
Incêndio mata
*José Renato Nalini
Um dos efeitos do fenômeno El Niño, tão intenso entre estes meses finais de 2026 e os três primeiros do próximo ano, é a elevação exagerada da temperatura. Algo que o aquecimento global já vinha registrando, mesmo em períodos nos quais o El Niño não nos atormentou.
Só que o número de incêndios cresceu de forma expressiva nos últimos anos. E mais de noventa por cento deles deriva de ação humana. Aquela “combustão espontânea” é muito rara. Verdadeiramente excepcional.
Os grandes incêndios derivam do chamado “fogo controlado”, algo que se inseriu na cultura da lavoura brasileira, a partir do costume da “coivara” praticado pelos indígenas. De “controlado”, esse fogo não tem nada. Ele se descontrola e se expande.
Por isso, a responsabilidade acrescida dos proprietários rurais. Eles têm de se preparar para a possibilidade de perder o controle e capacitar pessoas que integrem um verdadeiro exército particular voluntário.
Em segundo lugar, os balões. Aquilo que era algo genuíno, decantado em prosa, verso e música, é muito perigoso. Soltar balão hoje é proibido e, em tempos de elevada temperatura, é verdadeiramente criminoso.
A terceira causa é a queima de fios para o aproveitamento do cobre. Isto sim é um combo de crimes: o furto ou roubo da fiação, depois a sua queima, outro delito ambiental.
Prevenir o fogo é dever de todos. É importante que todo grupamento conte com uma equipe de brigadistas voluntários. Existem cursos gratuitos de capacitação de quem pretenda atuar na defesa civil e uma das ocorrências prováveis, no verão que se aproxima, é a proliferação de grandes incêndios.
Uma pequena contribuição para o agravamento do quadro, que pode gerar gravíssimos resultados, é jogar “bitucas” de cigarros ao léu. Quando atirados das janelas dos carros para o acostamento, não raro se propagam na vegetação seca e acabam com áreas que deveriam ser protegidas.
Vamos nos conscientizar de que se todos contribuímos para chegar a esta situação, todos também temos obrigação moral de tentar minimizá-la.
O que está em jogo é a sobrevivência da própria humanidade.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

