
São Paulo assume liderança climática rumo à COP30: Nalini afirma que “ética ambiental é a nova gramática da civilização” e revela como a cidade transformou discurso em ação
REPORTAGEM ESPECIAL / DIRETORIA DE JORNALISMO – SÃO PAULO TV BROADCASTING
A São Paulo TV Broadcasting inicia uma série histórica de entrevistas especiais rumo à COP30 — a conferência climática mais importante desde o Acordo de Paris. Esta cobertura nasce de uma parceria institucional entre a Diretoria de Jornalismo da São Paulo TV e a SECLIMA – Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas da Prefeitura de São Paulo.
À frente da SECLIMA está o Desembargador José Renato Nalini, ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, jurista, professor, escritor com mais de 60 livros publicados e membro de instituições como Academia Paulista de Letras e Academia Paulista de Direito. Nalini é uma das referências mais respeitadas em ética, sustentabilidade e formação cidadã no Brasil.
Em sua gestão à frente da SECLIMA, o Desembargador José Renato Nalini transformou a cidade de São Paulo em um laboratório vivo de políticas climáticas permanentes — e nada disso seria possível sem o apoio decisivo e a visão estratégica do prefeito Ricardo Nunes. Nunes é o gestor público que visualiza, apoia e divide com Nalini cada etapa dessa agenda, entendendo que sustentabilidade não pode ser apenas discurso: deve ser ação de governo com resultados mensuráveis. Sob essa parceria institucional, a cidade implantou o PlanClima SP, inovou ao criar o Orçamento Climático, realizou a maior agenda de reflorestamento urbano recente — com mais de 120 mil árvores plantadas —, acelerou a descarbonização do transporte público com mais de mil ônibus elétricos, fortaleceu a infraestrutura verde e consolidou São Paulo nas principais redes internacionais de clima, como C40, ICLEI e o Pacto Global de Prefeitos pelo Clima. É uma governança compartilhada, na qual Nunes define a prioridade, e Nalini entrega os resultados.
São Paulo não está apenas se preparando para a COP30. Está se tornando referência mundial.
A seguir, a entrevista na íntegra.
- ÉTICA E CIVILIZAÇÃO
Desembargador, o senhor costuma afirmar que “a ética ambiental é a nova gramática
da civilização”. Como traduzir esse princípio em políticas públicas concretas numa metrópole como São Paulo?
Resposta:
Desembargador José Renato Nalini – Ética, a ciência moral do comportamento em sociedade é a única matéria-prima da qual o Brasil é carente. Mais ética resolveria quase que inteiramente os problemas enfrentados por esta Nação. A receita é conscientizar a população de que o maior
desafio já enfrentado pela humanidade está nas emergências climáticas e que, se não
houver escala nas respostas – isso depende da participação de TODOS, sem exceção –
a catástrofe em curso não será evitada. Será um verdadeiro ecocídio, infração penal já
inserida em várias legislações estrangeiras. - A CIDADE COMO PROTAGONISTA
Quais são os eixos centrais da atuação da SECLIMA para que São Paulo consolide o
protagonismo climático urbano e inspire outras capitais latino-americanas?
Resposta:
Desembargador José Renato Nalini – A cidade de São Paulo consolida seu protagonismo climático urbano por meio de uma governança estruturada em bases institucionais sólidas e de uma atuação integrada e estratégica liderada pela Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas (SECLIMA).
Vinculada diretamente ao Gabinete do Prefeito, a SECLIMA é uma das primeiras
secretarias do país criadas especificamente para coordenar políticas climáticas,
assegurando que o tema ocupe posição central na agenda municipal de
desenvolvimento sustentável e equidade territorial.
Os eixos centrais de atuação da SECLIMA se apoiam principalmente em pilares de
governança e planejamento climático, implementação de ações setoriais de mitigação
e adaptação, e cooperação e liderança em redes internacionais.
No eixo de governança, São Paulo se destaca por possuir um arcabouço legal robusto e
continuamente aprimorado, que garante segurança institucional e respaldo técnico às
políticas climáticas do município. Entre os principais marcos estão a Política Municipal
de Mudança do Clima (Lei 14.933/2009), uma das primeiras do país; a criação do
COMFROTA (Decreto 58.323/2018), que acompanha a substituição da frota por
alternativas menos poluentes; e o Plano de Ação Climática de São Paulo – PlanClima SP
(Decreto 60.289/2021), que orienta a cidade rumo à neutralidade de emissões até 2050.
No eixo de implementação, a SECLIMA realiza o monitoramento e acompanhamento
dos órgãos municipais e parceiros para transformar metas em ações concretas — desde
a redução de emissões no transporte e na energia até a ampliação de áreas verdes e o
fortalecimento da resiliência urbana frente aos eventos extremos.
