
Grandes Homens da Justiça Brasileira – Paulo Dimas Mascaretti: o magistrado que humanizou o poder e transformou a Justiça em instrumento de cidadania, equilíbrio e dignidade humana
Por Beatriz Ciglioni — São Paulo TV Broadcasting entrevistas (1288) Presidente do Tribunal de Justiça Paulo Dimas de Bellis Mascaretti – YouTube PROGRAMA HORA DA VERDADE – SUPER RÁDIO AM 1150 – Dr. PAULO DIMAS DE BELLIS MASCARETTI Paulo Dimas Secretário de Estado da Justiça e Cidadania em entrevista para Walter Ciglioni
Em uma época marcada pela crescente tensão entre instituições públicas e sociedade, poucos homens do Judiciário brasileiro conseguiram construir uma trajetória tão respeitada, equilibrada e profundamente humana quanto a do desembargador Paulo Dimas de Bellis Mascaretti. Sua história não se resume aos cargos que ocupou ao longo de mais de quatro décadas dedicadas à vida pública. Ela se revela sobretudo na maneira como exerceu cada uma dessas funções, sempre com discrição, serenidade institucional e uma rara capacidade de enxergar, por trás dos processos e das estruturas burocráticas, o ser humano.

Promotor de Justiça, juiz, desembargador, presidente do maior tribunal do planeta em volume processual, secretário de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania, presidente da Fundação CASA, professor universitário e referência institucional do Judiciário paulista, Paulo Dimas tornou-se símbolo de uma geração de magistrados que compreendia a Justiça não apenas como aplicação técnica da lei, mas como instrumento de cidadania, pacificação social e proteção da dignidade humana.

Nascido em São Paulo, em 11 de maio de 1955, formou-se em 1977 pela histórica Universidade de São Paulo, uma das mais tradicionais escolas jurídicas da América Latina e berço de ministros, governadores, juristas e intelectuais que ajudaram a moldar a vida institucional brasileira. Posteriormente especializou-se em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, aprofundando estudos ligados à administração pública, às garantias constitucionais e à organização do Estado Democrático de Direito.
Sua geração atravessou alguns dos períodos mais delicados da história nacional. Viveu os anos finais do regime militar, acompanhou a reconstrução democrática do país e participou diretamente da consolidação institucional inaugurada pela Constituição Federal de 1988. Esse contexto histórico moldaria profundamente sua visão sobre Justiça, cidadania e serviço público.

Antes de ingressar na magistratura, Paulo Dimas atuou como promotor de Justiça entre 1979 e 1982. A experiência no Ministério Público lhe permitiu contato direto com os dramas humanos que mais tarde influenciariam permanentemente sua atuação jurisdicional. Violência, desigualdade, abandono social, conflitos familiares e vulnerabilidade passaram a fazer parte de sua compreensão concreta do país real — algo que jamais abandonaria mesmo quando alcançou os mais altos postos do Judiciário brasileiro.
Em 1983 ingressou na magistratura paulista como juiz substituto da 1ª Circunscrição Judiciária, sediada em Santos. Nos anos seguintes percorreu diversas comarcas do Estado de São Paulo, incluindo São Luiz do Paraitinga, Itanhaém e posteriormente a capital paulista. Essa vivência em diferentes regiões ajudou a construir uma característica que se tornaria uma de suas marcas mais fortes: a capacidade de compreender a realidade social das pessoas comuns e perceber que por trás de cada processo existia uma história humana.

Ao longo de 40 anos de atuação como promotor, juiz e desembargador, consolidou reconhecida experiência nas áreas de Direito Civil, Direito Processual Civil, Direito Público, Família e Sucessões. Mas talvez sua principal especialidade tenha sido o equilíbrio.
Colegas magistrados frequentemente destacam que Paulo Dimas jamais permitiu que o poder institucional o afastasse da simplicidade no trato humano. Mesmo ocupando posições de enorme relevância dentro do sistema de Justiça, preservou postura acessível, respeitosa e profundamente conciliadora.

