
Ricardo Nunes eterniza Mauricio de Sousa: São Paulo transforma a Turma da Mônica em patrimônio cultural da cidade – quando a cidade abraça o criador dos nossos sonhos
Especial Cultura da São Paulo Tv por Beatriz Ciglioni e jornalista Bene Corres imagens e vídeos redes sociais Nunes e Acervo da Internet Mauricio de Souza Stories • Instagram

Há momentos na vida de uma cidade que não são apenas cerimônias — são abraços coletivos. Nesta segunda-feira, São Paulo abraçou um dos maiores criadores da história do país. A cerimônia que sancionou a lei tornando a obra de Mauricio de Sousa Patrimônio Cultural Imaterial não foi apenas um ato administrativo; foi um gesto de gratidão pública, de memória viva e de reconhecimento ao artista que fez parte da infância de quase todos nós.
Mauricio é um daqueles homens que marcam épocas. Há criadores que se transformam em parte da nossa memória afetiva. E há um grupo raríssimo: aqueles que moldam a infância de um país inteiro. Mauricio de Sousa pertence a essa última constelação — um patrimônio emocional, cultural e imaginário de milhões de brasileiros que aprenderam a sorrir, sonhar, dividir, enfrentar medos e acreditar no bem através das aventuras de Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali, Franjinha, Bidu, Chico Bento e tantos outros personagens que caminham conosco desde sempre.
Mauricio não criou apenas personagens. Criou pontes afetivas. Criou janelas de esperança. Criou, sobretudo, um pedaço seguro do mundo onde a criança dentro de cada adulto ainda se sente em casa.
O prefeito Ricardo Nunes, profundamente emocionado, destacou o simbolismo do momento:
“Este reconhecimento ficará para sempre. Mauricio representa o espírito da cidade: alguém que veio sonhar, trabalhar, criar e inspirar milhões.”
E a emoção não parou nele. O secretário municipal de Cultura, Toto participou da cerimônia com entusiasmo — reforçando que São Paulo não poderia deixar de celebrar o artista que ajudou a formar gerações inteiras em valores, imaginação e cidadania. Sua presença deu o tom cultural e institucional que o momento exigia.

Uma festa da cidade para o artista do país
Para comemorar os 90 anos de Mauricio, São Paulo prepara uma homenagem grandiosa: 90 esculturas gigantes dos personagens da Turma da Mônica serão espalhadas por todas as regiões em 2026. É como se o Bairro do Limoeiro estivesse se derramando pela cidade inteira, convidando paulistanos e turistas a redescobrirem suas próprias lembranças.
E tem mais: o histórico Viaduto do Chá ganhará um banco inspirado no universo da Turma — um banco para fotografar, para lembrar, para rir, para viver um pedacinho do Brasil que aprendeu a ser melhor através de um gibi.
O diretor da MSP Estúdios e neto do autor, Marcos Sousa Saraiva, explicou que quem fotografar 45 esculturas visitará o estúdio do avô. Quem registrar as 90 ganhará um prêmio especial. É como se a própria cidade dissesse: “Quer entrar de novo nesse mundo? Venha. As portas estão abertas.”

