
Não pode ser esquecido
*José Renato Nalini
O tributo a Kongjian Yu, urbanista chinês que veio para o Brasil, cheio de sonhos e de idealismos e aqui perdeu a vida, foi alvo de significativa homenagem, por iniciativa da SECLIMA.
Ele esteve em São Paulo por ocasião da Bienal de Arquitetura, onde também foi homenageado. E merecia todas as reverências. Foi o criador do conceito de “Cidade Esponja”, algo que Saturnino Brito propôs para São Paulo e, infelizmente, não foi atendido.
Em lugar de “retificar” o Tietê, que serpenteava sinuosamente por suas várzeas, Saturnino queria fazer um enorme parque. Toda a vegetação, em solo natural, serviria para o escoamento rápido e saudável da água das enchentes. É exatamente a proposta de Kongjian Yu, que fez mais de mil obras na China e Ásia, resposta inteligente para a ação da natureza.
No dia 16 de setembro, o urbanista chinês esteve com o Secretário Marcos Monteiro, com Pedro Fernandes e com o titular da SECLIMA e foi auspicioso esse encontro. Ele se encantou com a topografia paulistana, própria para inúmeros projetos de “Cidade Esponja”, muito mais eficientes, estéticos, infinitamente mais baratos do que a convencional resposta dos “piscinões”.
Contudo, quis a má fortuna que ele morresse carbonizado uma semana depois, em 23 de setembro, quando visitava o Pantanal, que considerava uma “Cidade Esponja” natural, produzida pela Providência.
Não tem sido tarefa singela convencer a poderosa indústria da construção civil a adotar soluções baseadas na natureza e não na tradicional solução ancorada no concreto, ferro, aço e vidro. Estes insumos geram emissão de gases venenosos já desde a fabricação. Depois, sob a forma dos infinitos edifícios que explodem na capital, continuam a emitir.
Enquanto isso, as soluções baseadas na natureza representam resposta racional a problemas criados pela própria humanidade. O tributo a Kongjian Yu, urbanista que não pode ser esquecido, é também uma advertência à sociedade ávida por lucro, de que não se agride impunemente a natureza. Ela responde conforme pode e sabe. E, como visto, está muito ressentida com a raça dos humanos.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

