
Precisamos de mais quintais
*José Renato Nalini
Quando pensamos em salvar o ambiente degradado, normalmente lembramos dos nossos biomas: Mata Atlântica, Cerrado, Amazônia, Pantanal. Mas é preciso pensar prioritariamente na cidade. É nela que vive a maioria absoluta dos brasileiros. Por isso, é preciso formar a consciência cidadã de que todos somos responsáveis pela biodiversidade urbana.
Cidades são ecossistemas dependentes de vastas áreas externas, para conseguir energia, alimentos e matérias-primas, assim como para o descarte de resíduos. Costuma-se conceber a cidade como “deserto biológico”, mas as pesquisas científicas comprovam o contrário. Há uma rica biodiversidade nos centros urbanos.
É preciso repensar nossa metrópole, a maior do Brasil, como um espaço adicional para a fauna e flora e cuidar de sua escassez hídrica. Para reverter o colapso ambiental é importante a multiplicação de parques, bosques, miniflorestas, jardins de chuva e vagas verdes. Mas a cidadania precisa se empenhar ainda mais. A cidade biodiversa é a melhor resposta contra os desastres que não são naturais, mas provocados pela ação humana. Convém a leitura do livro “Ecologia das Cidades Tropicais”, para animar a cidadania a criar e a exigir da poderosa indústria da construção civil, que abusa das soluções baseadas no concreto e parece fugir das soluções baseadas na natureza, que criem mais jardins, pomares, quintais, pois tudo o que vier a convergir para ampliar área verde fará a diferença agora e no futuro.
A gestão municipal Ricardo Nunes prestigia todas as iniciativas ecológicas, coerente com a sensibilidade que fez criar a Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas, a serviço da renaturalização de São Paulo, hoje uma capital resiliente, verde e a cada dia mais acolhedora.
A Prefeitura faz sua parte. Mas a cidadania responsável também tem de fazer a dela.
*José Renato Nalini é Secretário Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

