
Pequenas coisas
*José Renato Nalini
Há uma bela música norte-americana chamada “Pequenas Coisas”, (“those foolling things”) que invocam gatilhos da memória. Coisas pequenas, aparentemente insignificantes, deflagram todo um processo de resgate de reminiscências, na viagem imaginária que só nós mesmos podemos fazer.
Mas o que pretendo dizer hoje, para os que pacientemente me leem, é que uma porção de “pequenas coisas” pode gerar frutos grandiosos. Penso na preocupante situação planetária, em que o aquecimento global mostra o quão prejudicial é a conduta insensata da humanidade que insiste em emitir gases venenosos causadores do efeito estufa.
Cada ano é mais quente do que o anterior. Já se descumpriu o Acordo de Paris, celebrado há somente dez anos. E a sociedade dita racional persiste nas condutas erráticas. Parece haver optado pelo ecocídio, ou seja, a morte consentida de tudo o que vive. A natureza e nós também, que somos parte dela.
Onde entram as pequenas coisas?
No banho mais rápido, na torneira fechada enquanto se escova os dentes, na economia de água para finalidades que não sejam as da alimentação e da higiene pessoal. Mas também é preciso reverter um comportamento irresponsável de quem consome demais, desperdiça demais e descarta erradamente. São Paulo produz mais de 15 mil toneladas diárias de resíduo sólido! É preciso pensar se realmente se quer fazer da maior cidade do mundo o maior depósito de lixo do planeta.
São pequenas coisas que, feitas por muita gente, produzem resultados fantásticos. E o mundo precisa de milagres. A mesmice já se esgotou. A maior cidade do Brasil pode contar com sua colaboração, para se tornar a melhor cidade do País?
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.
