
Tornado devasta Rio Bonito do Iguaçu (PR): 5 mortos, 432 feridos e 10 mil pessoas afetadas — a força da natureza diante de um Brasil em colapso climático
Reportagem Especial – Redação da São Paulo TV Broadcasting Por Walter Westhfal do Sul Imagens e videos Uol Tornado atinge Rio Bonito do Iguaçu (PR) e causa estragos no município; veja vídeos
Rio Bonito do Iguaçu, Paraná — O Brasil amanheceu diante de uma das maiores tragédias climáticas já registradas no país. Um tornado de alta intensidade, originado por uma tempestade supercélula, atingiu o município de Rio Bonito do Iguaçu, no centro-oeste do Paraná, destruindo metade da área urbana e deixando um cenário de devastação total. A Defesa Civil atualizou os números: 5 pessoas morreram, 432 ficaram feridas, 28 estão desabrigadas, cerca de 1.000 permanecem desalojadas e o total de afetados chega a 10.000 moradores. Aproximadamente 50% da área urbana foi destruída. A cidade segue sem energia elétrica e sem comunicação em vários bairros. O vento, que superou 250 km/h, arrancou telhados, destruiu prédios públicos, escolas e comércios, derrubou torres elétricas, capotou veículos e bloqueou vias com a queda de árvores e postes. A prefeitura decretou situação de emergência.

O fenômeno foi causado por uma supercélula — o tipo mais perigoso de tempestade atmosférica. De acordo com o Simepar (Sistema de Monitoramento Ambiental do Paraná), o tornado foi classificado inicialmente como categoria F2, com ventos entre 180 e 250 km/h, mas a extensão dos danos pode levar a sua reclassificação para F3, quando os ventos ultrapassam 250 km/h. Tornados dessa magnitude são capazes de destruir prédios inteiros e arremessar veículos.

Imagens divulgadas pela Defesa Civil mostram casas completamente destruídas, estruturas comerciais colapsadas e carros revirados como brinquedos. “Mais de 50% da zona urbana foi afetada. Houve colapsos estruturais, destelhamentos totais e danos severos à rede elétrica”, informou a Defesa Civil. Equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Defesa Civil trabalham em regime de força-tarefa. Quarenta agentes adicionais foram deslocados de outras regiões do Estado para reforçar as buscas por vítimas e auxiliar na triagem de feridos. Os atingidos estão sendo encaminhados para hospitais de Laranjeiras do Sul, Cascavel e Guarapuava.

O governador Ratinho Júnior confirmou em vídeo divulgado nas redes: “Foi um tornado de nível 3, com ventos que passam de 250 km/h. Infelizmente tivemos mortes e muitos feridos.” Ele afirmou que outras cidades vizinhas, como Candói e Guarapuava, também sofreram danos significativos.
A combinação de fatores climáticos que originou o tornado reuniu ar extremamente quente e úmido vindo da Amazônia, o avanço de uma frente fria com baixa pressão atmosférica e o deslocamento de um ciclone extratropical pelo Sul e Sudeste do país. Essa interação forma o cenário perfeito para tornados: o ar quente sobe rapidamente, o ar frio desce com força e se cria uma coluna de rotação na atmosfera. Antes considerados eventos raros no Brasil, tornados deste porte estão se tornando mais frequentes.

Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), a temperatura média global já aumentou 1,3 °C desde a era pré-industrial. Com mais calor, a atmosfera retém mais energia — e a energia vira destruição. No Brasil, o CEMADEN registrou mais de 1.400 desastres climáticos nos últimos dois anos. Na Região Sul, tempestades severas aumentaram 140% desde a década de 1980, segundo o INPE. Nos últimos 36 meses, mais de 30 tornados foram registrados no Sul do país.
O climatologista Carlos Nobre resume a situação de forma contundente: “Não é o clima que está mudando. É o planeta inteiro que já mudou.”
Enquanto Rio Bonito do Iguaçu era destruída, o Sudeste estava em alerta para ventos de até 115 km/h, o Rio Grande do Sul enfrentava enchentes devido a um ciclone extratropical, e o Norte e Nordeste atravessavam ondas de calor e estiagem extrema. O país vive, ao mesmo tempo, extremos opostos: tempestades violentas e seca histórica. A Organização Meteorológica Mundial já classifica o Brasil como área de “risco climático acelerado”.
A reconstrução de Rio Bonito do Iguaçu será longa. A reconstrução do equilíbrio climático, ainda mais. Desastres como este não são fatalidades da natureza. São resultado de desmatamento, urbanização desordenada e emissões de gases de efeito estufa. Quando o homem rompe o equilíbrio do ecossistema, a natureza reage. E reage com violência.
A São Paulo TV continuará acompanhando a situação com atualizações oficiais de Defesa Civil, Simepar, CEMADEN, INMET e INPE. A crise climática já não é um problema do futuro — é um problema do presente, e está custando vidas.
Redação Especial – São Paulo TV Broadcasting
Direção de Jornalismo
