O setor de telecomunicações brasileiro encerrou 2025 com um dado que não passa despercebido nos corredores da economia global: US$ 7,44 bilhões (R$ 39,1 bilhões) em investimentos estrangeiros diretos, segundo dados do Banco Central analisados pelo Ministério das Comunicações. O volume representa um crescimento de 20,4% em relação a 2024, quando o setor havia recebido US$ 6,17 bilhões (R$ 32,4 bilhões).
Traduzindo esse número para o cotidiano: foram, em média, mais de R$ 107 milhões por dia aplicados na infraestrutura digital do país ao longo do ano passado.
Não se trata apenas de capital. Trata-se de confiança.
Brasil no radar global
De acordo com o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, o crescimento confirma o protagonismo brasileiro no cenário internacional.
“Esse crescimento mostra que o mundo está olhando para o nosso país como um ambiente seguro e promissor para investir. A conectividade é hoje infraestrutura essencial, e os investimentos no setor significam mais acesso, mais desenvolvimento e mais oportunidades para a população brasileira”, afirmou o ministro.
Infraestrutura digital hoje ocupa o mesmo patamar estratégico que energia e transporte ocuparam no século XX. Sem conectividade robusta, não há economia digital, não há inovação, não há competitividade internacional.
5G: expansão acelerada
O impacto dos investimentos já se reflete na expansão do 5G no território nacional.
Em dezembro de 2023, a tecnologia estava presente em 352 municípios. Em 2026, o número já supera 1.300 cidades. Trata-se de um salto que altera profundamente a dinâmica econômica local — do agronegócio à indústria, dos serviços à educação.
O 5G não é apenas “internet mais rápida”. Ele permite automação industrial avançada, telemedicina com baixa latência, cidades inteligentes e integração de sistemas logísticos em tempo real.
Norte e Nordeste Conectados
Programas estruturantes também ajudam a explicar o avanço. As iniciativas Nordeste Conectado e Norte Conectado levam infraestrutura de alta capacidade a 20 cidades em seis estados, beneficiando até 490 mil estudantes.
Os projetos já conectaram:
473 escolas
62 instituições de ensino e pesquisa
Diversas praças públicas com redes Wi-Fi
Conectividade, nesse contexto, deixa de ser luxo tecnológico e passa a ser ferramenta de inclusão social.
Redução de desigualdades
O investimento estrangeiro no setor de telecomunicações tem um efeito multiplicador. Ao ampliar cobertura em áreas remotas, reduz-se a desigualdade regional, abre-se espaço para novos negócios e cria-se ambiente para inovação local.
Quando uma cidade interiorana passa a ter banda larga de qualidade, ela pode atrair startups, ampliar ensino a distância, modernizar serviços públicos e integrar sua produção ao mercado nacional e internacional.
É infraestrutura invisível, mas transformadora.
Base do crescimento econômico
O Brasil vive um momento em que digitalização deixou de ser tendência e tornou-se necessidade estrutural. Bancos digitais, comércio eletrônico, indústria 4.0, inteligência artificial e serviços baseados em dados exigem redes cada vez mais robustas.
Os números de 2025 sinalizam que o país está sendo visto como plataforma relevante nesse processo.
Investimento estrangeiro não é apenas capital externo entrando. É um termômetro. E quando ele sobe, o mundo está dizendo algo claro: o Brasil está no mapa da nova economia digital.
A próxima etapa será garantir que esse fluxo de recursos continue se convertendo em qualidade de serviço, universalização do acesso e geração de empregos tecnológicos — porque conectividade não é só sinal de celular. É o alicerce silencioso do desenvolvimento no século XXI.