
Um terço dos adolescentes brasileiros enfrenta transtornos mentais
Da Redação da São Paulo Tv fonte e ilustração jornalista Vanessa Gabrielli
Ansiedade, TDAH, depressão e dificuldade de aprendizagem afetam milhões de crianças e adolescentes — mas menos de 15% recebem atendimento adequado. A psicóloga Dra. Andrea Beltran reforça a importância de diagnóstico precoce, suporte familiar e intervenção escolar.

São Paulo, outubro de 2025 – Quando se fala em transtornos mentais, normalmente o foco recai sobre adultos. Mas estudos recentes mostram que esses quadros — como ansiedade, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), depressão e dificuldades de aprendizagem — também impactam de forma expressiva crianças e adolescentes no Brasil.
Um estudo nacional revela que aproximadamente 30% dos adolescentes entre 12 e 17 anos apresentam algum tipo de transtorno mental, com taxas mais elevadas entre meninas (38,4 %) do que entre meninos (21,6 %). Mesmo em outro levantamento em comunidade da periferia da Região Metropolitana de São Paulo, constatou-se que até 24,6% das crianças e adolescentes de 6 a 17 anos tinham problemas de saúde mental — mas apenas cerca de 7% desses receberam tratamento.
Embora os percentuais variem entre estudos, estudos de base populacional apontam que o acesso ao atendimento é extremamente limitado. Por exemplo, uma pesquisa identificou que apenas cerca de 19,8% dos adolescentes com “common mental disorders” buscaram serviços de saúde mental no Brasil.
Outro estudo revelou prevalência de condições mentais em adolescentes (12-17 anos) de 17,1% em análise escolar.
Em suma: há um problema relevante, persistente e com graves implicações para o futuro desses jovens.
A Dra. Andrea Beltran, psicóloga especializada em infância e adolescência, chama atenção para o fato de que “muitos sintomas em crianças são interpretados como ‘birra’ ou fase — o risco é perder a janela de intervenção precoce que faz a diferença no desenvolvimento”. Ela explica que “a psicologia não substitui o cuidado médico, quando necessário, mas complementa: atuamos no contexto familiar, nas rotinas diárias e no desenvolvimento de habilidades que reduzem recaídas e melhoram a adaptação escolar”.
Por que a questão é urgente?
- Os transtornos mentais na infância e adolescência associam-se a pior desempenho escolar, isolamento social, dificuldades de aprendizagem e risco de cronificação (quando a condição se torna persistente).
- O acesso ao cuidado especializado no Brasil é insuficiente, o que gera atrasos no diagnóstico, maior risco de agravar o quadro e custos elevados para crianças, famílias e sociedade. Uma parte expressiva dos jovens não chega a ser atendida por serviços de saúde mental. Psychiatry Online+1
- As escolas, que convivem diariamente com crianças e adolescentes, têm papel estratégico: identificação de sinais de alerta, rotina escolar adaptada, comunicação família-escola, ambiente de apoio emocional.
Dra. Beltran reforça: “Investir em detecção precoce nas escolas e na formação de professores é a forma mais eficiente de evitar que transtornos infantis se tornem crônicos na vida adulta.”
O que pais e cuidadores podem fazer
Mudanças simples no cotidiano já ajudam bastante: observar se há alterações persistentes de humor, isolamento, recusa escolar ou sono alterado; limitar tempo de tela; manter rotina de sono; incentivar diálogo aberto sobre emoções. Quando há identificação de um possível transtorno, a intervenção psicológica inclui:
- avaliação especializada,
- terapia para regulação emocional,
- trabalho envolvendo a família,
- e integração com tratamento médico, quando necessário.
“Quando a psicologia se envolve cedo, não estamos apenas controlando sintomas — estamos fortalecendo o desenvolvimento emocional, reduzindo impactos sociais e escolares e promovendo qualidade de vida”, destaca a psicóloga.
Caminhos e desafios para o Brasil
A atenção ao tema de transtornos mentais na infância e adolescência deve ser entendida como imperativo de saúde pública. Investir em diagnóstico precoce, suporte familiar, formação de professores e intervenção psicológica integrada não melhora apenas o desenvolvimento emocional e escolar das crianças — reduz impactos sociais e custos futuros para a sociedade.
O Brasil já dispõe de estudos que sustentam essa urgência. Por exemplo, uma pesquisa entre adolescentes brasileiros apontou prevalência de “common mental disorders (CMDs)” de 30%, com 38,4% entre meninas.
Mas ainda faltam dados amplos e integrados sobre todas as faixas etárias, acesso ao tratamento e eficácia de intervenções escolares no país.
