
Largo São Francisco: gestão Ricardo Nunes apresenta projeto de requalificação no berço do ensino jurídico brasileiro
Da Redação da São Paulo Tv por jornalista Bene Correa e Beatriz Ciglioni


A administração do prefeito Ricardo Nunes apresentou o projeto de requalificação urbana do Largo São Francisco, no centro histórico da capital. O espaço abriga a tradicional Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, fundada em 1827, e considerada o berço do ensino jurídico brasileiro.
A proposta, elaborada pela SP Urbanismo, prevê a ampliação de 1.500 metros quadrados de calçadas, reduzindo de quatro para duas as faixas de circulação de veículos. A intervenção busca priorizar o pedestre, mantendo o tráfego, mas com pavimentação elevada e desenho urbano voltado à redução de velocidade.
Segundo a Prefeitura, o objetivo é transformar o largo em um espaço de permanência, convivência e valorização histórica, conectando visual e fisicamente o prédio das Arcadas ao Palácio do Comércio, incorporado à instituição em 2024.

Dois séculos de história no mesmo endereço
A Faculdade do Largo São Francisco antecede a própria Universidade de São Paulo, criada em 1934. Ao lado do curso jurídico de Olinda (PE), foi um dos dois primeiros cursos de Direito do Brasil, instituídos por Dom Pedro I.
Por suas salas passaram nomes centrais da história nacional, como Rui Barbosa, Castro Alves, Álvares de Azevedo e inúmeros ministros, juristas, parlamentares e presidentes da República. O local é mais do que um edifício acadêmico — é um marco simbólico da formação institucional do país.
A requalificação integra as comemorações dos 200 anos da faculdade e atende a pedido da própria instituição e da Associação dos Antigos Alunos.
O que prevê o projeto
O anteprojeto inclui:
– Ampliação e padronização das calçadas no entorno (Riachuelo, Ouvidor, José Bonifácio, Líbero Badaró, Benjamin Constant e Cristóvão Colombo);
– Plantio de 60 árvores de médio e grande porte da Mata Atlântica;
– Implantação de jardins de chuva para drenagem sustentável;
– Novos bancos e reforço na iluminação pública;
– Reconstrução do parlatório e da fonte histórica do largo, considerada a primeira fonte pública da cidade;
– Reposicionamento das esculturas “Beijo Eterno”, “O Menino e o Catavento” e do busto de Álvares de Azevedo;
– Acessibilidade ampliada e melhorias no sistema de drenagem.
O desenho central do largo contará com círculo em granito marrom, cercado por mosaico português e paralelepípedos em tons alternados, preservando o caráter histórico do espaço.

Mobilidade e impacto no trânsito
Atualmente, cerca de 78 ônibus por hora circulam pela via, que integra o eixo de ligação com o corredor Norte-Sul. Por isso, a administração municipal descartou, neste momento, o fechamento definitivo da Rua Cristóvão Colombo.
O projeto, porém, já foi concebido de forma a permitir bloqueios temporários para eventos e até um eventual fechamento futuro, caso mudanças estruturais no sistema viário central — como a implantação do VLT previsto para a região — tornem isso viável.
O largo está estrategicamente localizado a cerca de 200 metros da Estação Anhangabaú, 350 metros da Estação Sé e próximo ao Terminal Bandeira, consolidando sua relevância como polo de mobilidade.

Segurança e revitalização do centro
A gestão municipal também destaca que a requalificação dialoga com a política de repovoamento do centro histórico. A melhoria da iluminação e o aumento do fluxo de pedestres tendem a fortalecer a sensação de segurança, especialmente considerando que as aulas na faculdade se estendem até quase meia-noite.
A própria instituição planeja implantar moradia estudantil em prédio na Rua Senador Feijó, o que contribuirá para ampliar a presença de moradores na região.

Próximos passos
A obra ainda não tem data definida para início. A Prefeitura abrirá edital para elaboração do projeto executivo e, posteriormente, realizará licitação para execução da reforma. O custo total e as fontes de financiamento ainda serão definidos.
Para a administração Ricardo Nunes, a intervenção no Largo São Francisco representa não apenas uma obra de urbanismo, mas um gesto de valorização da memória paulistana e do patrimônio institucional brasileiro.
Requalificar o largo significa reafirmar que o centro histórico de São Paulo não é passado congelado — é território estratégico de futuro.
