
Artigo no Estado analisa presente e futuro da advocacia e reacende debate sobre ética, tecnologia e prerrogativas
Redação Especial – São Paulo TV Broadcasting jornalista Bene Correa e Beatriz Ciglioni
O advogado Rui Celso Reali Fragoso, um dos nomes mais respeitados da advocacia nacional, publicou nesta quinta-feira (8), no O Estado de S. Paulo, o artigo “Advocacia, hoje e amanhã”, uma reflexão profunda e inquieta sobre os rumos da profissão jurídica em meio às transformações tecnológicas, econômicas e institucionais que marcam o século XXI.

Com mais de quatro décadas de atuação, Rui Fragoso parte da própria experiência para traçar um diagnóstico realista do cenário atual. Ele aponta a saturação do mercado jurídico, impulsionada pela proliferação de faculdades de Direito no País, a mercantilização do ensino e a consequente pressão sobre honorários, fatores que, segundo o autor, acabam por tensionar parâmetros éticos históricos da profissão.
O artigo também aborda o impacto irreversível da globalização e da inteligência artificial no exercício da advocacia. O advogado solitário do passado, que pesquisava jurisprudência em livros e despachava pessoalmente com magistrados, deu lugar a um profissional conectado, capaz de protocolar, pesquisar e atender clientes de qualquer lugar do mundo com poucos comandos digitais. Para Fragoso, esse avanço trouxe eficiência, mas também intensificou uma competitividade muitas vezes desleal e excessivamente mercantil.
Um dos pontos centrais do texto é a mudança na relação entre advogados e o Judiciário. Embora reconheça os ganhos do processo eletrônico, o autor alerta para o distanciamento humano: juízes cada vez menos acessíveis, audiências filtradas por assessores e sustentações orais esvaziadas antes mesmo de serem plenamente ouvidas. Advogar, lembra ele, não é apenas protocolar petições, mas argumentar, convencer e exercer o direito de defesa em sua plenitude.
Fragoso demonstra cautela quanto à crescente midiatização da Justiça e à ampliação da publicidade profissional, defendendo limites claros para que a comunicação não se transforme em autopromoção vazia. No mesmo sentido, reconhece o papel auxiliar da inteligência artificial, mas é categórico ao afirmar que nenhuma tecnologia é capaz de substituir a sensibilidade humana indispensável à defesa de direitos.
Ao final, o artigo assume um tom quase manifesto. O autor convoca a advocacia a não assistir passivamente à erosão de sua função essencial à Justiça. Para ele, o resgate da profissão passa por uma consciência individual e coletiva, ancorada em três pilares indissociáveis: técnica, ética e cidadania. Dignidade, lealdade, honestidade e humanidade seguem sendo, ontem, hoje e amanhã, a alma inalterável da advocacia.
A publicação no Estado reacende um debate crucial para o meio jurídico e para a sociedade: como modernizar a advocacia sem perder sua essência? Em tempos de algoritmos, velocidade e exposição, Rui Celso Reali Fragoso lembra que ser advogado continua sendo, acima de tudo, um compromisso humano com a Justiça.