Por fim, no eixo de cooperação internacional, São Paulo reafirma seu papel de liderança
ao integrar redes e coalizões globais, como o C40 Cities, o ICLEI – Governos Locais pela
Sustentabilidade e o Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e a Energia, que ampliam a
capacidade técnica, a troca de experiências e o reconhecimento da cidade como
referência latino-americana em governança climática urbano. - INTEGRAÇÃO DE SECRETARIAS
Como a SECLIMA tem articulado ações conjuntas com pastas como Verde e Meio
Ambiente, Subprefeituras, Saúde e Obras, de forma a transformar sustentabilidade
em política transversal de governo?
Resposta:
Desembargador José Renato Nalini – A SECLIMA atua para integrar a variável climática às políticas municipais, tornando a sustentabilidade um eixo transversal da gestão pública. O principal instrumento dessa articulação é o Plano de Ação Climática de São Paulo (PlanClima SP), que define metas e responsabilidades para setores como transporte, energia, resíduos, habitação, saúde
e infraestrutura urbana.
Por meio de reuniões técnicas, comitês temáticos e monitoramento contínuo, a
SECLIMA articula ações conjuntas com secretarias como Verde e Meio Ambiente,
Subprefeituras, Saúde e Obras, promovendo a convergência entre políticas de mitigação
e adaptação. Essa governança colaborativa fortalece a capacidade de São Paulo em
enfrentar os desafios climáticos e consolidar uma cidade mais resiliente e sustentável. - Educação e mudança cultural
O senhor é professor e defensor histórico da educação ambiental. Que papel o ensino e
a formação cidadã desempenham na construção de uma cultura ecológica duradoura?
Resposta:
Desembargador José Renato Nalini – Embora a própria Constituição preveja a educação ambiental, no artigo 225 e suas disposições, em regra inclui-se uma disciplina “Educação Ambiental” no currículo, quase sempre eletiva, não obrigatória e isso não produz efeito. A educação ambiental
deve ser formal e informal, em todos os níveis e atingir a totalidade da população. Por
exemplo: é inadmissível que São Paulo produza, diariamente, mais de quinze mil
toneladas de resíduos sólidos. Isso é um atestado da falta de educação de berço, não
necessariamente ambiental. Mas uma educação ambiental de qualidade faria com que
fosse outro o comportamento da sociedade: consumir menos, desperdiçar menos e
separar o descarte de acordo com sua destinação. Resíduo orgânico de um lado, outros
resíduos do outro. - GOVERNANÇA E TECNOLOGIA
Como as ferramentas de monitoramento, dados geoespaciais e inteligência artificial
estão sendo utilizadas pela SECLIMA para aprimorar o planejamento e o combate às
vulnerabilidades climáticas?
Resposta:
Desembargador José Renato Nalini – A SECLIMA tem investido no uso integrado de ferramentas de monitoramento, dados geoespaciais e tecnologias de inteligência artificial para fortalecer o planejamento climático e aprimorar o enfrentamento das vulnerabilidades urbanas.
O Sistema de Monitoramento e Acompanhamento Estratégico, utilizado também pelo
Programa de Metas da Cidade, permite acompanhar o cumprimento das metas do Plano
de Ação Climática de São Paulo (PlanClima SP) e consolidar, em uma única plataforma,
informações provenientes de diferentes planos setoriais e intersetoriais. Essa
integração amplia a transparência e a base técnica para a tomada de decisão.
Paralelamente, o uso de ferramentas geoespaciais, como o GeoSampa e o
SampaClima, possibilita o cruzamento de dados climáticos, ambientais e
socioeconômicos, identificando com maior precisão dados dos territórios mais
vulneráveis a eventos extremos, como ondas de calor e inundações. - JUSTIÇA CLIMÁTICA E DESIGUALDADE URBANA
De que maneira a agenda climática pode — e deve — enfrentar a desigualdade social,
reduzindo as assimetrias territoriais que ainda marcam a capital paulista?
Resposta:
Desembargador José Renato Nalini – Enfrentar as desigualdades territoriais é um dos pilares da agenda climática de São Paulo. A SECLIMA atua para que o enfrentamento às mudanças climáticas também promova justiça social e territorial, orientando políticas públicas que priorizem os
territórios e grupos mais vulneráveis.
O principal instrumento dessa atuação é o Plano de Ação Climática de São Paulo
(PlanClima SP), que integra dados sobre impactos climáticos — como ondas de calor e
inundações — a indicadores de vulnerabilidade social, permitindo identificar onde
riscos ambientais e desigualdades se sobrepõem. A partir dessas evidências, o
PlanClima orienta ações conjuntas de mitigação e adaptação em diferentes secretarias,
fortalecendo a resiliência urbana e o direito à cidade.
Em 2025, o plano passa por um processo de revisão voltado à atualização de metas e à
integração com outros planos municipais, ampliando sua capacidade de promover
equidade territorial.
Outro avanço é o orçamento climático de São Paulo, desenvolvido em alinhamento ao
Programa de Metas, que permitirá mapear os investimentos municipais voltados à
agenda climática. Como o programa define metas regionais por distrito, será possível
direcionar recursos de forma mais justa, fortalecendo a efetividade das políticas e a
redução das assimetrias urbanas diante da crise climática. - Legislação e políticas permanentes
O senhor tem defendido que a sustentabilidade precisa deixar de ser um “projeto de
governo” e se tornar um projeto de Estado. Como institucionalizar essa visão na
legislação municipal e estadual?
