
Kiyoshi Harada, o jurista da honra e do conhecimento, e a excepcional viagem em família que o reconectou às suas origens no Japão
Da Redação da São Paulo Tv por Beatriz Ciglioni fotos Família Harada
Há histórias que não pertencem apenas ao tempo presente. Elas atravessam gerações, sendo construídas com esforço, valores e memória. A trajetória do jurista Kiyoshi Harada é uma dessas narrativas raras em que o sucesso não se explica apenas pela carreira, mas pela coerência de uma vida inteira, guiada por princípios que nunca se perderam.

Reconhecido como uma das maiores referências do Direito Público brasileiro, Harada é autor de obras fundamentais que ajudaram a formar gerações e contribuíram diretamente para a compreensão do sistema tributário e financeiro nacional. Sua atuação vai além da técnica jurídica. Ele também se destaca pela preservação da memória da comunidade japonesa no Brasil, sendo um dos idealizadores do projeto Nikkei no Brasil, obra que registra a contribuição histórica, cultural e humana dos imigrantes japoneses e seus descendentes, consolidando uma ponte viva entre dois países e duas identidades.
Mas é longe dos tribunais e dos livros que sua história ganha contornos ainda mais profundos.
Ao retornar ao Japão, Harada não realizou apenas uma viagem. Realizou um reencontro.
Em Osaka, sob as cerejeiras em flor, o tempo parece desacelerar. As pétalas que caem carregam significados silenciosos, como se lembrassem que a vida é passageira, mas os valores permanecem. Ali, diante daquela paisagem, há um homem que não observa apenas a beleza — ele reconhece a própria história.

É, porém, ao chegar em Yamaga que a experiência se torna ainda mais intensa.
Yamaga não é apenas um destino. É a terra de seus pais.
Uma cidade tranquila, de ruas simples, casas tradicionais e um ritmo de vida que preserva o essencial. Um Japão interiorano onde o silêncio tem significado e onde a memória parece habitar cada detalhe. Seus pais viveram na zona rural da região, em um ambiente marcado pelo trabalho, pela dignidade e pela simplicidade. Harada não retornou exatamente a esse local — hoje sem familiares diretos —, mas a presença daquele passado foi sentida de forma profunda, como se estivesse no ar, nas ruas, nas paisagens.
Caminhar por Yamaga foi mais do que uma visita. Foi um reencontro com a própria origem. Um reconhecimento silencioso de tudo aquilo que veio antes. Um momento em que a história deixa de ser lembrança e passa a ser vivida.
Durante essa jornada, um dos momentos mais marcantes foi a visita ao prefeito da cidade de Yamaga, Jun’ichi Hayata, onde Harada e sua família foram recebidos com respeito e reconhecimento. Nesse encontro, realizaram a entrega do exemplar do Nikkei no Brasil em sua versão japonesa — um gesto carregado de simbolismo, que representa a conexão entre culturas, a preservação da memória e o reconhecimento da contribuição do povo japonês na formação do Brasil.

Mas é na família que essa viagem encontra seu verdadeiro significado.

o longo dessa viagem, Kiyoshi Harada não esteve apenas acompanhado — ele esteve ao lado de sua companheira de vida, a Dra. Felícia, uma parceira que representa muito mais do que um vínculo conjugal. Trata-se de uma relação construída sobre amor, fé, cumplicidade e uma profunda amizade que atravessou o tempo. Ao seu lado, ela não apenas compartilha momentos — ela interpreta sentimentos, traduz emoções e dá sentido aos instantes mais marcantes da vida.

Também está presente o filho Marcelo Harada, mais do que herdeiro, um filho querido, amigo e verdadeiro parceiro de vida. A relação entre pai e filho se revela na cumplicidade, no respeito e na admiração mútua, construída ao longo dos anos.
Ao lado de Marcelo, estão sua esposa Raquel e os filhos do casal — Melissa, Maya e o pequeno Lucca.
Três gerações reunidas. Uma família unida por valores, por história e por identidade. Um momento raro. Uma memória que permanecerá.
Talvez ainda não compreendam completamente o que viveram, mas um dia saberão que fizeram parte de algo único — um reencontro com a origem, um encontro com a história da própria família.
E há um instante que sintetiza toda essa jornada — e que se torna um dos registros mais fortes dessa viagem.
A imagem de pai e filho vestidos como samurais.

Mais do que uma fotografia, é a representação viva de um código de honra que atravessa gerações. O samurai simboliza disciplina, coragem, respeito e justiça — valores que sempre estiveram presentes na trajetória de Harada e que seguem vivos em sua família.
Ali, naquele momento, não é apenas uma imagem bonita. É tradição. É identidade. É legado.
Ao longo da viagem, em momentos simples como a estadia em um ryokan tradicional japonês, diante de um riacho de águas límpidas que corria suavemente diante da janela, a família viveu uma experiência de paz e conexão que não se explica em palavras — apenas se sente.
Harada reconhece, com serenidade, que foi uma visita memorável.
E ao final dessa jornada, o que permanece não são apenas os registros dessa viagem.
O que permanece é o sentido.
Não se trata apenas de uma imagem, nem de um instante isolado, mas de um símbolo vivo de tudo aquilo que foi construído ao longo de uma vida. É a expressão silenciosa de valores que resistiram ao tempo, que atravessaram gerações e que continuam presentes naquilo que realmente importa.
Kiyoshi Harada construiu uma carreira admirável, mas sua maior obra está na vida que edificou ao lado de sua esposa, na família que formou e nos valores que conseguiu preservar e transmitir com dignidade.
Sua história nos lembra que o verdadeiro sucesso não está apenas em chegar longe.
Está em nunca esquecer de onde se veio. Porque há lugares que não são apenas visitados.
São reencontrados. E há histórias que não se encerram. Elas continuam, vivas, nas próximas gerações.
📍 Reportagem especial da São Paulo TV Broadcasting
Fotos da Viagem

E ele próprio reconhece, com a serenidade de quem compreende a profundidade da vida: sentiu uma paz de espírito rara, profunda e transformadora.

Era a história de uma família.

E há ainda um instante que simboliza tudo isso.
Vestido como um samurai, ao lado do filho Marcelo, Harada não apenas revive uma tradição — ele materializa, de forma simbólica, os valores que sempre conduziram sua trajetória. O samurai representa honra, disciplina, coragem e justiça. E ali, naquele momento, pai e filho não estavam apenas trajados — estavam conectados a uma história maior, a uma cultura que segue viva dentro deles.

As imagens registradas não são apenas fotografias. São testemunhos. São memória. São legado.
E, talvez, um dia, os netos que estavam ali compreenderão plenamente a dimensão daquele momento. Saberão que herdaram mais do que um sobrenome. Herdaram uma história construída com luta, com dignidade, com amor e com princípios.
Kiyoshi Harada construiu uma carreira brilhante, mas sua maior obra está na vida que edificou ao lado de sua esposa, na família que formou e nos valores que conseguiu transmitir.
Porque há lugares que não são apenas visitados. São reencontrados. E há momentos que não são apenas vividos. São eternizados no coração.