Em 2005 foi promovido ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, passando a integrar a 2ª Câmara de Direito Público. Sua atuação rapidamente ganhou reconhecimento pelo perfil democrático, pela elegância institucional e pela capacidade rara de construir diálogo em um ambiente frequentemente marcado por tensões corporativas e forte pressão administrativa.
Em 2012 foi eleito para integrar o Órgão Especial do Tribunal de Justiça paulista, sendo reconduzido em 2014. Pouco tempo depois alcançaria o posto mais alto da magistratura estadual.
Entre 2016 e 2017 presidiu o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo — considerado o maior tribunal do mundo em volume processual, estrutura administrativa e número de magistrados. Sua gestão ocorreu em um dos períodos mais desafiadores da história recente do Judiciário brasileiro. O país atravessava grave crise econômica, forte polarização política, crescimento exponencial da judicialização e intensa cobrança social sobre as instituições públicas.

Mesmo diante desse cenário, Paulo Dimas buscou construir uma administração baseada em modernização, diálogo institucional e aproximação com a sociedade. Defendia que o Judiciário precisava abandonar a imagem excessivamente burocrática e distante da população. Acreditava que magistrados deveriam comunicar melhor o papel da Justiça e demonstrar à sociedade o trabalho silencioso realizado diariamente dentro dos tribunais.
Sua liderança interna também ficou marcada pela valorização humana dentro da própria magistratura. Durante sua despedida do Tribunal de Justiça, colegas fizeram homenagens emocionadas que revelaram muito sobre sua personalidade. O então vice-presidente do TJ-SP, desembargador Artur Marques da Silva Filho, afirmou que Paulo Dimas “soube como ninguém trazer o convívio democrático para o seio da magistratura”. Já o desembargador Carlos Otávio Bandeira Lins relembrou um episódio simbólico envolvendo a preocupação pessoal de Paulo Dimas com a situação financeira de um servidor aposentado de baixíssima renda — gesto que, para muitos colegas, sintetizava sua profunda sensibilidade humana.

Após a aposentadoria da magistratura, Paulo Dimas foi convidado pelo então governador João Doria para assumir a Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo. A escolha foi vista como reconhecimento institucional a uma trajetória construída sobre credibilidade, equilíbrio e respeito público.
Na Secretaria ampliou ainda mais sua atuação em temas ligados à cidadania, aos direitos humanos, à inclusão social e à mediação institucional. Posteriormente também assumiu a presidência da Fundação CASA durante a gestão 2019/2022, defendendo políticas voltadas à ressocialização, educação e reconstrução de perspectivas de vida para adolescentes em situação de vulnerabilidade.
Sua atuação no Executivo reforçou uma visão que sempre esteve presente em sua trajetória: nenhuma sociedade constrói paz social sem dignidade humana.
Em dezembro de 2018 recebeu da Câmara Municipal de São Paulo a Medalha Anchieta, maior honraria concedida pela capital paulista. A homenagem reuniu autoridades do Judiciário, Ministério Público, advocacia e da vida política paulista. Na cerimônia, emocionado, Paulo Dimas afirmou que sua mensagem era “de otimismo para fazermos a diferença na sociedade”.

O então governador eleito João Doria o definiu como “um homem simples, com carreira brilhante e biografia limpa”.
Talvez poucas definições consigam resumir tão bem sua trajetória.
Porque Paulo Dimas jamais construiu sua carreira baseada em protagonismo pessoal ou exposição pública exagerada. Sua credibilidade nasceu justamente da discrição, da elegância institucional, da capacidade de diálogo e da forma profundamente humana com que sempre exerceu o poder.

Mesmo após décadas ocupando posições centrais da magistratura brasileira, continuou sendo descrito por colegas, advogados, servidores e professores como homem sereno, acessível e respeitoso.
Atualmente também atua como professor de Direito Processual Civil no Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas, ajudando a formar novas gerações de operadores do Direito.
Sua história demonstra que as instituições públicas somente alcançam legitimidade quando conseguem preservar humanidade.

Mais do que desembargador, Paulo Dimas Mascaretti tornou-se símbolo de uma Justiça que procura compreender as pessoas antes de simplesmente julgá-las.
A série “Grandes Homens da Justiça Brasileira”, da São Paulo TV Broadcasting, segue homenageando personalidades cuja trajetória ajudou a construir os fundamentos éticos, humanos e institucionais do Brasil contemporâneo.

