
Profecias vingaram
*José Renato Nalini
Cientistas e o BIRD previram escassez de água em 2025. Pois o consumo de água no mundo aumentou 50% e quase metade da população global, estimada hoje em mais de oito bilhões, não tem garantia de abastecimento. Relatórios do BIRD já indicaram que 11% de doenças e mortes de recém-nascidos em países em desenvolvimento são causadas por problemas relacionados a fornecimento de água, saneamento e poluição do ar. Em seguida, vêm as doenças e mortes derivadas da má nutrição: 15%.
A falta de água já afeta a maior parte da África, do Oriente Médio e do Sul da Ásia e, surpreendentemente, impacta o Brasil, que nunca pensou iria sentir falta de um líquido que foi tão abundante!
São Paulo já teve inúmeras ocorrências de escassez hídrica. Mas o abastecimento de uma população superior a doze milhões de almas propõe desafios que levam a considerar a situação de verdadeiro colapso. É o que ocorre com a Represa do Guarapiranga, alvo de invasão que despeja esgoto in natura em suas águas, hoje inteiramente contaminadas.
O mundo já está em conflito por causa da água. Já se percebeu que a posse da água é mais importante do que o direito de possuir um pedaço de terra. Não é um quadro exclusivo de São Paulo, pois dezenove regiões metropolitanas – onde se localiza um terço da população brasileira – correm risco de colapso. Também não é novidade que 95% das indústrias, condomínios privados, hotéis, hospitais, clubes e postos de gasolina instalados na maior cidade do Brasil utilizam água subterrânea numa superexploração maior do que a recarga. Não está longe a seca das fontes.
A SECLIMA continua a operar a OIDA – Operação Integrada em Defesa das Águas, para inibir a continuidade do ritmo de invasões e construções em área vedada, pois é de proteção dos mananciais. Mas ainda não existe uma conscientização coletiva na escala proporcional ao problema. Por enquanto, as profecias vingaram e o quadro é muito mais grave do que se poderia supor.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

