
Tristezas e alegrias na metrópole
*José Renato Nalini
Voltando do jogo final da Super Liga de volley, entrei na rua Rodolfo Troppmair. Ele foi figura atuante na comunidade paulistana de ascendência alemã no início do século passado. É conhecido por um episódio de solidariedade com o Cônego Valois, que apoiou um alemão num período de tensões. Ruazinha calma e tranquila, bem arborizada
Mas o seu conjunto de pequenas residências já ostentava duas placas, uma no início, outra no fim da rua: futuro empreendimento de uma das inúmeras construtoras que estão conferindo nova configuração à capital.
É aquilo que meu querido amigo e confrade Ignácio de Loyola Brandão lamenta: residências unifamiliares com no máximo quatro pessoas, são substituídas por edifícios cada vez mais altas, com mais de oitocentas ou até mil e quinhentos moradores. Cada qual com seu carrinho para envenenar ainda mais a cidade.
O pior é que os novos prédios não têm jardins, nem recuos verdes. É o aproveitamento máximo de cada centímetro quadrado. Será que a poderosa indústria da construção civil não poderia compensar essa inundação de soluções baseadas no concreto, ferro e aço, com a multiplicação de áreas verdes onde ainda for possível? Nada a opor ao adensamento paulistano, mas com a obrigação de investir também no plantio de microflorestas, de parques, de jardins de chuva, de vagas e telhados verdes.
Quando se assiste e se participa de eventos como o plantio da OAB em Pinheiros, reacende a esperança de que São Paulo ainda possa ter um futuro mais verde, mais resiliente e mais compatível com a qualidade de vida que aspiramos para nós e para nossos descendentes.
Pensemos nisso. Exijamos compromisso maior de quem está lucrando com a cidade, do que apenas mostrar que o negócio só visa lucro. Há uma responsabilidade socioambiental que precisa ser preservada, assim como o pouco que resta de espaço verdadeiramente aprazível nesta complexa e encantadora pauliceia.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

