente delicado.
A rede estadual atravessava forte crise após a polêmica reorganização escolar proposta pelo governo paulista.
Nalini assumiu a missão de reconstruir o diálogo entre governo, estudantes, professores e sociedade civil.
Sua passagem pela Educação ficou marcada pela defesa da formação humanística, da valorização docente e da necessidade de preparar jovens para um mundo em profunda transformação tecnológica e social.
Mesmo em meio às tensões políticas da época, manteve postura conciliadora e discurso fortemente baseado na ideia de educação como instrumento de transformação moral e cidadã.
Após deixar a Secretaria da Educação em 2018, continuou atuando intensamente no ambiente acadêmico e intelectual.
Atualmente é Reitor da UniRegistral, professor universitário, Secretário e Imortal da Academia Paulista de Letras e membro da Academia Brasileira de Educação.
Sua presença nessas instituições demonstra a dimensão intelectual de sua trajetória, profundamente ligada à cultura, ao pensamento humanístico e à educação brasileira.
Em janeiro de 2024 iniciou uma nova etapa pública ao assumir a Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas da cidade de São Paulo na gestão Ricardo Nunes.
A escolha foi recebida como movimento simbólico e estratégico da Prefeitura paulistana.
Nalini tornou-se responsável por uma das agendas mais importantes do século XXI: o enfrentamento da crise climática em uma das maiores metrópoles do planeta.
Sua nomeação também refletiu uma característica central de sua trajetória: a capacidade de conectar Direito, ética, sustentabilidade e responsabilidade social.
Na Secretaria de Mudanças Climáticas passou a defender uma visão integrada entre desenvolvimento urbano, preservação ambiental, educação climática e responsabilidade coletiva.
Ao longo de entrevistas e artigos recentes, Nalini vem insistindo que o debate climático não pode mais ser tratado apenas como questão técnica ou ambiental, mas como tema diretamente ligado à sobrevivência humana, desigualdade social e futuro das cidades.

Seu pensamento frequentemente associa sustentabilidade à própria ideia de civilização.
Ao longo da vida pública também recebeu importantes condecorações nacionais e internacionais.
Entre elas estão:
- Ordem do Ipiranga, no grau de Grande Oficial, concedida pelo Governo do Estado de São Paulo;
- Grau de Comendador da Ordem do Mérito de Portugal;
- homenagens da magistratura, universidades e entidades culturais brasileiras.
Mesmo diante da enorme projeção institucional, José Renato Nalini preservou uma característica constantemente ressaltada por colegas, estudantes e leitores: a simplicidade intelectual.
Sua fala é marcada por tom sereno, reflexivo e frequentemente filosófico.
Em tempos de radicalização e superficialidade, Nalini consolidou-se como uma das últimas grandes vozes humanistas da vida pública brasileira.
Mais do que magistrado, tornou-se pensador da condição humana contemporânea.
Mais do que gestor público, tornou-se defensor da ética como fundamento da democracia.
Mais do que jurista, tornou-se símbolo de uma geração que acreditava que conhecimento, cultura e consciência ambiental poderiam transformar a sociedade.
Sua trajetória demonstra que as grandes figuras públicas não são apenas aquelas que exercem poder, mas aquelas que conseguem produzir reflexão, inspirar consciência coletiva e ampliar horizontes civilizatórios.
A série “Grandes Homens da Justiça Brasileira”, da São Paulo TV Broadcasting, segue homenageando personalidades cuja história ajudou a construir os fundamentos éticos, intelectuais e humanos do Brasil contemporâneo.
