
Tarcísio de Freitas inicia missão na Alemanha em busca de transporte inteligente e energia verde
Da São Paulo Tv Editoria da Europa por Samys Montanaro

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, iniciou nesta segunda-feira (2), em Mannheim, a missão internacional do Governo do Estado na Alemanha com foco em inovação logística, transporte intermodal e transição energética. Ao lado do secretário estadual de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini, o governador se reuniu com executivos da Contargo, empresa especializada em transporte trimodal de contêineres.
No centro da agenda esteve o modelo conhecido como logística “hinterland” — sistema que conecta portos marítimos ao interior dos países por meio da integração entre modais fluvial, ferroviário e rodoviário. O terminal visitado em Mannheim conta com quatro linhas férreas, quatro atracadouros e quatro guindastes, operando próximo ao segundo maior pátio ferroviário da Alemanha.

A Contargo atua no transporte entre portos alemães, a região metropolitana de Reno-Neckar e o interior europeu. A empresa também investe em soluções de descarbonização, como barcaças híbridas e eletrificação por baterias modulares, alinhadas às metas europeias de neutralidade climática.
“É fundamental estabelecermos uma troca efetiva com o mercado alemão, que é o principal parceiro comercial de São Paulo na Europa. Trata-se de uma das economias mais inovadoras do mundo, referência em engenharia e economia verde”, afirmou o governador.
Logística estratégica e posição global
A Alemanha é hoje o maior parceiro comercial europeu de São Paulo, com forte presença nos setores industrial, automotivo e tecnológico. A aproximação com modelos logísticos de alta eficiência ocorre em um momento em que o Estado paulista busca consolidar sua posição como hub estratégico de exportação e integração produtiva na América Latina.
O conceito de terminal trimodal — combinando transporte fluvial, rodoviário e ferroviário — reduz custos operacionais, emissões de carbono e congestionamentos urbanos. Em termos práticos, isso significa menos caminhões nas estradas, maior previsibilidade de entrega e menor impacto ambiental.
Para São Paulo, cuja infraestrutura envolve o Porto de Santos, malhas ferroviárias em expansão e programas de concessão e PPPs, o intercâmbio técnico com a Alemanha pode acelerar projetos voltados à modernização logística e à eficiência energética.
Próximos compromissos
Nesta terça-feira (3), a comitiva paulista participa do fórum “German-Brazilian Intercontinental Dialogues – Regulation & Investment 2026”, realizado na Universidade Goethe, em Frankfurt. O governador integrará painel sobre transporte e logística, destacando o papel de São Paulo como plataforma estratégica para investimentos europeus.
Na quarta-feira (4), a agenda inclui visita ao supercomputador Jupiter, no Centro de Supercomputação de Jülich — uma das máquinas mais rápidas do mundo, utilizada para treinamento de modelos avançados de inteligência artificial. A aproximação com centros de alta tecnologia integra a estratégia paulista de inovação e digitalização da gestão pública.
O encerramento da missão, na quinta-feira (5), prevê encontro com a Andritz, companhia austríaca que fabrica eletrolisadores para produção de hidrogênio verde — tecnologia considerada peça-chave na transição energética global.
Entre infraestrutura e sustentabilidade
A missão internacional combina dois eixos centrais: eficiência logística e descarbonização. Em um mundo pressionado por cadeias produtivas instáveis e metas climáticas rigorosas, integrar transporte de alta performance com energia limpa deixou de ser tendência e passou a ser necessidade estratégica.
Para São Paulo, que responde por cerca de um terço do PIB brasileiro, a equação é clara: competitividade global exige infraestrutura moderna, inteligência tecnológica e compromisso ambiental.
Quando um estado olha para Mannheim, Frankfurt e Jülich, não está apenas fazendo diplomacia econômica — está tentando aprender com sistemas que transformaram engenharia em vantagem competitiva. A pergunta que fica não é se São Paulo pode se inspirar nesses modelos, mas quão rapidamente conseguirá adaptá-los à sua própria escala continental.
