
Os agapantos da 23
*José Renato Nalini
Estas últimas semanas, entre novembro e dezembro, quem passa pela Avenida 23 de Maio constata que ela está mais bonita. Pontos azuis em toda a área que ainda tem verde. São os agapantos, que florescem nesta época.
Essa flor, também conhecida como lírio-africano, é uma planta ornamental nativa da África do Sul. Suas flores formam uma esfera nas cores azul, lilás ou branca. Verifica-se que é um vegetal resiliente e de baixa manutenção. Tanto que ela suporta os gases pestilentos emitidos pelos mais de sete milhões de veículos que percorrem as ruas paulistanas a qualquer hora do dia e da noite.
É importante mencionar que o nome “agapanthus” vem do grego “agape” (amor) e “anthos” (flor), significando “flor do amor”. E amor é exatamente aquilo que sempre está faltando em todos os ambientes, não sendo diferente nesta megalópole gigantesca, a maior cidade do Brasil.
Todas as pessoas que gostam de São Paulo e querem torná-la a cada dia mais humana, podem e devem plantar agapantos em seus jardins e também ocupar todas as áreas ainda livres, desprovidas de vegetação, desse lindo lírio africano, que simboliza o sentimento mais sublime para os racionais.
A municipalidade paulistana realizou um enorme trabalho de plantio durante o ano de 2025, sob inspiração da COP30, o grande encontro da ONU sobre o meio ambiente e a ecologia. Como o Brasil ainda é responsável pela COP até que seja realizada a de número 31, em Istambul, o ano de 2026 precisa merecer o mesmo carinho da população.
É confortador verificar que há muitas pessoas que, anônima e voluntariamente, se preocupam com o ambiente paulistano. São aquelas que fazem plantio de árvores, que acompanham os plantios realizados pela Prefeitura, auxiliando a Secretaria das Subprefeituras, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente e a Secretaria de Mudanças Climáticas. Na verdade, quem se conscientiza da urgência de intensificar as áreas verdes na capital está auxiliando as atuais e futuras gerações. E é isso que vale a pena e justifica esta passagem pelo planeta Terra, que há muito está a pedir socorro.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.
