
Mais respeito com a árvore
*José Renato Nalini
Nada obstante a importância da árvore na vida da cidade, ainda há quem resista a ela. Notadamente nas regiões que mais precisam de árvores, as zonas urbanas áridas, parte considerável da população repudia o plantio. A alegação, além de pueril, é bizarra: a árvore quebra a calçada, deixa cair folhas, serve de esconderijo para bandido.
Esquece-se o ingrato de que a árvore é a melhor amiga da vida. Ela presta serviços ecossistêmicos gratuitos. Sequestra carbono, que está nos matando, e exala oxigênio puro. O lugar em que está plantada absorve água, o que se torna cada vez mais raro numa cidade impermeabilizada como a nossa. Faz sombra, abriga a fauna silvestre urbana, embeleza a paisagem. Mas, principalmente, reduz a temperatura. Lugares arborizados têm menos calor. A diferença pode chegar a dez graus.
Pois bem. A repulsa à árvore só pode provir de ignorância. Desconhecimento do que significa a existência dessa nossa irmã – a árvore, tão plena de vida como nós mesmos. E é também petulância. Porque uma árvore pode viver mais de quatro mil anos.
As recentes notícias de incêndio na Patagônia sacrificaram e continuam a ameaçar espécies que têm mais de quatro mil anos. Aqui mesmo, no Estado de São Paulo, temos jequitibás que existem há mais de mil anos.
Não é petulância um ser que tem vida breve – raramente chega aos cem anos – desprezar outro ser, da mesma natureza vital deste planeta, que vive quarenta vezes mais?
Pensemos também nisso quando formos convidados a plantar árvores. Cuidar delas, zelar para que continuem a existir, defendê-las de vandalismo, é o mínimo que alguém civilizado e consciente pode fazer em favor do lugar em que lhe é dado vivenciar a fabulosa experiência existencial.
*José Renato Nalini é Secretário Executivo de Mudanças Climáticas de São Paulo.