Resposta:
Desembargador José Renato Nalini – O Prefeito RICARDO NUNES já entendeu isso, tanto que criou a Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas, determinou a elaboração do Orçamento Climático, leva a sério a questão ecológica em tudo aquilo que o maior Município do Brasil realiza. Em São Paulo,
a sustentabilidade é uma política permanente, qual verdadeiro projeto de Estado, não
de um governo. - Espiritualidade e meio ambiente
Sua trajetória une humanismo e espiritualidade. O senhor acredita que a crise climática
também é uma crise de valores éticos e espirituais da humanidade?
Resposta:
Desembargador José Renato Nalini – Sim. É eloquente que o negacionismo, o ceticismo e o cinismo ainda vigorem e façam com que a maior parte da sociedade ainda não se compenetre do perigo que está correndo e da concreta possibilidade de eliminar qualquer espécie de vida no planeta.
Mais transcendência e menos materialismo, mais ética e menos insensibilidade, mais
educação e menos superficialidades estéreis, ajudariam o mundo a reencontrar o
caminho para a adaptação das cidades e para a restauração da esperança. - O discurso do presidente Lula
Na abertura da Cúpula do Clima em Belém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
declarou que “a COP30 será a COP da verdade” e que “a justiça climática é aliada do
combate à fome e à pobreza”.
Como o senhor avalia o alcance político e moral desse discurso? De que modo ele
dialoga com a missão de São Paulo como cidade-laboratório da sustentabilidade
brasileira?
Resposta: Desembargador José Renato Nalini – Todo pronunciamento oficial gera consequências. Mas o importante é fazer com que o discurso se traduza em políticas públicas efetivas, não incoerentes e destinadas a salvar o planeta, começando pelos biomas brasileiros, todos eles seriamente ameaçados e em contínua devastação. A Justiça Climática, tenho a esperança, fará com que os discursos se convertam em práticas, pois Estados e empresas poderão ser sancionados por infrações ambientais. O direito ao clima saudável é direito fundamental de uma dimensão inconfundível e exigível por qualquer pessoa. - Carta São Paulo e legado
O senhor será uma das principais vozes na Carta São Paulo – Manifesto Pela Vida,
documento que encerrará a série. Que princípios não podem faltar nesse texto? Qual é,
em sua visão, o verdadeiro legado que São Paulo pode oferecer à COP30 e ao mundo?
Resposta:
Desembargador José Renato Nalini – O legado de São Paulo está naquilo que foi realizado durante este ano. Descarbonização de fato, com mais de mil ônibus elétricos. Centenas de caminhões movidos a biometano. Grande plantio de árvores, mais de 120 mil. Bosques urbanos. Ilhas e jardins de chuva. Vagas Verdes. Ampliação da área com cobertura vegetal. Efetiva transição energética. Eficiencia energética nos próprios municipais. Multiplicação das ciclovias.
Incentivo ao uso do transporte coletivo. Instalação de placas voltaicas. Transporte aquoviário, Plano Hidrográfico de SP, hortas urbanas, inúmeros eventos de conscientização, que fizeram com que a Academia, o Empresariado, a Universidade, a Igreja, o Terceiro Setor e entidades da sociedade civil de dispusessem a pensar o que é COP30 e o que ela significa para São Paulo. O fato de a COP se encerrar no dia 21 não levará a SECLIMA a deixar de atuar em benefício da desfossilização na maior cidade brasileira. Mais do que textos, temos a oferecer entregas concretas.
Este conteúdo é produzido pela Direção da Redação Especial – Diretoria de Jornalismo da São Paulo TV, liderada por Beatriz Ciglioni, com atuação integrada das seguintes equipes:
Jornalismo: Benê Corrêa e Walter Westphal
Produção Científica (Conteúdo Estrutural, Jurídico e Social): Dra. Angélica Carvasan, Dr. Luciano Caparroz Santos, Dr. Alberto Oliveira, Eng. Marcos Mendes Martins
Produção de Imagem e Conteúdo Visual: Lis Ciglioni e Arilson Soares
Redes Sociais: Dimas Jr.
Redação Especial – São Paulo TV Broadcasting
Cobertura Oficial da Semana COP30 – Edição São Paulo
📍 https://saopaulotvbroadcasting.com.br
APOIO INSTICIONAL CONTEUDO CIENTIFICO
AOL Advogados Associados
(11)982240840

- REALIZAÇÃO OFICIAL
✅ São Paulo TV Broadcasting
✅ SECLIMA – Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas da Prefeitura de São Paulo
Este não é apenas um evento.
É o nascimento de um movimento nacional.
E São Paulo está na linha de frente.
A história começa aqui.
Apoio institucional para serie de reportagens Maxlog leia a matéria Resíduos, clima e cidades inteligentes: o verdadeiro teste do Brasil na COP30 – São Paulo Tv Broadcasting
