
Israel bombardeia local de reunião de aiatolás no Irã; Trump diz que país enfrenta “vácuo de liderança”
Ataque atingiu prédio da Assembleia de Especialistas na cidade sagrada de Qom enquanto guerra entre Israel e Irã entra em nova fase de escalada militar.
Da Redação Internacional da São Paulo TV
A guerra entre Israel e Irã registrou nesta terça-feira (3) uma nova escalada, após ataques aéreos israelenses atingirem um prédio ligado à Assembleia de Especialistas na cidade de Qom, um dos principais centros religiosos do país.
Segundo informações divulgadas por agências internacionais e pela imprensa israelense, o local seria utilizado para encontros de aiatolás responsáveis por discutir a sucessão da liderança suprema iraniana. O bombardeio teria ocorrido no momento em que autoridades religiosas se preparavam para uma reunião institucional.

Até o momento, a mídia estatal iraniana não confirmou oficialmente se havia religiosos entre os mortos ou quantas vítimas foram registradas no ataque. Imagens divulgadas por veículos locais mostram parte da estrutura do edifício destruída e colunas de fumaça subindo na região.
A Assembleia de Especialistas é um dos órgãos mais importantes do sistema político iraniano. Formada por clérigos islâmicos, a instituição possui a atribuição constitucional de escolher o líder supremo do país, autoridade máxima da República Islâmica.
Netanyahu promete intensificar ofensiva
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que as operações militares continuarão com intensidade.
Segundo ele, Israel pretende atingir estruturas consideradas estratégicas do regime iraniano e impedir que Teerã mantenha capacidades militares que representem ameaça direta ao país.
Autoridades israelenses afirmaram que, além do prédio em Qom, ataques também atingiram estruturas governamentais em Teerã, incluindo instalações associadas ao Conselho Supremo de Segurança Nacional e ao gabinete presidencial.
Em comunicado oficial, as Forças de Defesa de Israel afirmaram que a Força Aérea iniciou “uma onda de ataques em grande escala contra infraestruturas do regime iraniano”.
Trump fala em “vácuo de liderança”
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou que o Irã enfrenta um cenário de fragilidade política após a morte de lideranças importantes nos primeiros dias da guerra.
Durante reunião na Casa Branca com o chanceler alemão Friedrich Merz, Trump declarou que existe atualmente um “vácuo de liderança” dentro da estrutura política iraniana.
Segundo o presidente americano, alguns dos nomes considerados possíveis sucessores da liderança iraniana teriam sido mortos ou estariam entre as vítimas dos ataques recentes.
Trump também afirmou que a decisão de apoiar as ações militares ocorreu porque Washington avaliou que o Irã estaria se preparando para lançar ataques contra países vizinhos e contra Israel.
Conflito se expande para o Líbano
Paralelamente aos ataques no território iraniano, a guerra também avança no Líbano. O governo israelense autorizou operações terrestres limitadas no sul do país para enfrentar posições do Hezbollah, grupo xiita aliado do Irã.
Segundo autoridades israelenses, a ofensiva busca neutralizar bases militares e depósitos de armas utilizados em ataques contra localidades israelenses próximas à fronteira.
O Exército de Israel informou ainda ter eliminado um comandante da Força Quds — unidade de elite da Guarda Revolucionária iraniana — identificado como Daoud Ali Zadeh.
O Hezbollah declarou ter respondido aos ataques com drones armados direcionados a posições militares israelenses.
Ataques a embaixadas americanas
A escalada também atingiu representações diplomáticas americanas na região. Drones iranianos teriam atingido instalações diplomáticas dos Estados Unidos em países do Golfo.
Diante da situação, Washington determinou o fechamento temporário de algumas embaixadas e iniciou a retirada de funcionários não essenciais em diferentes países do Oriente Médio.
Entre os países afetados estão Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein, Iraque e Jordânia.
O Departamento de Estado afirmou que as medidas são preventivas e visam proteger cidadãos e funcionários diante da ampliação das hostilidades.
Risco de guerra regional
Especialistas internacionais avaliam que o conflito pode se ampliar caso novas frentes militares sejam abertas ou se houver envolvimento direto de outros atores regionais.
O Oriente Médio concentra rotas estratégicas para o comércio global de energia, especialmente o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.
Por esse motivo, a escalada militar já provoca preocupação nos mercados internacionais e entre governos europeus e asiáticos.
Até o fechamento desta edição, não havia confirmação de negociações diplomáticas imediatas para um cessar-fogo.
A comunidade internacional acompanha com atenção o desenrolar de um conflito que, em poucos dias, se transformou em uma das crises geopolíticas mais graves da década.
