
Projeto Ressignificar: o Hospital do Mandaqui transforma acolhimento em esperança e cria uma resposta concreta ao avanço da violência contra a mulher
Da Redação da São Paulo Tv por Beatriz Ciglioni imagens TV Recordo assista a reportagem da Tv pelo link Hospital Mandaqui abre setor exclusivo para atender mulheres vítimas de violência – Record
Em um momento em que os índices de violência contra a mulher seguem em crescimento no Brasil, o Hospital Estadual do Mandaqui se posiciona de forma firme, sensível e inovadora com a implantação do Projeto Ressignificar. A iniciativa nasce como uma resposta direta à dor silenciosa de milhares de mulheres e atua exatamente no ponto mais crítico: o momento em que elas chegam ao hospital, fragilizadas, machucadas e, muitas vezes, sem conseguir pedir ajuda.

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública indicam que o Brasil registra mais de 1.400 feminicídios por ano, além de uma escalada constante nos casos de violência doméstica. É diante dessa realidade que o Mandaqui decide agir com humanidade, estratégia e responsabilidade pública.
Mas há um ponto essencial que torna essa iniciativa ainda mais relevante: o Hospital do Mandaqui não é uma unidade qualquer. Trata-se de um dos maiores e mais tradicionais complexos hospitalares da zona norte da capital paulista, com atendimento de alta demanda, referência em diversas especialidades e porta de entrada para milhares de pacientes todos os meses.
Por ser um hospital de grande porte, com fluxo intenso e atuação estratégica no sistema público de saúde, o Mandaqui recebe diariamente casos complexos, urgências, traumas e situações de extrema vulnerabilidade social. É exatamente por essa característica que a implantação do Projeto Ressignificar ganha um peso ainda maior.

Quando uma política pública dessa natureza nasce dentro de um hospital com esse nível de impacto, ela deixa de ser apenas uma ação local e passa a se tornar um modelo. Um exemplo que pode ser replicado em outras unidades do Estado e do país.
Sob a liderança do Dr. Vanderlei de Almeida Rosa e com o apoio da diretora clínica Dra. Silmara Ziolli, o projeto cria um espaço reservado e acolhedor dentro da unidade hospitalar, permitindo que a mulher tenha segurança para se expressar.

A essência do Projeto Ressignificar está na escuta. E é justamente essa escuta que pode salvar vidas.
Falas que traduzem a essência do projeto
O diretor técnico do hospital, Dr. Vanderlei de Almeida Rosa, sintetiza com profundidade o propósito da iniciativa:
“É de suma importância escutar essa mulher, essa mãe de família que muitas vezes chega em silêncio, calada, pedindo ajuda de forma silenciosa. Ter um espaço como esse dá liberdade para que ela possa se expressar, colocar sua versão e interromper um ciclo de violência que poderia levar a algo ainda pior.”
A diretora clínica, Dra. Silmara Ziolli, destaca o momento delicado em que o acolhimento acontece:
“A mulher chega fragilizada, emocionalmente abalada. Ter um espaço reservado dentro do hospital permite que ela se sinta protegida para falar, para expor o que aconteceu, com dignidade, respeito e segurança.”

A delegada titular do 20º Distrito Policial, Fabiana Sarmento de Sena Angerami, reforça a importância da integração entre saúde e segurança pública:
“O acolhimento na área da saúde, com médicos e psicólogos preparados, é fundamental para a recuperação da mulher vítima de violência. Essa integração permite identificar situações muitas vezes ocultas e agir com rapidez para protegê-la.”

Já a deputada estadual Edna Macedo destaca o impacto social da iniciativa:

“Esse tipo de ação representa um avanço fundamental nas políticas públicas voltadas à mulher. Quando o Estado acolhe com dignidade, ele protege, fortalece e oferece uma nova oportunidade de vida para quem mais precisa.”
O Projeto Ressignificar não é uma ação isolada. Ele nasce de uma construção coletiva, envolvendo saúde, segurança pública e instituições parceiras. Participaram da primeira reunião de estruturação o Dr. Vanderlei de Almeida Rosa, a Dra. Silmara Ziolli, a delegada Fabiana Sarmento de Sena Angerami, a deputada Edna Macedo, o Dr. Fernando Zuccon e Silva, a gerente de enfermagem Sueleni Ferreira Forte, além da assessoria do hospital, com destaque para Marisa Padinha Ruano, e representantes do Centro de Estudos em parceria com a FINT – Faculdade e Instituto Nikola Tesla, incluindo Elvira e Alexandre Magalhães Santos.
Essa integração permite que a mulher tenha, no mesmo local, atendimento médico, psicológico e encaminhamento para a rede de proteção, evitando que ela precise percorrer diferentes instituições em um momento de extrema vulnerabilidade.

O grande diferencial do Hospital do Mandaqui está em compreender que a saúde pública não pode tratar apenas o corpo. É preciso cuidar da dor como um todo. É preciso ouvir, acolher e agir.
E quando essa visão nasce dentro de um hospital de grande porte, com alta capacidade de atendimento e forte presença no território, o impacto se multiplica. Mais mulheres são alcançadas. Mais histórias podem ser transformadas. Mais vidas podem ser salvas.
O Projeto Ressignificar atua exatamente no momento mais sensível. Quando a mulher chega ferida, física e emocionalmente. É ali que o acolhimento faz diferença. É ali que a escuta se transforma em proteção.
O nome do projeto traduz seu propósito. Ressignificar é dar um novo sentido à dor. É transformar sofrimento em esperança. É abrir caminho para o recomeço.
O que nasce no Hospital do Mandaqui é mais do que uma política pública. É uma resposta humana a uma realidade urgente.
Em meio a números que chocam, surge uma iniciativa que acolhe. Em meio ao silêncio, surge um espaço para falar. Em meio à dor, surge esperança.
E é justamente nesse ponto — o mais frágil — que o Projeto Ressignificar se torna mais forte.
Porque quando o Estado escuta, ele não apenas atende. Ele protege. Ele transforma. Ele salva vidas.
