
Morre Dennis Carvalho, diretor de “Vale Tudo” e “Dancin’ Days”, aos 78 anos
Da Redação – São Paulo TV
O Brasil se despede neste sábado (28) de um dos grandes arquitetos da dramaturgia nacional. Morreu, aos 78 anos, o ator e diretor Dennis Carvalho, responsável por marcar gerações com novelas históricas como Vale Tudo e Dancin’ Days.
O artista estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, no Rio de Janeiro. A causa da morte não foi divulgada. Em nota, a unidade hospitalar lamentou o falecimento e informou não ter autorização da família para fornecer mais detalhes.
Um construtor de clássicos da TV brasileira

Dennis começou a carreira como ator ainda jovem e participou da primeira versão de Roque Santeiro, que acabou censurada durante a ditadura militar. A novela ganharia uma versão definitiva em 1985 — e ele também faria parte do elenco.
Ao longo dos anos, esteve em produções como Pecado Capital, O Casarão, Brilhante, Brega & Chique e, claro, “Vale Tudo”, um dos maiores fenômenos da história da televisão brasileira.
Mas foi atrás das câmeras que consolidou seu nome. Estreou como diretor em 1977 e comandou sucessos como Corpo a Corpo, Roda de Fogo, Fera Ferida, Explode Coração, Celebridade, Paraíso Tropical e a minissérie Anos Rebeldes.
Também foi um dos diretores do humorístico Sai de Baixo, sucesso absoluto de público.

Censura, ousadia e inovação
Dennis enfrentou diretamente os limites impostos pela censura, especialmente em Malu Mulher, que abordava temas considerados tabus à época: aborto, drogas, sexualidade e independência feminina.

Ele não apenas dirigia histórias — ele tensionava estruturas. Foi um dos responsáveis por transformar a novela em espaço de debate social.
A cena do assassinato de Odete Roitman, em “Vale Tudo”, tornou-se um dos momentos mais icônicos da televisão brasileira. Gravada poucas horas antes da exibição para evitar vazamentos, virou evento nacional. A personagem era interpretada por Beatriz Segall.
A voz por trás dos heróis
Além de ator e diretor, Dennis também teve carreira como dublador. Foi a voz do Capitão Kirk na versão brasileira de Jornada nas Estrelas, de personagens de “Jonny Quest” e do seriado “O Túnel do Tempo”.
Começou cedo: aos 11 anos já atuava na televisão ao vivo, numa época em que não existiam gravações em videotape. Era televisão feita na raça, na respiração, no improviso técnico — quase artesanal.
Teatro e últimos trabalhos
Nos palcos, estreou em 1970 no musical Hair. Décadas depois, dirigiu grandes produções como “Elis – A Musical” e “O Clube da Esquina”, celebrando nomes fundamentais da música brasileira.
Seu último trabalho na televisão foi na novela Segundo Sol, exibida em 2018.
Dennis Carvalho ajudou a moldar o padrão de qualidade da dramaturgia brasileira. Trabalhou com autores como Gilberto Braga e formou gerações de atores e diretores.
A São Paulo TV se solidariza com familiares, amigos e fãs neste momento de luto e reconhece a importância histórica de Dennis Carvalho para a cultura e a teledramaturgia do país.