Quem fotografar 45 esculturas ganhará uma visita ao estúdio MSP; quem registrar as 90 receberá um prêmio especial. É como se cada clique fosse uma pequena porta para o mundo onde “força não é nada sem coragem, e coragem é sempre mais bonita quando tem amizade”.
Além disso, o Viaduto do Chá — um dos cartões-postais mais simbólicos da capital — ganhará um banco inspirado nesse universo encantado. Um banco para sentar, descansar e talvez lembrar de como tudo começou com um cãozinho azul chamado Bidu e um garoto cientista chamado Franjinha, publicados pela primeira vez em 1959.
A obra que virou espelho da sociedade brasileira
Criador de mais de 400 personagens, com mais de 1 bilhão de exemplares vendidos em 50 países, Mauricio construiu mais do que histórias: construiu educação, cidadania e valores. Suas narrativas abordam saúde, alimentação, mobilidade, respeito, inclusão, sustentabilidade e amizade com uma linguagem direta, generosa e profundamente humana.
Não é exagero dizer que cada gibi ajudou a formar pequenos cidadãos. Cada diálogo entre Mônica e Cebolinha ensinou convivência. Cada teimosia do Cascão ensinou responsabilidade. Cada fome carinhosa da Magali ensinou leveza. Cada página nos preparou para o mundo — enquanto o mundo parecia menos assustador porque havia um bairro do Limoeiro esperando por nós.
O prefeito Ricardo Nunes reforçou essa dimensão emocional e social da obra:
“É a representação do que é São Paulo: uma cidade que acolhe sonhadores, empreendedores e criadores. A história do Mauricio é a história de todos que chegaram aqui para fazer a vida acontecer.”
A obra que educou, encantou e acompanhou gerações
Mauricio criou mais de 400 personagens, vendeu mais de 1 bilhão de exemplares, foi traduzido para 14 idiomas e chegou a 50 países. Mas os números não dão conta do fenômeno. Porque a Turma da Mônica não é só entretenimento — é identidade.

Cada história ensinou lições silenciosas:
Mônica ensinou coragem.
Cebolinha, criatividade.
Cascão, responsabilidade.
Magali, afeto.
Chico Bento, simplicidade.
Bidu e Franjinha ensinaram amizade e descoberta.
Era como se cada gibi nos ajudasse a compreender o mundo sem nunca perder a doçura.
Ricardo Nunes destacou essa força emocional:
“O Mauricio é a cara de São Paulo. De quem chegou, acreditou e construiu. A história dele é a história de todos nós.”
O secretário Toto completou, lembrando o compromisso da cidade com a memória cultural: “A obra do Mauricio transcende gerações. Preservá-la é preservar nossa própria história.”
Um legado que pulsa em todas as telas
A obra de Mauricio transcendeu o papel. Tornou-se cinema, TV, teatro, games, plataformas digitais, brinquedos, parques, campanhas sociais. A MSP investiu mais de R$ 200 milhões em projetos audiovisuais de 2018 a 2024, consolidando São Paulo como polo de economia criativa.

O Instituto Cultural Mauricio de Sousa segue promovendo ações sociais e educativas. O UNICEF nomeou a Mônica como primeira embaixadora infantil. A OPAS reconheceu o autor como “Campeão da Saúde das Américas”. E a Câmara Municipal já havia declarado o artista Cidadão Paulistano em 2018.
Sudeste, Nordeste, Norte, Sul e Centro-Oeste: todo o Brasil tem um pouquinho do Mauricio dentro de si.
De Santa Isabel para o mundo — pelo caminho dos sonhos
Mauricio nasceu em 1935. Viveu em Santa Isabel, passou por Mogi das Cruzes e, como tantos sonhadores, veio para São Paulo em busca de oportunidade. Trabalhou no jornalismo policial da Folha da Manhã, onde percebeu que era possível transformar a rotina dura da cidade em uma fábrica de imaginação.
E transformou.
O menino que desenhava virou o homem que deu vida a personagens eternos — que hoje viram esculturas gigantes, filmes, séries, estudos acadêmicos e, principalmente, memórias afetivas de gerações inteiras.
Uma cidade inteira dizendo: obrigado, Mauricio

A celebração dos 90 anos do mestre ganhou seu próprio capítulo especial com o filme Mauricio de Sousa – O Filme, atualmente em cartaz. Em paralelo, a Turma da Mônica segue viva em produções como Laços, Lições e o recém-lançado Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa.
E agora, com a lei sancionada pelo prefeito Ricardo Nunes, a obra se torna parte permanente da identidade de São Paulo.
Parte da história dessa cidade que acolheu o artista.
Parte da história dos milhões que cresceram com ele.
Parte da história do Brasil.
Mauricio de Sousa não apenas criou personagens: criou pontes entre infância e vida adulta, entre fantasia e ética, entre riso e aprendizado. Uma obra que seguirá iluminando gerações — como um gibi que nunca acaba.
