
Quando o medo faz parte do caminho
Por Aline Teixeira
Uma adolescente de 17 anos foi vítima de violência sexual após pedir informação a um homem nas proximidades da estação Tatuapé, em São Paulo. Segundo a investigação, ela estava perdida, procurava ajuda para chegar ao metrô e acabou sendo conduzida pelo agressor para um local isolado, onde o crime aconteceu. O suspeito foi preso dias depois.
O caso é chocante, mas também revela uma realidade que milhões de mulheres conhecem bem: o medo constante.

Todos os dias, mulheres saem de casa calculando riscos. Compartilham localização em tempo real, enviam fotos da placa do carro de aplicativo, evitam determinados trajetos, seguram as chaves entre os dedos e pensam duas vezes antes de pedir ajuda a um desconhecido.
O mais preocupante é que esse comportamento já foi incorporado à rotina como algo normal. E não deveria ser.
Quando uma mulher precisa transformar atividades simples, como caminhar até uma estação, pegar um transporte ou pedir uma informação, em um exercício permanente de vigilância, estamos diante de um problema que vai muito além da segurança pública. Estamos falando de saúde mental, qualidade de vida e liberdade.
O medo constante produz ansiedade, estresse e sensação de vulnerabilidade. Ele limita escolhas, altera comportamentos e faz com que mulheres ocupem os espaços públicos de forma diferente dos homens.
Nenhuma sociedade pode considerar normal que mulheres vivam em estado permanente de alerta. O verdadeiro debate não é apenas sobre o crime que aconteceu, mas sobre quantas mulheres se identificaram imediatamente com a sensação de insegurança que essa jovem sentiu.
Eu sou Aline Teixeira e acredito que liberdade não é apenas poder ir e vir. É poder fazer isso sem que o medo acompanhe cada passo do caminho. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.
