
Zohran Mamdani: o primeiro prefeito muçulmano e socialista da história de Nova York
SÃO PAULO TV INTERNACIONAL
Por Samys Montanaro – Correspondente Internacional e no Brasil Bia Ciglioni efeito eleito de Nova York, Zohran Mamdani, discursa na região do Brooklyn Foto: Angelina Katsanis/AFP
Edição da Redação Internacional – São Paulo TV Broadcastin
Nova York vive um momento histórico. Pela primeira vez, a maior cidade dos Estados Unidos será governada por um prefeito muçulmano, nascido na África e assumidamente socialista democrático. Zohran Mamdani, de 34 anos, venceu as eleições com 50,4% dos votos e tornou-se símbolo de uma nova geração política — mais diversa, ousada e preocupada com o custo de vida que sufoca as grandes metrópoles globais.

Chamado por opositores como Donald Trump de “comunista lunático”, Mamdani é, para seus apoiadores, o rosto da esperança em uma cidade onde a desigualdade se tornou o principal inimigo. Filho da premiada cineasta indiana Mira Nair e do renomado professor de antropologia Mahmood Mamdani, o novo prefeito nasceu em Kampala, Uganda, viveu parte da infância na Cidade do Cabo e chegou aos Estados Unidos aos sete anos. Tornou-se cidadão americano apenas em 2018 — e agora assume o comando da capital financeira do mundo.
Um socialista democrático no comando da metrópole
Mamdani se define como um “socialista democrata” — uma linha política que busca equilibrar o mercado com políticas públicas fortes e inclusão social. Durante a campanha, ele surpreendeu ao propor ideias pouco convencionais para a política americana: congelar aluguéis para conter a explosão imobiliária, criar supermercados municipais com produtos a preços populares, oferecer ônibus gratuitos em toda a cidade e garantir creches sem custo para crianças de seis semanas a cinco anos.
Para viabilizar essas propostas, o novo prefeito defende taxar com 2% de imposto adicional os nova-iorquinos que ganham acima de 1 milhão de dólares anuais e elevar a alíquota de imposto corporativo para 11,5%. A meta é financiar programas sociais de moradia, educação e transporte sem comprometer a sustentabilidade fiscal da cidade.
Comunicação direta com os eleitores

Com uma campanha moderna e estratégica, Mamdani soube dialogar com diferentes públicos. Gravou vídeos em inglês, espanhol, urdu, bengali e árabe, participou de podcasts progressistas e conservadores, e viralizou nas redes ao entrevistar pessoas nas ruas sobre o peso do custo de vida. Essa comunicação direta e empática transformou um político até então desconhecido em uma figura popular, capaz de conquistar votos inclusive em bairros que haviam apoiado Donald Trump nas últimas eleições presidenciais.
“Descobrimos que, se ouvirmos mais e pregarmos menos, o Partido Democrata ainda pode reconectar-se às pessoas comuns”, disse Mamdani à rede MSNBC logo após sua vitória.
Entre polêmicas e promessas
O novo prefeito carrega também polêmicas. No passado, defendeu cortes no orçamento da polícia e foi crítico do governo israelense durante a guerra em Gaza, chamando o conflito de “genocídio”. Tais posições o colocaram sob fogo cruzado, especialmente diante da forte comunidade judaica de Nova York. Durante a campanha, ele suavizou o discurso e prometeu ampliar recursos para combater crimes de ódio e proteger todas as comunidades religiosas.
Ainda assim, Mamdani manteve sua defesa de uma economia mais justa e transparente. “Em uma cidade verdadeiramente justa, bilionários não deveriam existir”, declarou em um de seus comícios.

O impacto global de uma vitória local
A eleição de Zohran Mamdani representa mais que uma mudança política em Nova York — simboliza a ascensão de uma nova geração que enxerga a cidade como laboratório de justiça social, inovação urbana e diversidade. Jovem, multicultural e progressista, ele encarna a transformação de uma metrópole que busca se reinventar em meio às desigualdades crescentes e ao desafio de manter seus cidadãos em um ambiente cada vez mais caro e competitivo.
A vitória também reacende o debate dentro do Partido Democrata: o futuro da legenda será moldado pelos moderados tradicionais ou pela nova ala progressista que prega reformas econômicas profundas?
Um espelho para o mundo
Para o correspondente Samys Montanaro, da São Paulo TV Internacional, o fenômeno Mamdani desperta atenção global. “Nova York e São Paulo vivem dilemas semelhantes — habitação cara, transporte público sobrecarregado e desigualdade. Observar como Mamdani aplicará suas ideias progressistas pode inspirar novos caminhos para as metrópoles do século 21.”
Em um mundo cada vez mais urbano, a gestão do novo prefeito será um teste para o socialismo democrático moderno — e um espelho para cidades que buscam conciliar crescimento, inclusão e sustentabilidade.
Redação Internacional – São Paulo TV Broadcasting
Correspondente Internacional : Samys Montanaro
Edição: Chefia de Jornalismo – São Paulo TV
