
Tarcísio de Freitas escolhe o médico Aluísio Segurado como novo reitor da USP e sinaliza gestão comprometida com inovação, ciência e autonomia universitária
Da Redação da São Paulo Tv fonte e fotos Secom
A maior universidade da América Latina inicia um novo ciclo. O governador Tarcísio de Freitas nomeou o médico e professor Aluísio Segurado como novo reitor da Universidade de São Paulo (USP), decisão que será oficializada no Diário Oficial ainda nesta semana. Segurado foi o candidato mais votado na eleição interna realizada pela própria instituição, confirmando uma tradição histórica: o governador respeitar o primeiro colocado da lista tríplice enviada pela reitoria.

A posse está marcada para 25 de janeiro de 2026, quando Segurado assume o comando de uma universidade com orçamento superior a R$ 9 bilhões e desafios estratégicos que passam por financiamento, inovação, modernização do ensino e defesa da autonomia universitária — uma marca das instituições estaduais paulistas desde 1989.
A escolha de Tarcísio reforça uma sinalização política importante: manter o diálogo estreito com a comunidade científica e preservar a estabilidade do ecossistema universitário paulista, considerado referência no hemisfério sul.
Logo após ser informado do resultado da eleição interna, Segurado afirmou que a vitória foi resultado de uma proposta “coerente, de futuro e com forte identidade acadêmica”. A chapa vencedora tem como vice-reitora a engenheira Liedi Légi, primeira mulher a dirigir a Escola Politécnica, outro marco na história da USP.
Segurado, de 68 anos, tem carreira profundamente ligada à instituição. Formou-se em Medicina pela USP em 1980, atuou como voluntário em Marabá (PA), o que despertou seu interesse por doenças infecciosas, e seguiu trajetória acadêmica completa: mestrado, doutorado e extensa produção científica. Infectologista, ele se destacou em pesquisas sobre retrovirologia e HIV, participando diretamente das políticas de enfrentamento da epidemia no Brasil.
Durante a pandemia de covid-19, comandou o Instituto Central do Hospital das Clínicas, liderando operações que envolveram médicos, voluntários, pesquisadores, engenheiros e laboratórios. Foi desse esforço que surgiram desde soluções emergenciais de atendimento até o desenvolvimento de novos respiradores, em um dos momentos mais desafiadores da história recente da saúde pública.
Segurado também ocupou o cargo de pró-reitor de Graduação na atual gestão, com forte atuação na modernização curricular. Em entrevistas ao Estadão, defendeu mudanças nas formas de avaliação estudantil, especialmente diante do uso crescente de inteligência artificial. Para ele, avaliações precisam ser “mais dinâmicas, aplicadas em sala de aula, baseadas em resolução de problemas”, superando o modelo tradicional de trabalhos entregues no fim do semestre.
O novo reitor herda questões complexas, sobretudo o financiamento da universidade. Com a reforma tributária, o ICMS será gradualmente substituído a partir de 2026. Desde 1989, USP, Unesp e Unicamp recebem 5% da arrecadação do ICMS — parcela diretamente responsável pela autonomia financeira que permitiu o desenvolvimento científico sem interrupções. A partir de agora, será necessário discutir com o governo estadual um novo modelo de repasse.
Segurado reconhece que essa autonomia é um dos pilares do sucesso da ciência paulista. “Ela é única no País e responsável pelo desenvolvimento do ecossistema de ciência e tecnologia”, afirmou. Ele também vê oportunidade histórica com a recente contratação de mais de 900 novos professores, a maior renovação do quadro docente em uma década, permitindo a entrada de pesquisadores jovens e engajados em temas como IA, inovação pedagógica e interdisciplinaridade.
A São Paulo TV seguirá acompanhando os desdobramentos da nomeação e o início da nova gestão na reitoria da USP — uma gestão que se inicia com o aval do governador Tarcísio de Freitas e com a expectativa de fortalecimento da relação entre universidade, sociedade e Estado de São Paulo.
