
Valentino Garavani: o homem que transformou a elegância em linguagem universal
Da Redação da São Paulo Tv por Beatriz Ciglioni fotos e fontes internet
Poucos nomes na história da moda alcançaram o estatuto de sinônimo. Valentino não é apenas um estilista — é uma ideia de elegância, um código visual reconhecido em qualquer parte do mundo, uma assinatura que atravessou décadas sem jamais se submeter ao efêmero.

Nascido em Voghera, na Itália, Valentino Garavani construiu um império criativo a partir de um princípio simples e radical: a beleza não precisa gritar para ser eterna. Em um século marcado por rupturas, experimentalismos e choques estéticos, Valentino escolheu a precisão, a harmonia e o rigor quase arquitetônico da alta-costura.
Seu nome ficou indissociável do chamado rosso Valentino, um vermelho intenso que se tornou símbolo de sofisticação e poder feminino. Mais do que uma cor, tratava-se de uma afirmação estética: a mulher vestida por Valentino não precisava de excessos — bastava presença.
Ao longo de sua trajetória, vestiu primeiras-damas, atrizes, princesas e ícones culturais. Jackie Kennedy, Elizabeth Taylor, Sophia Loren e tantas outras encontraram em suas criações uma tradução perfeita entre força, delicadeza e autoridade. Valentino compreendeu cedo que moda também é narrativa política, social e emocional.
A maison Valentino, fundada em Roma, consolidou-se como uma das grandes casas da alta-costura mundial, dialogando com Paris sem jamais abandonar a identidade italiana. Suas coleções equilibravam tradição artesanal extrema — bordados feitos à mão, cortes milimétricos, tecidos raros — com uma leitura refinada do tempo presente.

Em 2008, Valentino despediu-se oficialmente das passarelas, em um desfile histórico no Museu Rodin, em Paris. Não foi um adeus melancólico, mas um gesto de controle absoluto sobre a própria história. Poucos criadores tiveram o privilégio de escolher o momento exato de sair, deixando intacta a coerência de uma obra.
Desde então, seu legado passou a ser administrado por novos diretores criativos, mas a essência permanece: elegância como disciplina, beleza como construção cultural, luxo como inteligência — e não ostentação.
Mais do que roupas, Valentino deixou uma gramática estética. Em um mundo acelerado, fragmentado e muitas vezes ruidoso, sua obra continua a lembrar que o verdadeiro luxo está na permanência, na forma correta, no silêncio bem desenhado.
Valentino não pertence apenas à moda. Pertence à história cultural do século XX e XXI — como um arquiteto do olhar, um guardião da elegância e um dos últimos grandes mestres de uma era em que criar era, antes de tudo, um ato de responsabilidade estética.
