
Onde os outros profissionais?
*José Renato Nalini
A metrópole paulistana cresceu em demasia e, no crescimento, destruiu a maior parte de sua natureza. Houve enterramento dos milhares de cursos d’água, retificação errônea dos grandes rios, extermínio da exuberante cobertura vegetal do bioma da Mata Atlântica, pavimentação asfáltica e impermeabilização da imensa maioria do território.
A consciência ecológica surgiu na década de setenta do século passado, mas a disseminação foi muito lenta. Chegaram antes as mudanças do clima geradas pela excessiva emissão dos gases venenosos causadores do efeito-estufa. Já não são meras mudanças: tornaram-se emergências e hoje há quem as chame verdadeiro “cataclismo climático”.
Na capital paulista, o Prefeito Ricardo Nunes criou a Secretaria Executiva das Mudanças Climáticas, de atribuição meramente articuladora. Inserir o tema das emergências em todos os processos decisórios de São Paulo. Uma das políticas da Seclima, a partir do Plano de Ação Climática da cidade, foi disseminar a cultura do replantio de árvores, uma reposição daquilo que foi eliminado a partir de 1554.
O chamamento foi geral. A primeira resposta efetiva foi da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil Seção São Paulo, com a fervorosa adesão da Presidente da Comissão do Clima e Sustentabilidade, Dra. Rosa Ramos, que tem como Vice-Presidente o ambientalista Fábio Feldmann.
Já foram realizados dois plantios em áreas públicas municipais e dois outros já estão previstos. Os eventos contam com a participação de advogados e estudantes de direito, o que promete ampliação da consciência ecológica. Os juristas estão oferecendo um plus à cidade em que labutam e sobrevivem. Mas há outras associações profissionais que ainda não aderiram a essa agenda.
Será que só a profissão jurídica é que se interessa pelo amanhã tão incerto, diante das bruscas mutações impingidas ao planeta por nossa incúria, omissão, negligência ou até cumplicidade?
Plantar uma árvore é hoje missão salvífica e heroica. Verdadeira injeção vitamínica na realidade comprometida de nosso ambiente. Aguardamos que outras associações, entidades e organismos, sejam profissionais ou não, digam “presente” a este chamado.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

